A noite escura de Madre Teresa de Calcutá

Hoje, 05 de setembro, comemora-se a partida da Beata Madre Teresa de Calcutá para o céu.

Como já é sabido por muitos, esta bem-aventurada viveu na terra fazendo o bem aos pobres, mas muitos se esquecem de comentar que ela passava horas diante do Santíssimo Sacramento a fim de obter forças para a missão. Ademais, desde o começo de sua obra, ela sofria em sua alma aquilo que São João da Cruz denominou “noite escura da alma”. Essa noite escura pode ser definida como que um obscurecimento de todo sentido frente à presença de Deus. Ela sabe que Deus existe, no entanto não senti Sua presença. E o pior: às vezes sente que Ele a rejeita, ou até mesmo que Ele não existe, não significa nada…

Ouçamos seu próprio relato em uma de suas cartas:

“Há tanta contradição em minha alma, um profundo desejo de Deus, tão profundo que faz mal; um sofrimento contínuo e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, vazia, sem fé, sem ânimo, sem zelo…”,

“Senhor Deus meu, quem sou eu para que Tu me abandones? Uma filha de Teu amor, e agora, convertida na mais odiada, não amada. Chamo, me agarro, eu quero, mas não há resposta, não há ninguém em quem possa me agarrar, nada, sozinha. A escuridão é tamanha e estou sozinha. Depreciada, abandonada. A solidão do coração que quer o amor é insuportável. Onde está minha fé? Inclusive no mais profundo, bem dentro, não há nada além de vazio e escuridão. Deus meu, como é dolorosa esta dor desconhecida. Doi sem cessar. Não tenho fé. Não me atrevo a pronunciar as palavras e pensamentos que enchem meu coração e me fazem sofrer uma agonia indizível. Tantas perguntas sem respostas vivem dentro de mim, me dá medo descobri-las, pois podem ser causa de blasfêmias.

Se Deus existe, por favoor, perdoe-me. Confio que tudo isto terminará no céu com Jesus. Quando tento levantar meus pensamentos ao Céu, há um vazio tão acusador que estes mesmos pensamentos regressam como facas afiadas e ferem a minha alma. Amor, a palavra, não me diz nada. Se me dizes que Deus me ama, sei que a realidade de escuridão, frieza, vazio é tão grande que nada comove minha alma.Antes de começar a obra havia tanta união, amor, fé, confiança, oração e sacrifício. Enganei-me ao me entregrar cegamente ao Sagrado Coração? A obra não é uma dúvida, porque estou convencida de é Sua, não minha. Não sinto, em meu coração não há o mínimo pensamento ou tentação de atribuir-me algo desta obra.

Todo este tempo sorrindo – as irmãs e o povo fazem comentários deste tipo. Eles pensam que minha fé, minha confiança e meu amor preenchem todo meu ser e que a intimidade com Deus e a união a sua vontade impregnam meu coração. Se soubessem como minha alegria é um manto sobre o qual cubro o vazio e a miséria.

Apesar de tudo, esta escuridão e vazio não são tão doloros como os sofrimentos de Cristo. Esta contradição, temo, vai me desequilibrar. Deus, que estás fazendo com tua pequena? Quando pediste para imprimir tua paixão em emu coração, esta é a resposta?

Se isto te traz alegria, se Tu obtem de tudo isto uma só gota de alegria, se isto te leva almas, se meus sofrimentos saciam Tua Sede, aqui estou Senhor, com alegria aceito passar por tudo até o final da vida, e sorrirei ao Teu Rosto Oculoto. Sempre.”

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Sobre catolicosconservadores
Casado, advogado, católico.

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