A oração de Jesus foi ouvida?

Comecei a ler recentemente o livro “Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição” de Bento XVI. Não é necessário tecer elogios ao livro. Há alguns pontos muito interessantes no livro e gostaria de começar a comentá-los aqui.

Bento XVI falando sobre a Oração Sacerdotal – Evangelho de São João cap. 17 – diz que Rudolf Bultman  afirmou que a unidade pedida por Jesus não é uma unidade visível, porque não é de “modo algum um fenômeno do mundo”. Mas, segundo Ratzinger, embora ela não seja um fenômeno do mundo, ela deve sim ser visível para que o “mundo reconheça” (Jo 17,23). Uma unidade que “só é possível a partir de Deus e por meio de Cristo, mas uma unidade que aparece de modo tão concreto que se torna evidente a força presente e operante de Deus

Analisando este capítulo cheguei à conclusão que, em certo sentido, essa unidade pedida por Jesus na oração sacerdotal foi ouvida pelo Pai. Mas como, se não vemos os cristãos unidos?

Mas, olhando para a Igreja vemos que há certa unidade. Nela, os cristãos (membros do Corpo de Cristo) estão unidos em coisas que, só a partir de Deus e por meio de Cristo ela se realizou. Como diz Bento XVI, essa unidade que é “humanamente inexplicável com base nas forças próprias da humanidade“. Isso acontece na Igreja, uma unidade inexplicável na liturgia, na doutrina, na fé, na caridade.

Vejamos:

Na liturgia há uma unidade que só pode vir de Deus – unidade no rito, embora há vários ritos para celebrar os sacramentos, os ritos têm um único objetivo: trazer Deus às almas e fazê-las inseridas na vida divina. Além disso, vemos que as fórmulas para realização dos sacramentos são um só. Ainda que o rito seja diferente, por exemplo, a fórmula válida para a consagração do pão e do vinho é igual.

A doutrina constante da Igreja (a verdadeira e não um simulacro de doutrina) é una. Em qualquer parte do mundo, a doutrina anunciada é a mesma de tantos séculos. Alguém poderia dizer que não é bem assim. Mas se você for estudar, você verificará que aquilo que foi anunciado no passado, continua sendo anunciado até hoje, talvez com linguagens atualizadas, mas a essência não mudou.

 A fé da Igreja é una. Os cristãos católicos crêem naquilo que está contido no credo e no catecismo. Negar algum símbolo do credo é, no mínimo, amputar a fé. O que a Igreja crê hoje, creu no passado.

Por fim, há unidade na pregação e na vivência da caridade. Qualquer cristão que se reconheça e viva como tal, sabe que a caridade é necessária para se chegar à maturidade da idade de Cristo (cf. Ef. 4,13)

Nesse sentido, podemos afirmar, com certeza, que Jesus já vê a sua oração ao Pai respondida. Claro, não respondida na sua integralidade, mas como que uma pequena amostra da unidade que virá depois…

Rezemos para que a unidade visível dos cristãos se realize neste tempo.

 

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Sobre catolicosconservadores
Casado, advogado, católico.

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