Wikileaks revela confidências da diplomacia vaticana sobre a viagem do Papa ao Brasil

O site Wikileaks revelou detalhes de documentos da diplomacia vaticana sobre a viagem do papa Bento XVI ao Brasil em maio de 2007.

Algumas coisas ali reveladas: fraca formação dos sacerdotes, perigo da teologia da libertação e crescimento do protestantismo.

Jorge Ferraz colocou no seu blog a tradução dos documentos vazados. Coloco abaixo um excerto:

O “perigo” da Teologia da Libertação –

8. Outra importante questão contextual da visita é o desafio à Igreja tradicional que a Teologia da Libertação desempenha. O Papa João Paulo II (ajudado pelo papa atual quando ele era o Cardeal Ratzinger) fez enormes esforços para acabar com esta análise marxista de luta de classes. Ela veio a ser promovida por um significante número de clérigos e leigos católicos, os quais – em um compromisso político – algumas vezes sancionaram a violência “em favor do povo”. A forma mais ortodoxa da Teologia da Libertação, que tomou o partido dos pobres e oprimidos, submeteu-se a uma leitura reducionista [do Evangelho] que o Vaticano procurou corrigir. De um modo geral o Papa João Paulo II derrotou a “Teologia da Libertação”; no entanto, nos últimos, viu-se um ressurgimento dela em várias partes da América Latina.

9. Esta questão veio à tona novamente em março, quando a Congregação para a Doutrina da Fé (território familiar [old stomping grounds] do Papa Bento XVI) emitiu uma nota criticando escritos do sacerdote Jon Sobrino sobre Jesus Cristo. Sobrino, um jesuíta que trabalhou por muitos anos em El Salvador e que foi um dos mais conhecidos teólogos da libertação da América Latina. A publicação da notificação do Vaticano tão perto do evento de Aparecida foi uma mensagem clara para a Igreja na América Latina. Migliorelli diz ainda: “nós não planejamos apresentar” [to bring up] A Teologia da Libertação em nenhuma das intervenções papais. “Todo mundo sabe a situação”, continuou ele. A chave é simplesmente para que o clero seja treinado de forma mais eficaz para explicar a posição da Igreja para o povo, concluiu.

Medjugorje: 30 anos. As aparições são reconhecidas pela Igreja?

Andrea Tornielli, Vatican Insider

No dia 25 de junho, completaram-se os 30 anos das aparições marianas em Medjugorje. Do que se trata?

As aparições de Medjugorje começaram em 1981, quando alguns jovens do pequeno país da Bósnia-Herzegovina disseram ter visto Nossa Senhora. Alguns deles, 30 anos depois, afirmam ainda ter uma aparição diária. A característica totalmente nova dessas aparições está no fato de que a visão não está ligada a um lugar, mas ocorre em todos os lugares em que os videntes se encontram.

As aparições de Medjugorje são aprovadas pela Igreja?

Não, o julgamento desses aparições ainda está pendente. O papa, dado o porte internacional do fenômeno e a discordância de pareceres entre o bispo local e outros bispos do país, nomeou uma comissão internacional, confiando-lhe a liderança ao cardeal Camillo Ruini, para avaliar os testemunhos e manifestar um julgamento. Esse também é um fato totalmente excepcional: o reconhecimento de uma aparição cabe ao julgamento do bispo local.

Quantas são as aparições marianas e quais são as principais entre as que são reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica?

Nos 20 séculos de história cristã, contam-se cerca de duas mil indicações relativas a aparições marianas que tiveram uma certa relevância histórica. As que são reconhecidas pela Igreja nos últimos dois séculos são apenas uma dezena. As mais importantes entre as reconhecidas são:

Guadalupe, no México (1531); Rue du Bac, em Paris (1830);La Salette, na França (1846); Lourdes, na França (1858); Fátima, em Portugal(1917); Banneux, na Bélgica (1933); Amsterdã, na Holanda (1945); Akita, noJapão (1973); Kibeho, em Ruanda (1981).

Qual é a atitude da Igreja diante desses fenômenos?

Muito prudente, ou melhor, muito prudente mesmo. Antes de se pronunciar, a autoridade eclesiástica procede com pés de chumbo. O bispo do lugar, se considera que há pressupostos, geralmente institui uma comissão teológica, que interroga os videntes e avalia os testemunhos, avaliando também eventuais mensagens ligadas à aparição.

Quais são os critérios utilizados pela Igreja para apurar a autenticidade de uma aparição?

A credibilidade dos videntes: jamais devem se contradizer, seus relatos devem ser coerentes, devem ser reconhecidos saudáveis do ponto de vista mental.

Em segundo lugar, a ortodoxia das eventuais mensagens, que devem estar de acordo com a mensagem evangélica e também com o magistério da Igreja.

Finalmente, os frutos, ou seja, as conversões e as eventuais graças ligadas ao lugar da aparição.

Que julgamento o bispo pode dar no fim do processo?

Estão previstas três fórmulas para três diferentes tipos de julgamento. Se a autoridade eclesiástica chega a verificar que se tratou de uma fraude ou até da fantasia de algum visionário, o julgamento é “constat de non supernaturalitate”, isto é, consta a não sobrenaturalidade.

Se, ao contrário, o julgamento é interlocutório e não foi possível apurar a veracidade, mas nem desmenti-la, se adota a fórmula “non constat de supernaturalitate”, isto é, não consta a sobrenaturalidade, mas isso não exclui que possa ser verificada em um segundo momento. Esse último julgamento foi utilizado paraMedjugorje.

Qual foi a aparição mariana que durou mais tempo?

A poucas dezenas de quilômetros da fronteira com o Piemonte, nos Alpes Marítimosde Dauphiné, em Laus, entre 1664 e 1718, Nossa Senhora apareceu por 54 anos a uma pobre pastora analfabeta, Benoite Rencurel. As aparições de Laus foram reconhecidas oficialmente no dia 13 de junho de 2008 pelo bispo de Gap et d’Embrun,Dom Jean-Michel di Falco-Leandri.

Um fiel católico deve acreditar nas aparições marianas reconhecidas oficialmente pela Igreja?

Não, o fiel católico não é obrigado a acreditar nas aparições marianas, embora reconhecidas oficialmente. A Igreja considera concluída a revelação pública com a morte dos apóstolos e, portanto, todas as aparições, todas as mensagens posteriores, mesmo que tenham um valor universal, são consideradas revelações “privadas”, as quais o fiel não é obrigado a acreditar, porque não acrescentam nada à mensagem evangélica e ao magistério da Igreja.

Por que, de acordo com os teólogos católicos, Nossa Senhora se revelaria em tantas aparições?

O significado é o da ajuda, do apoio, às vezes da advertência, sempre acompanhado pelo convite à oração e à conversão: em Fátima, Nossa Senhora apareceu às vésperas da Revolução de Outubro e falou sobre a Rússia.

Em Kibeho, em Ruanda, com dez anos de antecedência, ela apresentou aos videntes a visão de lagos e rios de cor vermelho como sangue, cenários que se verificariam por ocasião dos tremendos confrontos entre as etnias hutu e tutsi.

Pe. Steffano Gobbi faleceu

Recebemos a notícia de falecimento do Reverendíssimo Padre Steffano Gobbi. Pe. Gobbi foi o iniciador do Movimento Sacerdotal Mariano que tem como objetivo levar os padres, religiosos e leigos a se consagrarem ao Imaculado Coração de Maria.

O Movimento é um pedido de Nossa Senhora feito a ele em Fátima através de locuções interiores.

Acima a figura do livro que contém todas as mensagens que Nossa Senhora lhe deu por mais de 20 anos, algumas de conteúdo profético.

Manifestamos nossa saudade, ao mesmo tempo alegria por mais um que cremos estar no céu.

60 anos de vida sacerdotal do Papa

Hoje, 29 de junho, festa de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI completa 60 anos de ordenação sacerdotal.

Felicitamos nosso querido Papa e desejamos vida longa.

 

 

Myriam Rios amordaçada (II)

Recebi ontem, após postar um artigo sobre o discurso da deputada Myriam Rios, uma centena de visitas ao blog e alguns comentários. Alguns são comentários de pessoas defensoras do movimento gay e que tem pensamentos diversos ao nosso (eles têm todo o direito). Outros, sabemos que são militantes e que mais que querer expor suas opiniões, estão dispostos a impor suas ideias; além de outros que querem fazer um verdadeiro patrulhamento ideológico. Sem falar naqueles desrespeitosos.

Diante disso, só posso dizer que Myriam Rios de fato está amordaçada. Por causa de quê? Por que ela teve coragem de dizer algumas coisas politicamente incorretas.

Mesmo que ela não tivesse cometido uma suposta associação entre homossexualismo e pedofilia, ela seria atacada.

O que alguns querem é calar a boca daqueles que lhes são contrários. Não aceitam opiniões divergentes.

Para alguns o homossexualismo não é opção, como disse a deputada, mas que é algo genético/biológico. Não sei com base em que dizem isto, pois não existe unanimidade entre os cientistas sobre isso. Até hoje, não foi descoberta a causa. Falar com certeza sobre isso é ignorância ou manipulação.

Outros ridicularizaram a fala dela, por ela dizer que a babá, além de ser homossexual PODE ser pedófila. Ela disse pode, como um heterossexual PODE ser pedófilo. É apenas uma possibilidade.

Por fim, Myriam Rios falou como deputada e ela possui inviolabilidade parlamentar, não podendo ser responsabilizado por suas opiniões, palavras e votos proferidas dentro do recinto legislativo em razão da função.

Myrian Rios amordaçada?

Todos sabem que, quando alguém na mídia levanta a voz contra padres pedófilos ou padres infiéis ao celibato, seja por envolvimento com mulheres ou por envolvimento com gays, não existe ninguém na mídia que conteste, ainda que sejam falsas as acusações.

Mas quando um católico levanta a voz e reclama os seus direitos, ele logo é taxado de retrógrado, nazi-fascista, etc.

É o que está acontecendo com a deputada católica Myrian Rios.

Ela, em um discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, disse que queria também o direito de poder demitir alguém que fosse babá de suas crianças e fosse homossexual. Não por preconceito (pois ela afirma que tem amigos homossexuais), mas pelo simples fato de que a orientação sexual de tal pessoa não coincide com a orientação sexual dela. Diante disso, as crianças poderiam correr o risco de receber uma educação contrária à que ela está dando às crianças.

Procurando no Google, você vai encontrar uma série de notícias alegando que Myrian Rios foi homofóbica no seu discurso. Existe até carta de repúdio contra a deputada (ver em http://homofobiabasta.wordpress.com/2011/06/28/carta-integrada-de-repudio-ao-pronunciamento-da-deputada-myrian-rios/).

O que eu não entendo é o seguinte: por que eles (a mídia) têm todo o direito de criticar (e até criminalizar) as opiniões contrárias às deles e os outros não podem se manifestar? Cadê a liberdade de expressão? Eles (o movimento político homossexual), em nome da liberdade de expressão, usam imagens religiosas nas suas paradas e os católicos não podem se manifestar?

A mídia está totalmente alinhada com o discurso do politicamente correto e não há mais liberdade de expressão nesse país.

Já estamos numa ditadura?

Seria importante agora a comunidade católica se solidarizar com a deputada mandando e-mails de apoio para ela, pois o movimento gay já está querendo denunciá-la na Comissão de Ética da Alerj.

O e-mail é: myrianrios@alerj.rj.gov.br

 

Reflexões de um leigo sobre a CNBB

Posto abaixo artigo de Percival Puggina sobre a CNBB. Claro, dentro da CNBB tem gente boa, mas alguns membros não sabemos se são verdadeiramente católicos.

Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/12196-reflexoes-de-um-leigo-sobre-a-cnbb.html

A imagem da CNBB está associada a uma corrente política avessa à sua missão.

Quando a CNBB, organização que congrega o episcopado brasileiro, ergue sua voz para defender a família, a vida humana desde a concepção, a educação religiosa, a preservação das tradições cristãs da sociedade (aí incluídos o respeito ao descanso dominical, feriados e símbolos religiosos), eu me ponho a pensar… De qual lado do espectro político vem chumbo grosso contra tudo isso? Qual ou quais os partidos mais avessos a essas posições essenciais à missão da Igreja? O mais mal informado dos leitores não hesitará um segundo antes de cravar a resposta certa às duas perguntas. Dez para todo mundo. Impõe-se, no entanto, um outro par de indagações. Com quais partidos e instituições o leitor considera a CNBB mais estreitamente identificada? A qual lado do quadrante ideológico pertencem tais órgãos e movimentos? Novamente, dez para todo mundo.

Se a nota do leitor é dez, o conceito da CNBB perante tamanha contradição há de andar um pouco abaixo disso. Com efeito, não parece sensato nem compatível com a missão eclesial o apoio da organização àqueles que mais atacam os valores cristãos. Perante tal disparate, é possível que o leitor comece a repensar as respostas anteriores. “Será que respondi certo antes? Terei sido induzido ao erro?”. Isso nos leva a propor a prova dos nove para verificação do raciocínio que estou desenvolvendo: quantas vezes, nos últimos anos, o leitor encontrou na imprensa alguma crítica desses partidos e/ou organizações à CNBB? Vamos lá. Pense bem. Puxe pela memória. Nada? Veja que temos como objeto da busca organizações que não poupam adversários! Pois é, se marcou “nenhuma”, o leitor cravou, de novo, a resposta certa e óbvia. Nunca aconteceu isso, apesar de esses segmentos jamais serem condescendentes com quem se atravesse no caminho de suas propostas ou projetos.

A coisa fica ainda mais grave porque os mesmos setores vivem clamando que o Estado é laico, que a moral cristã não pode pretender espaço nas normas que incidem sobre a vida social, que os símbolos religiosos têm que ser retirados dos lugares públicos, que o Papa é um retrógrado e que a Igreja é um dos males da humanidade. Mas contra a CNBB, nem um pio! O nome disso é parceria. É companheirismo. E torna inevitável a constatação: a imagem da CNBB está associada a uma corrente política avessa à sua missão. Essa não é uma questão pequena, nem recente, nem vazia de sentido moral. Bem ao contrário. Para a CNBB, desde os anos 70 do século passado, a convergência ideológica supera em significado e importância a divergência moral e religiosa.

Antes que alguém saia com o clássico – “Isso é o que você diz!”, vale lembrar que em fins de dezembro do ano passado, falando aos bispos brasileiros do Sul III e IV, quando com ele estiveram em visita ad limina, Bento XVI os advertiu para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”. Não sou só eu quem diz.

A CNBB está ao lado dessas correntes. A elas convergem suas pastorais sociais. Com elas se alinham os desvios doutrinários propostos pela Teologia da Libertação. Com elas andam a CPT, as CEBs, o CIMI, as CFs, bem como muitos de seus documentos e estudos. Com elas a CNBB se engaja em promoções nacionais, como foi a campanha pelo calote da dívida externa, e pela limitação, em 20 módulos, da extensão das propriedades rurais. Procede, enfim, como o Chapeuzinho Vermelho que levasse o Lobo Mau pela mão até a casa da vovozinha.

 Artigo publicado originalmente na Revista Voto, edição de junho de 2011.