Repensar a ressurreição, por quê?

Dias atrás eu estava no serviço e um colega de trabalho levou para mim o jornal da diocese de Guaxupé  “Comunhão”. Ao abri-lo, deparei-me com uma entrevista com o teólogo André Torres Queiruga falando sobre a ressurreição. Lá pelas tantas, ele dizia que não era bom falar aquilo sobre a ressurreição nas homilias para não escandalizar.

 

Mas o que podia escandalizar? (Indaguei surpreso, embora conhecesse já suas posições). As suas teorias sobre a ressurreição de Cristo. Para esse teólogo, não precisamos olhar a ressurreição como fato histórico, mas como algo simbólico. Para ele, a visão do Ressuscitado pode ser interpretada como uma reflexão da comunidade eclesial primitiva, como forma de continuidade dos ensinamentos de Cristo. Tais ideias estão claramente explicadas num famoso livro que ele escreveu: “Repensar a ressurreição”

Em uma sinopse do seu livro encontrada na internet se diz que  “é um destes livros polêmicos que visam mostrar outra forma de se pensar e viver o cristianismo. O Livro aborda a questão da ressurreição de Cristo, mas não da forma clássica como o cristianismo vêm afirmando ao longo dos séculos. Para Queiruga, Cristo ressuscitou sim, mas não de corpo e, sim em espírito. Segundo ele, basta um olhar crítico sobre as Escrituras para se perceber isso. O Livro, certamente, foi motivado pela suposta descoberta de um túmulo contendo o corpo de Jesus. De acordo com Queiruga em “Repensar a Ressurreição”, encontrar a tumba com o corpo de Cristo em nada atrapalharia o cristianismo, uma vez que Cristo não ressuscitou, necessariamente, de corpo, mas tão somente em alma. O livro é polêmico e sofreu severas críticas da Igreja oficial.”

O professor de Filosofia Moral da Universidade de Perugia (Itália) Massimo Borghesi  já respondeu a toda essa polêmica criada pelo teólogo citado acima, deixando claro que tal pensamento tem inspiração de fundo em Rudolf Bultmann. Para ler a resposta clique aqui: http://www.30giorni.it/articoli_id_17462_l6.htm?id=17462.

Basta ler pequenos trechos da entrevista que se vê que não há uma correspondência com o clássico ensino católico sobre a ressurreição. Daí pensei: repensar a ressurreição, por quê? Obtive a resposta logo em seguida: para transmitir a fé no mundo contemporâneo exige uma desconstrução da visão tradicional da Igreja, segundo Queiruga. Mas isso é negar a fé de 2000 anos da Igreja!

Diante disso prefiro ficar com a fé da Igreja, dos apóstolos, dos mártires e a fé que Bento XVI reafirmou na sua mensagem de Páscoa dada no último dia 24 de abril. Ele sublinhou que a “ressurreição de Cristo não é fruto de uma especulação, de uma experiência mística …” mas,  “é um acontecimento histórico, que ultrapassa certamente a história, mas verifica-se num momento concreto da história e deixa nela uma marca indelével.” (Cf. em http://www.zenit.org/article-27816?l=portuguese)

Proclamemos com toda alegria: Cristo ressuscitou verdadeiramente, não como “!um simples retorno à vida precedente, como o foi para Lázaro, para a filha de Jairo ou para o jovem de Nain ,.. não mais submetida à caducidade do tempo, mas uma vida imersa na eternidade de Deus.” (palavras de Bento XVI na catequese do dia 27/04/11).

Aleluia!

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Sobre catolicosconservadores
Casado, advogado, católico.

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