O processo de beatificação de João Paulo II, o Grande

 

Transcorridos apenas 5 anos do falecimento do saudoso Papa João Paulo II, já está às portas a sua beatificação que acontecerá no dia 01 de maio de 2011 (Festa da Divina Misericórdia).

É inquestionável, diante dos olhos do mundo,  a santidade de Karol Wojtyla (nome de batismo de João Paulo II). Quem não se lembra do dia do sepultamento do querido Papa, onde muitos cartazes foram levantados, dizendo em italino “Giovani Paolo, Santo Subito!”?

 Em que pese a santidade desse homem vista pelo mundo inteiro, a Igreja não a vê assim tão facilmente. Para que uma pessoa possa ser levada aos altares, faz-se necessário um processo para reconhecer as virtudes heróicas de tal candidato a santo. O que não foi diferente no processo de João Paulo II.

 A única concessão diferenciada no caso do Papa a ser beatificado, é que foi dispensado o período mínimo para início do processo de beatificação, qual seja, 5 anos após o falecimento do candidato. O Papa Bento XVI, seguindo o que o mesmo Papa João Paulo II fez no processo para beatificação de Madre Teresa de Calcutá, dispensou esses 5 anos.  Segundo a Congregação para a Causa dos Santos, dicastério romano responsável pelos processos de beatificação e canonização, em uma nota informativa disse que  “esta medida foi solicitada pela imponente fama de santidade que João Paulo II teve em vida, na morte e depois da morte. No mais, todas as disposições canônicas comuns das causas de beatificação e canonização foram observadas integralmente”. (Cf. em http://www.zenit.org/article-27007?l=portuguese)

 Ressalte-se, no entanto, que todas as outras etapas que um processo de beatificação percorre, foram percorridas no processo de beatificação de João Paulo II.

 Como num processo judicial normal, há também o contraditório. São levantadas questões que comprovem a heroicidade das virtudes do candidato, bem como aquelas que, se não opõem pelo menos a obscurecem. Há relato de que alguns teólogos se opuseram frontalmente ao reconhecimento de sua santidade por questões ideológicas.

 Isso sem falar naqueles tantos fiéis que, por alguma coisa ou outra, apresentam reservas à beatificação do Papa. Cite-se, por exemplo, o artigo de Armando Valladares. Para lê-lo, acesse: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/12002-beatificacao-de-joao-paulo-ii-e-cuba-dilema-de-consciencia-para-os-catolicos-cubanos.html . Ou o artigo do Fratres in Unum: http://fratresinunum.com/2011/04/12/reservas-em-vista-da-iminente-beatificacao-de-joao-paulo-ii/

 Vale a pena lembrar que um processo de beatificação não é algo apenas humano, como se fosse um processo judicial comum. Além das etapas humanas que são percorridas normalmente, é imprescindível uma confirmação do céu: a constatação de um milagre para a beatificação. No caso do querido Papa João Paulo II, o milagre que permitirá a beatificação foi a de uma religiosa francesa curada do “mal de Parkinson”. (Cf. em http://www.zenit.org/article-26988?l=portuguese).

 Por fim, cumpridos todos os trâmites do processo, no dia 01 de maio será beatificado João Paulo II. Dia tão significativo: Festa da Divina Misericórdia (festa pedida por Jesus a Santa Faustina e que o Papa a instituiu), dia de São José Operário e dia do trabalho (o Papa também foi operário na Polônia), início do mês de maio, mês consagrado a Maria (o Papa foi profundamente mariano, tendo como lema “Totus Tuus”).

 Rezemos para que esse novo beato interceda por nós desde o céu.

Repensar a ressurreição, por quê?

Dias atrás eu estava no serviço e um colega de trabalho levou para mim o jornal da diocese de Guaxupé  “Comunhão”. Ao abri-lo, deparei-me com uma entrevista com o teólogo André Torres Queiruga falando sobre a ressurreição. Lá pelas tantas, ele dizia que não era bom falar aquilo sobre a ressurreição nas homilias para não escandalizar.

 

Mas o que podia escandalizar? (Indaguei surpreso, embora conhecesse já suas posições). As suas teorias sobre a ressurreição de Cristo. Para esse teólogo, não precisamos olhar a ressurreição como fato histórico, mas como algo simbólico. Para ele, a visão do Ressuscitado pode ser interpretada como uma reflexão da comunidade eclesial primitiva, como forma de continuidade dos ensinamentos de Cristo. Tais ideias estão claramente explicadas num famoso livro que ele escreveu: “Repensar a ressurreição”

Em uma sinopse do seu livro encontrada na internet se diz que  “é um destes livros polêmicos que visam mostrar outra forma de se pensar e viver o cristianismo. O Livro aborda a questão da ressurreição de Cristo, mas não da forma clássica como o cristianismo vêm afirmando ao longo dos séculos. Para Queiruga, Cristo ressuscitou sim, mas não de corpo e, sim em espírito. Segundo ele, basta um olhar crítico sobre as Escrituras para se perceber isso. O Livro, certamente, foi motivado pela suposta descoberta de um túmulo contendo o corpo de Jesus. De acordo com Queiruga em “Repensar a Ressurreição”, encontrar a tumba com o corpo de Cristo em nada atrapalharia o cristianismo, uma vez que Cristo não ressuscitou, necessariamente, de corpo, mas tão somente em alma. O livro é polêmico e sofreu severas críticas da Igreja oficial.”

O professor de Filosofia Moral da Universidade de Perugia (Itália) Massimo Borghesi  já respondeu a toda essa polêmica criada pelo teólogo citado acima, deixando claro que tal pensamento tem inspiração de fundo em Rudolf Bultmann. Para ler a resposta clique aqui: http://www.30giorni.it/articoli_id_17462_l6.htm?id=17462.

Basta ler pequenos trechos da entrevista que se vê que não há uma correspondência com o clássico ensino católico sobre a ressurreição. Daí pensei: repensar a ressurreição, por quê? Obtive a resposta logo em seguida: para transmitir a fé no mundo contemporâneo exige uma desconstrução da visão tradicional da Igreja, segundo Queiruga. Mas isso é negar a fé de 2000 anos da Igreja!

Diante disso prefiro ficar com a fé da Igreja, dos apóstolos, dos mártires e a fé que Bento XVI reafirmou na sua mensagem de Páscoa dada no último dia 24 de abril. Ele sublinhou que a “ressurreição de Cristo não é fruto de uma especulação, de uma experiência mística …” mas,  “é um acontecimento histórico, que ultrapassa certamente a história, mas verifica-se num momento concreto da história e deixa nela uma marca indelével.” (Cf. em http://www.zenit.org/article-27816?l=portuguese)

Proclamemos com toda alegria: Cristo ressuscitou verdadeiramente, não como “!um simples retorno à vida precedente, como o foi para Lázaro, para a filha de Jairo ou para o jovem de Nain ,.. não mais submetida à caducidade do tempo, mas uma vida imersa na eternidade de Deus.” (palavras de Bento XVI na catequese do dia 27/04/11).

Aleluia!