Padre Paulo Ricardo é entrevistado pelo Jornal de Londrina

O jornal de Londrina entrevistou Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior da Arquidiocese de Cuiabá (MT). Vale a pena ler.

JL: Em 2005, o sr. passou por uma experiência pessoal muito importante em Londrina. O que aconteceu? E de que forma essa experiência o marcou? 
Padre Paulo Ricardo: Há seis anos, eu estava vindo de São Paulo e o avião fazia escala em Londrina, indo para Cuiabá. Aconteceu que o avião atrasou, tivemos que ir para o hotel. Depois voltamos para pegar o avião outra vez. Uns cinco minutos depois da decolagem, houve um estouro na turbina direita. Trinta segundos depois, um novo estouro. Ninguém sabia o que estava acontecendo. O pessoal ficou apavorado. O avião continua estável, o que se via claramente. Fiquei pensando: vou observar. Se eu notar que vai ocorrer o pior, dou a absolvição coletiva.

Enquanto eu não sabia o que estava acontecendo, fiz meu ato de contrição, pedi a Deus perdão do meu pecado – e esperei. Enquanto esperava, pensei que havia sido prudente inutilmente. Agora eu estaria me apresentando diante de Deus, Deus iria pedir conta do meu ministério, e eu fui prudente a vida inteira, porque queria ser bispo, queria fazer carreira, não queria me queimar. Dali para frente aquilo marcou. Dali para frente eu vi que era um homem morto. Deus me disse assim: “O que eu havia previsto para você eram somente estes anos de sacerdócio, agora você vai morrer, acabou, e você não deu conta do recado. Você escondeu seus talentos”.
Dali para frente resolvi me considerar um homem morto. Porque Deus estava me dando uma segunda chance. Eu não poderia mais me colocar numa situação de prudência, pensando no futuro. O bom soldado, quando vai para a guerra, não tem que se preocupar em voltar para casa. Ele tem que se preocupar em sobreviver o maior tempo possível para fazer o maior estrago para o inimigo. O soldado sabe que um dia vai levar um tiro e um dia vai sair de ação.
Esse foi meu exame de consciência: o sacerdócio é um dom, e um dom não é algo para ser guardado. Dali em diante, eu vi que a minha batina não é um enfeite, ela é uma mortalha. O sacerdote é um homem que deveria ter morrido para o mundo; se ele não morreu para o mundo, o que está fazendo aí? Afinal de contas, a Igreja e o sacerdócio ou servem para o Céu, ou não servem para nada, podem fechar as portas.
 
JL: E de que maneira a Igreja Católica pode assumir a sua verdadeira missão?
Padre Paulo Ricardo: A grande dificuldade é que a Igreja, nas últimas décadas, introjetou a acusação dos marxistas – de que “a religião é o ópio do povo”. Ela se sente culpada de falar do Céu, de salvação eterna, de felicidade futura. E tenta desconversar com uma suposta doutrina social. Você vai para a Igreja e dizem que a finalidade da religião é “fazer um mundo melhor”. Ora, mas essa não é a finalidade da Igreja! Bento XVI, na encíclica “Spe Salvi”, que houve uma imanentização da esperança cristã. A esperança cristã era voltada para o Céu, agora a gente espera a coisa aqui na Terra. A gente espera um mundo ideal, um mundo melhor, em desfavor da transcendência.
 
Paulo Briguet: Foi a partir desse episódio que o sr. iniciou o trabalho de evangelização na internet?
Padre Paulo Ricardo: Na verdade, a coisa foi gradual. O episódio do avião foi em 2005. Existem conversões fulminantes, como a de São Francisco – o homem que um dia era pecador, no outro era virtuoso. Comigo não foi assim. Ou melhor: comigo não está sendo assim – porque ainda não terminou. Sempre fui um menininho comportado, conservador, usava traje social, camisa de manga comprida… Quando entrei no seminário, logo veio a tentação da carreira. Eu me saía melhor nos estudos; era apreciada pela maneira como falava; comecei a pensar numa carreira dentro da Igreja. Fui para Roma, fiz Teologia lá. Vivia mais no Vaticano do que Universidade, sempre metido com cardeais e gente importante. Quando fui ordenado padre pelo papa João Paulo II, passei a desempenhar algumas funções menores na Santa Sé, nada muito importante. Minha pretensão era voltar ao Brasil, servir a diocese por um tempo e depois fazer carreira no Vaticano. Mas aconteceu que em 1997, tive uma experiência de conversão. Uma experiência com Santa Teresinha. Ali eu comecei a perceber que não poderia ser padre sem abraçar uma cruz. Não poderia transformar o sacerdócio numa carreira. Entendi que o sacerdócio não era um homem, mas o sacrifício de um homem. Passei a me voltar mais para Deus, para a espiritualidade. Eu já era padre há cinco anos. Em 2002, eu conheci pela internet o filósofo Olavo de Carvalho e comecei a ler tudo que ele escrevia. Foi como se escamas caíssem dos meus olhos. Você descobre por que apanhou a vida inteira: você descobre por que lutava numa argumentação, vencia os debates, mas nada mudava. A partir disso, passei a ver que as razões verdadeiras não eram as razões apresentadas em discussões. Tem sempre algo debaixo da mesa. Tem sempre a má intenção por trás – o que é típico da mentalidade revolucionária. Em 2005, houve o episódio do avião. De 2005 para frente, eu passei a ser muito mais claro no que dizia. A partir daí comecei a realizar uma pregação mais clara contra a corrente geral.
 
JL: Como o sr. definiria hoje o seu papel na Igreja? 
Padre Paulo Ricardo: Hoje eu vejo que não nasci para ser bispo. Que nasci para ser pai de bispo, ou seja, formar uma geração de novos padres – e, um dia, um deles será bispo. Um dia algum deles vai ajudar a Igreja no episcopado. Para mim, o importante é saber agora que o silêncio não vai ajudar a Igreja. A gente vê no jovem a gratidão imensa quando você fala.
O filósofo Eugen Rosenstock-Huessy, pouco conhecido no Brasil, analisa as doenças da linguagem. Uma delas é a guerra; outra é a crise. O que caracteriza a guerra? A guerra é quando eu não quero ouvir o meu inimigo. Já a crise é o contrário: é não falar ao amigo. Meu amigo precisa de minha ajuda, eu sei onde está a solução, mas por conveniência eu calo. Assim a sociedade entra em crise. A sociedade está em crise porque os líderes morais que poderiam dar uma orientação às pessoas estão calados. Alguém tem de pagar o preço de falar. Mesmo sabendo que, ao falar, a pessoa vai sofrer o martírio dos tempos modernos, como o papa Bento XVI descreve com muita clareza, até porque ele mesmo é vítima desse processo. O martírio dos tempos modernos é o assassinato da personalidade. É transformar o sujeito em não-pessoa. É a calúnia, a perseguição. Você vai sendo fritado. Então, hoje nós precisamos na Igreja do Brasil de padres e bispos mártires. Uso sempre a palavra profético, mas a palavra mais adequada seria mártir. Martyrios em grego quer dizer testemunha. Alguém que crê tanto no Reino do Céu que está disposto a desprezar o reino dos homens.
 
JL: Há uma guerra cultural em curso no Brasil de hoje, à semelhança do conflito que Peter Kreeft identificou na sociedade norte-americana?
Padre Paulo Ricardo: Existe uma guerra cultural incipiente no país. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, a esquerda brasileira conseguiu a hegemonia da mídia. Em todos os âmbitos. Qualquer um que seja oposição só tem um espaço de militância atualmente, que é a internet. Basicamente esse é o espaço que nos concedem – ainda. A esquerda diz que a revolução só pode ser alcançada se houver um período que a precede, chamado de acumulação de forças. Nós estamos no período de acumulação de forças. Ainda não existe guerra de fato. Guerra supõe exército dos dois lados. O que existe é um exército que invadiu e ocupou o país. Nós temos uma ocupação hegemônica da esquerda. Mas a geração está sendo formada. Bento XVI, nesse sentido, foi o homem da Providência para a Igreja e para o Brasil. É preciso recomendar que o cardeal Joseph Ratzinger foi o homem que condenou a Teologia da Libertação. Antes, quando se citava o cardeal Ratzinger, tudo quanto era bispo e padre aqui no Brasil dizia que isso era uma “visão radical”. Hoje em dia, cita-se Bento XVI e todos têm que ficar calados, porque não podem dizer que o papa é radical. O papa nos deu carta-branca. Está servindo como escudo para que a gente possa agir. Dentro do meu ministério, eu sempre tenho como diretriz lutar as lutas que o papa está lutando. De tal forma que o bom católico veja que eu não estou seguindo uma ideologia; eu estou seguindo a fé da Igreja de 2000 anos. A hegemonia esquerdista no Brasil é tal que a pessoa que pretende ser católica se sente um peixe fora d’água. A oposição ao pensamento do papa é tão grande que a maior parte dos jovens se sentiria fora da Igreja. A esquerda católica nos acusa – a nós que somos fiéis a Bento XVI – de estarmos fora da Igreja. Mas já que o papa está ao nosso lado e nós estamos ao lado do papa, eles não podem mais dizer isso.
 
JL: O sr. sempre diz que no Brasil tenta-se impor uma minoridade social aos católicos. Em que consiste esse processo?
Padre Paulo Ricardo: É a chamada ideologia do Estado laico. Segundo essa ideologia, qualquer pessoa que tenha uma visão religiosa do mundo deve guardá-la para sua vida privada. Para os defensores dessa ideologia, a religiosidade não tem espaço público, não tem cidadania. Uso essa expressão – minoridade – para dizer que nós somos cidadãos brasileiros como os menores de idade. Mas nem todos os nossos direitos são reconhecidos. Os menores de idade não podem votar, não podem dirigir carro, têm direitos e responsabilidades limitadas. Há um grupo que se apossou da “classe falante” e não nos dá direito de falar e expressar nossas opiniões – porque nós somos religiosos. O fato é o seguinte: o ateísmo é uma atitude tão religiosa quanto o catolicismo, pois vê o mundo a partir de um prisma religioso, a não-existência de Deus. Não existe alguém indiferente ao problema religioso. Se você varre do espaço público qualquer manifestação religiosa, não está colocando o Estado nas mãos de uma visão religiosamente isenta; você está impondo uma religião que se chama materialismo ateísta. Os ateus não são cidadãos de primeira categoria e nós não somos cidadãos de segunda categoria. Eles são tão cidadãos quanto nós; têm o direito de ser ateus. Só que, numa democracia, quem dá o tônus do ambiente cultural é a maioria. A maioria esmagadora da população brasileira é extremamente religiosa. Portanto, nós não temos por que ficar amordaçados por uma minoria de ateus militantes.
 

Congresso pela Verdade e pela Vida

 
 

Estamos na semana do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, a ser realizado em São Paulo.

Se você não puder comparecer, você poderá acessar o site do evento e assistir ao vivo:

www.congressoprovida.com

Rede social: PT vai montar “patrulha virtual”

Folha de São Paulo – retirado do blog Carmadelio

O PT vai montar uma “patrulha virtual” e treinar militantes para fazer propaganda e criticar a imprensa em sites de notícias e redes sociais como Twitter e Facebook.

O partido quer promover cursos e editar um “manual do tuiteiro petista”, com táticas para a guerrilha na internet. A ideia é recrutar a tropa a tempo de atuar nas eleições municipais de 2012.

“Vamos espalhar núcleos de militantes virtuais por todo o país”, promete o petista Adolfo Pinheiro, 36, encarregado de apresentar um plano de ação amanhã ao presidente da legenda, Rui Falcão.

Adriano Vizoni/Folhapress
SAO PAULO - SP, BRASIL, 17-10-2011, 19h30: PT NAS REDES SOCIAS. Retrato de Adolfo Pinheiro, coordenador do MAV (Militantes em Ambientes Sociais), nucleo que o PT esta criando para fazer propaganda politica na internet. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress, PODER)
Adolfo Pinheiro, coordenador do núcleo que o PT está criando

Os filiados serão treinados para repetir palavras de ordem e usar as janelas de comentários de blogs e portais noticiosos para contestar notícias “negativas” contra o PT.

“Quando sai algo contra um governo petista, a mídia faz escândalo, dá página inteira no jornal. Temos que ir para cima”, diz Pinheiro.

“Nossa única recomendação é não partir para a baixaria e manter o nível do debate político”, afirma ele.

A criação dos chamados MAVs (núcleos de Militância em Ambientes Virtuais) foi decidida no 4º congresso do partido, em setembro.

O encontro foi marcado por ataques à imprensa e pela defesa da “regulamentação dos meios de comunicação”.

O militante à frente do projeto atuou na campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista em 2010.

No mês passado, tentou articular um ato contra a revista “Veja” após a publicação de reportagem sobre o ex-ministro José Dirceu.

Os petistas dizem que a nova ferramenta também poderá ajudar seus candidatos a enfrentar boatos na rede com maior rapidez.

“No ano passado, demoramos demais a rebater calúnias contra Dilma [Rousseff] sobre aborto e luta armada”, afirma Pinheiro.

Idade avançada dos pais é motivo para perder a guarda dos filhos?

A Folha on-line trouxe ontem (27) a notícia de que, na Itália, um casal de idosos perdeu a guarda da filha por serem “velhos demais”.  A decisão judicial tem gerado polêmicas na Itália e esta não é a primeira vez que ocorre uma decisão deste tipo por lá. 

No caso atual em tela, a filha é fruto de fertilização in vitro e o problema, para a os juízes, é a idade dos pais. Segundo alguns juízes, há o risco de a menina ficar “orfã cedo demais” ou ter que cuidar deles, perdendo o tempo que poderia ser aproveitado de outra forma. Para mim, o problema é bem maior do que a questão da idade. Se idade fosse o problema,  avós não poderiam cuidar dos netos quando os pais de uma criança morrem.

O problema está na inseminação artificial! Esta sim é a grande vilã. E para que a inseminação artificial foi criada? Para dar filhos a quem não pode ter filhos (neste ponto a intenção até é boa, mas não justificável). Mas é importante se ater à questão moral: trata-se de um procedimento contrário à ordem natural da sexualidade e, pior ainda, a técnica supõe a eliminação de seres humanos em estado embrionário tanto fora como dentro do ventre materno, implicando vários abortos em cada processo.

Voltemos ao assunto dos pais idosos que perderam a guarda da criança. Será que, uma vez que os pais tiveram desejo de ter uma criança, gastaram com isso, por questão de idade, eles devem ser privados da guarda da criança? Afinal, o homem moderno quer fazer dos seres humanos uma coisa? Uma vez concebida, gerada e nascida num lar, esta criança não tem direito a viver com os pais que, de certa forma, a colocaram no mundo? Se essa onda pegar no Brasil, teremos um número considerável de crianças abandonadas nos orfanatos.

Fica aberto o debate.

Em tempo, trago a notícia que os pais da criança esqueceram a criança no carro por um período de 45 minutos e, devido a isso, os vizinhos denunciaram à polícia o fato ocorrido, razão pela qual, deu-se  início o processo de perda da custódia da menor.

Papa em Assis

Diferente dos encontros anteriores que eram encontros de oração, o Papa convocou os líderes religiosos do mundo inteiro para um encontro em Assis – cidade de São Francisco – pela paz. Tal evento se realizou hoje (27) com a presença de vários líderes. Não houve, como nos antecedentes, um momento de oração em comum, para evitar a aparência de sincretismo religioso.

Você poderá ler abaixo o belo discurso do Papa no evento. Ressalto que ele sintetizou de forma magistral a violência no mundo atual – violência oriunda daqueles que se dizem crentes e violência daqueles que são antirreligiosos.

Queridos irmãos e irmãs,
distintos Chefes e representantes das Igrejas
e Comunidades eclesiais e das religiões do mundo,
queridos amigos,

Passaram-se vinte e cinco anos desde quando pela primeira vez o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis. O que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz? Naquele momento, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. Perderam a sua capacidade de aterrorizar. A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. A questão sobre as causas de tal derrocada é complexa e não pode encontrar uma resposta em simples fórmulas. Mas, ao lado dos factores económicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de carácter espiritual: por detrás do poder material, já não havia qualquer convicção espiritual. Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz. E é necessário acrescentar que, embora neste contexto não se tratasse somente, nem talvez primariamente, da liberdade de crer, também se tratava dela. Por isso, podemos de certo modo unir tudo isto também com a oração pela paz.

Mas, que aconteceu depois? Infelizmente, não podemos dizer que desde então a situação se caracterize por liberdade e paz. Embora a ameaça da grande guerra não se aviste no horizonte, todavia o mundo está, infelizmente, cheio de discórdias. E não é somente o facto de haver, em vários lugares, guerras que se reacendem repetidamente; a violência como tal está potencialmente sempre presente e caracteriza a condição do nosso mundo. A liberdade é um grande bem. Mas o mundo da liberdade revelou-se, em grande medida, sem orientação, e não poucos entendem, erradamente, a liberdade também como liberdade para a violência. A discórdia assume novas e assustadoras fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular a todos de um modo novo.

Procuremos identificar, mais de perto, as novas fisionomias da violência e da discórdia. Em grandes linhas, parece-me que é possível individuar duas tipologias diferentes de novas formas de violência, que são diametralmente opostas na sua motivação e, nos particulares, manifestam muitas variantes. Primeiramente temos o terrorismo, no qual, em vez de uma grande guerra, realizam-se ataques bem definidos que devem atingir pontos importantes do adversário, de modo destrutivo e sem nenhuma preocupação pelas vidas humanas inocentes, que acabam cruelmente ceifadas ou mutiladas. Aos olhos dos responsáveis, a grande causa da danificação do inimigo justifica qualquer forma de crueldade. É posto de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite à violência no direito internacional. Sabemos que, frequentemente, o terrorismo tem uma motivação religiosa e que precisamente o carácter religioso dos ataques serve como justificação para esta crueldade monstruosa, que crê poder anular as regras do direito por causa do «bem» pretendido. Aqui a religião não está ao serviço da paz, mas da justificação da violência.

A crítica da religião, a partir do Iluminismo, alegou repetidamente que a religião seria causa de violência e assim fomentou a hostilidade contra as religiões. Que, no caso em questão, a religião motive de facto a violência é algo que, enquanto pessoas religiosas, nos deve preocupar profundamente. De modo mais subtil mas sempre cruel, vemos a religião como causa de violência também nas situações onde esta é exercida por defensores de uma religião contra os outros. O que os representantes das religiões congregados no ano 1986, em Assis, pretenderam dizer – e nós o repetimos com vigor e grande firmeza – era que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição. Contra isso, objecta-se: Mas donde deduzis qual seja a verdadeira natureza da religião? A vossa pretensão por acaso não deriva do facto que se apagou entre vós a força da religião? E outros objectarão: Mas existe verdadeiramente uma natureza comum da religião, que se exprima em todas as religiões e, por conseguinte, seja válida para todas? Devemos enfrentar estas questões, se quisermos contrastar de modo realista e credível o recurso à violência por motivos religiosos. Aqui situa-se uma tarefa fundamental do diálogo inter-religioso, uma tarefa que deve ser novamente sublinhada por este encontro. Como cristão, quero dizer, neste momento: É verdade, na história, também se recorreu à violência em nome da fé cristã. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de dúvida, tratou-se de um uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza. O Deus em quem nós, cristãos, acreditamos é o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas são irmãos e irmãs entre si e constituem uma única família. A Cruz de Cristo é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome é «Deus do amor e da paz» (2 Cor 13,11). É tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela fé cristã, purificar continuamente a religião dos cristãos a partir do seu centro interior, para que – apesar da fraqueza do homem – seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.

Se hoje uma tipologia fundamental da violência tem motivação religiosa, colocando assim as religiões perante a questão da sua natureza e obrigando-nos a todos a uma purificação, há uma segunda tipologia de violência, de aspecto multiforme, que possui uma motivação exactamente oposta: é a consequência da ausência de Deus, da sua negação e da perda de humanidade que resulta disso. Como dissemos, os inimigos da religião vêem nela uma fonte primária de violência na história da humanidade e, consequentemente, pretendem o desaparecimento da religião. Mas o «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida, que foi possível só porque o homem deixara de reconhecer qualquer norma e juiz superior, mas tomava por norma somente a si mesmo. Os horrores dos campos de concentração mostram, com toda a clareza, as consequências da ausência de Deus.

Aqui, porém, não pretendo deter-me no ateísmo prescrito pelo Estado; queria, antes, falar da «decadência» do homem, em consequência da qual se realiza, de modo silencioso, e por conseguinte mais perigoso, uma alteração do clima espiritual. A adoração do dinheiro, do ter e do poder, revela-se uma contra-religião, na qual já não importa o homem, mas só o lucro pessoal. O desejo de felicidade degenera num anseio desenfreado e desumano como se manifesta, por exemplo, no domínio da droga com as suas formas diversas. Aí estão os grandes que com ela fazem os seus negócios, e depois tantos que acabam seduzidos e arruinados por ela tanto no corpo como na alma. A violência torna-se uma coisa normal e, em algumas partes do mundo, ameaça destruir a nossa juventude. Uma vez que a violência se torna uma coisa normal, a paz fica destruída e, nesta falta de paz, o homem destrói-se a si mesmo.

A ausência de Deus leva à decadência do homem e do humanismo. Mas, onde está Deus? Temos nós possibilidades de O conhecer e mostrar novamente à humanidade, para fundar uma verdadeira paz? Antes de mais nada, sintetizemos brevemente as nossas reflexões feitas até agora. Disse que existe uma concepção e um uso da religião através dos quais esta se torna fonte de violência, enquanto que a orientação do homem para Deus, vivida rectamente, é uma força de paz. Neste contexto, recordei a necessidade de diálogo e falei da purificação, sempre necessária, da vivência da religião. Por outro lado, afirmei que a negação de Deus corrompe o homem, priva-o de medidas e leva-o à violência.

Ao lado destas duas realidades, religião e anti-religião, existe, no mundo do agnosticismo em expansão, outra orientação de fundo: pessoas às quais não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, estão à procura de Deus. Tais pessoas não se limitam a afirmar «Não existe nenhum Deus», mas elas sofrem devido à sua ausência e, procurando a verdade e o bem, estão, intimamente estão a caminho d’Ele. São «peregrinos da verdade, peregrinos da paz». Colocam questões tanto a uma parte como à outra. Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polémicos, pessoas à procura, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que nós podemos e devemos viver em função dela. Mas, tais pessoas chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem não raramente fica escondida nas religiões, devido ao modo como eventualmente são praticadas. Que os agnósticos não consigam encontrar a Deus depende também dos que crêem, com a sua imagem diminuída ou mesmo deturpada de Deus. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que crêem também um apelo a purificarem a sua fé, para que Deus – o verdadeiro Deus – se torne acessível. Por isto mesmo, convidei representantes deste terceiro grupo para o nosso Encontro em Assis, que não reúne somente representantes de instituições religiosas. Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito. Concluindo, queria assegura-vos de que a Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser «peregrinos da verdade, peregrinos da paz».

Aborto de anencéfalos: colisão de direitos fundamentais (III)

 É de bom alvitre analisar neste momento o que é anencefalia e se ela é compatível com a vida protegida juridicamente. O termo anencefalia não é o mais correto, pois se entende com este termo a ausência de cérebro. Porém, a anencefalia pode ser considerada como uma má-formação congênita, ocorrendo defeito no fechamento do tubo neural e a ausência de calota craniana, embora o tronco cerebral é geralmente preservado e ele, juntamente com a medula espinhal, é quem vai controlar muitas das funções do corpo, como o batimento cardíaco, a respiração, e certos atos reflexos como a deglutição, vômito, tosse e piscar de olhos.

 Esta má-formação é detectada após a 16ª semana de gravidez. Na maioria das vezes, o feto morre antes de nascer, sendo registrados poucos casos de sobrevida após o parto, alguns sobrevivendo horas, dias ou semanas.Há casos constatados de crianças anencéfalas que tiveram um longo período de vida, como no caso de Marcela de Jesus, anencéfala nascida na região de Ribeirão Preto – SP, que viveu um ano e oito meses. Há relatos de sobrevivência de anencéfalos após o nascimento por período de sete minutos, de vinte horas, de quatro dias, de três meses e um famoso caso na cidade de Sobradinho – DF que diagnosticada como acrania (ausência de calota craniana) e sendo recomendado o aborto pela Promotoria de Justiça do Distrito Federal, veio a sobreviver por um período de três anos. O diagnóstico de anencefalia, para o ministro da saúde José Gomes Temporão, em sua participação na audiência pública no Supremo T ribunal Federal, diz ser “absolutamente seguro”.Também, é importante destacar que a anencefalia pode se dar com a ausência parcial ou total do encéfalo, sendo que a ausência parcial é considerada meroanencefalia e a ausência total é considerada holoanencefalia, sendo que bebês com casos menos graves de meroanencefalia podem sobreviver vários anos.Confirmando este posicionamento, o Comitê de Bioética do governo italiano diz que se verifica na anencefalia uma ausência completa ou parcial da calota craniana e grau variado de má-formação. Outra questão que se levanta é se os anencéfalos podem sentir ou fazer alguma coisa. Tal pergunta é difícil de ser respondida, pois alguns médicos dizem que a criança não possui estímulo nenhum. O Comitê Nacional de Bioética da Itália admitiu que dependendo do caso e do grau de gravidade, o anencéfalo pode até mesmo ter uma primitiva possibilidade de consciência e experimentar sofrimentos.

Outro ponto controvertido é se o anencéfalo deve ser considerado natimorto. Na Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 54) foi argumentada esta idéia de que o anencéfalo pode ser considerado natimorto com base na Lei n° 9434/97. Esta lei é conhecida como Lei dos Transplantes, pois dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante, sendo adotado tal procedimento a partir do diagnóstico de morte encefálica, constatada por dois médicos que não participem da equipe de remoção. Posteriormente com a Resolução 1480/97 do Conselho Federal de Medicina foi estabelecido critérios para a caracterização da morte encefálica. Ocorre que esta resolução expressa claramente que não há consenso sobre a aplicabilidade dos critérios para constatar a morte encefálica em crianças menores de sete dias e de prematuros. Celso Galli Coimbra, advogado e responsável pela editoria do site biodireito-medicina, numa carta endereçada aos ministros do STF afirma que no Brasil e na maioria dos países a condição essencial para ser constatada morte encefálica é que o paciente perda irreversivelmente a capacidade de respirar. No entanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou uma resolução em 2004 que permite a retirada de órgãos de recém-nascidos anencéfalos, ainda que o tronco cerebral esteja funcionando.

 Pesam, porém, duras críticas a essa resolução, pois alguns afirmam que havendo tronco cerebral funcionando, o anencéfalo continua respirando e esboçando outros movimentos, sendo que todo o encéfalo (incluindo aí o tronco cerebral) deve parar de funcionar para que alguém seja considerado morto.

No que tange ao direito à liberdade, é preciso entender o que é liberdade e o que a Carta Constitucional consagrou. No dicionário de Filosofiao termo é definido como autodeterminação, necessidade ou possibilidade de escolha. Tais definições não nos interessam no momento, haja vista que o tema é controvertido. Preferimos ficar com a definição citada por José Afonso da Silva, tomada da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que consiste em não fazer o que prejudica a outros, encontrando limites à liberdade quando no exercício de um direito há violação do direito do outro.É importante ressaltar que a liberdade consagrada constitucionalmente está mais ligada à legalidade, pois que o artigo 5º, inciso II preceitua que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, ficando evidente que a liberdade não consiste numa ausência de coação, mas sim numa liberdade restringida pela lei. Vale destacar que na esfera íntima de uma pessoa, o Estado não poderá, nem mediante lei, restringir a liberdade, impondo obrigações que ferem a dignidade da pessoa humana. De acordo com a Carta Magna, a liberdade pode ser assim dividida, conforme ensinamento do supracitado autor: liberdade da pessoa física, liberdade de pensamento, liberdade de expressão coletiva, liberdade de ação profissional e liberdade de conteúdo econômico e social.Também ressaltamos que a carta constitucional também confere liberdade ao indivíduo em buscar amparo na justiça quando este sentir que um direito seu é violado ou está sob ameaça de o ser. Para tanto, o cidadão poderá se valer de vários instrumentos para se defender como, por exemplo, o Habeas Corpus, quando há violação no direito de ir e vir ou mera ameaça. Observe-se, no entanto, que quando se dá ao indivíduo liberdade, isto não garante a ele uma liberdade sem restrição, pois senão estaríamos diante de uma verdadeira anarquia no qual cada um faz o que quer sem que haja limites advindos de autoridade legalmente constituída. É importante frisar que liberdade não está em contradição com autoridade, pois esta é necessária para que permaneça a ordem. No entanto, a liberdade não é compatível com autoritarismo. Não podemos deixar de citar que estes direitos supramencionados estão em perfeita sintonia com o princípio da dignidade da pessoa humana, pois que a dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, prevendo um direito de proteção em relação ao Estado ou aos demais indivíduos e estabelecendo um dever fundamental de tratamento igualitário dos próprios semelhantes.

Rizzato Nunes ensina que é preciso identificar este princípio como uma conquista da razão, fruto da reação humana frente à história de atrocidades, citando principalmente a consciência que se formou após as atrocidades cometidas pelos nazistas na segunda guerra. Para ele, a dignidade nasce com o indivíduo e para que haja respeito à pessoa humana e à sua dignidade é preciso assegurar os direitos sociais, somando a esses os demais direitos fundamentais como o direito à vida, à liberdade, à intimidade, etc.

Com efeito, assegurar o nascimento do feto anencéfalo, bem como garantir a liberdade de escolha da gestante em antecipar o parto no caso de anencefalia está em harmonia com o princípio da dignidade da pessoa humana. Uma vez, no entanto, que dois direitos fundamentais estão opostos, constatamos a existência de uma colisão. Daí decorre a necessidade de uma solução para este caso. Para uns a solução está no abortamento, para outros está em garantir o nascimento do feto anencéfalo, para que ocorra a morte natural. É preciso, porém, verificar qual direito será mais lesado caso haja prevalência de um direito em detrimento de outro e, sobretudo, se não haverá a violação do princípio da dignidade da pessoa humana. Ademais, precisamos observar a solução desta colisão em consonância com o princípio da igualdade consagrada constitucionalmente. Com efeito, o artigo 5º,caput da Constituição Federal preceitua que todos são iguais perante a lei, igualdade que significa direito às mesmas oportunidades, de acordo com as condições especiais de cada um, não tratando a todos da mesma forma, mas tratando com desigualdade os desiguais.

Para corroborar no sentido de tratar a todos com igualdade, proibindo distinções de qualquer natureza, o artigo 3º, inciso IV da Constituição veda qualquer forma de discriminação. Portanto, para analisar a colisão de direitos fundamentais no caso de aborto de anencéfalos, deve-se levar em conta os direitos que estão colidindo, a dignidade da pessoa humana e a igualdade perante a lei. Destarte, estaremos colaborando para uma possível solução mais adequada com os princípios acima mencionados.

(continua aqui)

Conferência para as mulheres

O Deus lo Vult trouxe a informação de que as feministas do Brasil estão realizando pelo país afora a Conferência Distrital de políticas para as mulheres. Nestas conferências são apresentados vários temas e, após a explanação feita, dá-se procedência à votação. Os temas destas conferências são dos mais variados; mas, o que mais se fala é sobre os direitos sexuais e reprodutivos (eufemismo para controle da natalidade através de  preservativos, anticoncepcionais, aborto, etc…).  O problema é que depois de apresentado o tema, os participantes tem direito à voto. Para quê? Para que, terminada a conferência em todo o Brasil, seja apresentado o que a a maioria da população está requerendo/apoiando. Só que a maioria dos participantes são ONG´s, movimentos, pastorais ligadas à causa feminista e que, com raras exceções, vão votar favoravelmente às propostas ali apresentadas. Mais tarde, com a roupagem de democracia/participação popular, serão apresentadas propostas de políticas para as mulheres como se a população brasileira estivesse de acordo com tudo que estas feministas propõem. Tal método já foi adotado na Conferência das comunicações (Confecom), de onde surgiu a ideia da regulação da mídia.

Como mudar esta situação? É preciso que nestas conferências de maioria esquerdista compareçam pessoas de bem, com cabeça conservadora e que esteja disposto a ser um contrapeso à maioria ali presente para votar contra as propostas que ferem a dignidade da mulher como o aborto e outras pseudosoluções para a mulher.

No blog do Jorge Ferraz (www.deuslovult.org) estão as datas das próximas conferências. Se você pode, se inscreva e vá ser voz daqueles que são contra as ideias revolucionárias que querem fazer do Brasil um país anticristão.

 

Europa descristianizada, processo irreversível?

por Marco Politi, do jornal Saturno

Crise de fé é uma expressão otimista, no fundo. Parece a crise dos bancos. Algo que, com oportunas recapitalizações, pode ser posta nos eixos. Mas o fenômeno em curso no Velho Continente, casa e coluna do catolicismo, vai muito além. A Europa entrou em uma era de descristianização. A primeira década de 2000 viu a afirmação de uma geração que, no seu conjunto, perdeu a memória viva, o vínculo real com o patrimônio cristão. Armando Matteo, assistente eclesiástico dos universitários católicos (Fuci), fala de “primeira geração incrédula” e não tem medo de afirmar que o cristianismo está se tornando estranho aos homens e às mulheres do nosso tempo. As massas não devem se enganar com os grandes encontros ou as declarações de “pertencimento” ao cristianismo que se verificam nas pesquisas. É uma pertença sem crença. Meramente sociológica. Mas se a diferença entre identidade formal e fé substancial é típica de outras épocas, muitas vezes caracterizada por flutuações no curso da existência, o sinal da atual geração incrédula se revela (para a grande massa, sem se deter nas pequenas minorias motivadas) por meio de uma “surdez geral quando se fala de Deus, de fé, de oração, de comunidade”. Uma atitude que supera em muito a escassa participação na missa e nos sacramentos. É uma perda sistêmica dos fundamentos culturais do cristianismo, dos ensinamentos, dos símbolos derivados do Antigo e do Novo Testamento. O fenômeno se manifesta ainda na infância, a partir do momento em que a família não exerce mais um lugar de transmissão primária da fé. Foram removidos das suas raízes conceitos poderosos como eternidade, criação, providência, destino escatológico. Paraíso e inferno não são mais representáveis. Darwin subverteu a imagem do Deus Criador. Auschwitz tornou impossível a ideia de que o mal, embora grande, possa ter uma função voltada para o bem. O próprio Bento XVI em seu livro-entrevista Luz do Mundo (Ed. Planeta), por exemplo, reconhece que hoje a ideia do sangue de Cristo como “resgate” dos pecados do homem corre o risco de não chegar mais aos contemporâneos. Por outro lado, da sua pregação contra o relativismo, surge a dificuldade de propor o conceito de verdade absoluta. Declinados os conflitos ideológicos do século XX, quando ainda se contrapunham visões de mundo fortes, a novidade radical não consiste no aumento do ateísmo. Matteo defende com justiça que a nova geração não se coloca contra Deus e a Igreja, mas “está aprendendo a viver sem Deus e sem a Igreja”. A presença de Deus não é mais um axioma individual e social. Acreditar em Deus é uma “possibilidade”. Alessandro Castegnaro, que dirige o Observatório Sociorreligioso do Triveneto, não por acaso intitula uma recente pesquisa sua sobre o mundo juvenil de C’è campo? [Há espaço?]. O ponto de interrogação expressa a intermitência com que são captados os temas da espiritualidade, da religião, da Igreja. As novas levas respeitam expoentes eclesiais individuais e apreciam a Igreja quando indica horizontes de valores. Mas a separação da instituição é enorme, e a individualização das escolhas é máxima. Regras e crenças são submetidas a um mecanismo de seleção e de redução sobre os quais a Igreja não tem nenhum poder. Dogmas fundamentais – como a pessoa de Deus, a filiação divina de Cristo, a ressurreição, o além – assumiram uma fisionomia indeterminada. Grande parte dos conceitos teológicos são percebidos como imagens velhas. A Igreja como um todo é percebida como antiquada. “Eles não acertam as contas com o que vivemos. Contam-nos uma história que não existe”, resume Castegnaro.

Aborto de anencéfalos: colisão de direitos fundamentais (II)

 … É importante ressaltar também no que concerne aos direitos fundamentais do homem que são eles imprescritíveis, inalienáveis e irrenunciáveis.  Alexandre de Moraes cita além destas, outras características como: inviolabilidade, universabilidade, efetividade, interdependência e complementariedade desses direitos.  Citamos acima que a efetividade dos direitos fundamentais encontrou respaldo quando estes passaram a fazer parte do texto constitucional, mas afinal, qual seria a finalidade destes direitos serem expressos na norma constitucional? A finalidade de se inserir na carta constitucional os direitos fundamentais é para que o ser humano seja preservado de qualquer ingerência do Estado na esfera individual, bem como tenha sua dignidade protegida. Ademais, se algum desses direitos garantidos na Constituição for violado, qualquer indivíduo poderá exigir do Estado uma tutela jurisdicional a fim de cessar a violação ou de ser indenizado. 8 José Gomes Canotilho em seu egrégio ensinamento não fala em finalidade, mas em funções dos direitos fundamentais9, que não é muito diferente do exposto acima, pois segundo ele, a função dos direitos fundamentais é defender o homem perante os poderes do Estado, dar ao particular a faculdade de obter do Estado proteção ao direito que lhe é assegurado e a função de não discriminação, ou seja, que o Estado trate a todos com igualdade. Uma vez que os direitos fundamentais são garantidos pela norma constitucional, precisamos analisar a questão da eficácia das normas constitucionais, sobretudo das normas constitucionais consagradoras de direitos  fundamentais individuais. Antes de tudo, ressaltamos que a eficácia que nos interessa neste momento não é a eficácia social da norma, ou seja, a concretude normativa no mundo dos fatos no que tange à obediência e aplicação, mas a eficácia jurídica da norma constitucional. A eficácia jurídica das normas está relacionada com a aplicação jurídica da norma editada, principalmente no que concerne à sua aplicabilidade, exigibilidade e executoriedade. Diz-se que a norma possui eficácia quando está apta a produzir efeitos no ordenamento jurídico. Embora pareça tão fácil esta definição é preciso observar que nem todas as normas constitucionais produzem efeitos imediatos na ordem jurídica, pois algumas ficam dependendo de leis posteriores para produzir tais efeitos. Veja-se como exemplo o artigo 37, inciso VII da Constituição Federal quando preceitua que o direito de greve dos servidores públicos será exercido nos termos e limites definidos por lei específica. O direito de greve já foi garantido neste artigo, mas para que esta norma tenha plena eficácia será necessária edição de norma infraconstitucional disciplinando este direito. Assim sendo, podemos concluir que quando o artigo 5º, § 1º da Constituição Federal estatui que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata, não há uma solução definitiva quanto à aplicabilidade e eficácia das normas, visto que algumas normas dependerão de leis ulteriores para poderem ser aplicáveis. José Afonso da Silva em sua obra classifica as normas constitucionais quanto à sua eficácia em:

1. Normas de eficácia plena e aplicabilidade direta, imediata e integral: normas que, desde a entrada em vigor da Constituição, já produzem ou podem produzir efeitos, pois coube ao legislador constituinte regular diretamente situações, comportamentos e interesses, sendo auto-aplicáveis. Como exemplo, podemos citar o artigo 1º da Constituição que assim dispõe: “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito…”. Esta norma, então, não precisou de nenhuma complementação para fazer surgir seu efeito, pois desde a vigência da Lei Maior o Brasil se tornou um Estado Democrático de Direito. 

 2. Normas de eficácia contida e aplicabilidade direta e imediata, mas possivelmente não integral: normas em que certas matérias foram reguladas suficientemente pelo legislador constituinte, mas que poderão sofrer restrições por parte do Poder Público ou mediante lei posterior que estabeleçam limites. Exemplo disso pode-se citar o art. 5º, inciso XIII da Carta Constitucional que assim preceitua: “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. A função da lei neste caso é estabelecer as restrições para o exercício da profissão, daí que sua eficácia fica contida. 3. Normas de eficácia limitada: são normas que não tem aplicabilidade direta e imediata, pois ficam condicionadas à legislação ulterior. Exemplo de norma de eficácia limitada é o artigo 153, inciso VII que preceitua que “compete à União instituir impostos sobre grandes fortunas, nos termos de lei complementar”. Esta lei complementar, portanto, é que dará plena eficácia à norma constitucional. Não muito diferente desta classificação utilizada pelo supramencionado autor, o Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e professor titular de Direito Constitucional da PUC Minas José Tarcísio de Almeida Melo classifica as normas constitucionais em completas e incompletas; nesta o constituinte delega ao legislador complementar ou ordinário a criação de lei infraconstitucional para regular a matéria tratada na Constituição; aquela são normas que dispõem sobre a organização, a competência, a declaração de direito, atingindo, de imediato, seus efeitos.  Adotando a classificação dada pelo grande constitucionalista José Afonso da Silva, podemos classificar as normas definidoras de direitos fundamentais, sobretudo as de direitos individuais, como normas de eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata, pois que tais normas desde a entrada em vigor da Carta Maior já foi capaz de produzir efeitos. Estando definido o que são os direitos fundamentais e sua positivação em nosso ordenamento jurídico, bem como a eficácia das normas que tratam dos direitos fundamentais, faz-se necessário entender o que é uma colisão de direitos.

 José Joaquim Gomes Canotilho explica o que é uma colisão de direitos dividindo em autêntica colisão de direitos e colisão de direitos em sentido impróprio. A primeira forma é um autêntico conflito entre o exercício do direito fundamental de um titular com o exercício de direito fundamental de outro; a segunda consiste num conflito entre o exercício de um direito fundamental com bens jurídicos constitucionalmente protegidos. Exemplo de colisão autêntica de direitos fundamentais se dá quando a imagem de uma pessoa é divulgada por meio da imprensa, sem que esta seja autorizada, violando sua intimidade, vez que há uma colisão entre o direito à imagem e intimidade versus direito à liberdade de manifestação do pensamento e expressão. Já uma colisão em sentido impróprio pode ocorrer, por exemplo, quando o bem constitucionalmente protegido “Defesa nacional” está em conflito com o direito individual de receber informações do Estado. O mencionado autor cita que para a solução no caso de colisão entre direitos fundamentais capazes de sofrer restrição deve-se buscar a mudança de um direito de domínio potencial em um direito definitivo, restringindo o direito fundamental, isto se se verificar que há previsão na norma constitucional. Em se tratando de colisão entre direitos fundamentais que não são suscetíveis de restrição, para a solução num caso concreto deve partir de uma harmonização de direitos e, dependendo do caso, a solução será a prevalência de um direito em relação ao outro. 

 A Constituição de 1988, mantendo como forma de controle de constitucionalidade o controle difuso e concentrado, introduziu no nosso ordenamento jurídico a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apreciada pela Suprema Corte. Regulamentada pela Lei n° 9882/99, ela tem como objetivo evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público. Nesse sentido, foi proposta no primeiro semestre de 2004 uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 54) pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) perante o Supremo Tribunal Federal (STF), pelo seu ilustre advogado Luis Roberto Barroso, requerendo deste tribunal a extinção da punibilidade à gestante e aos trabalhadores na saúde na prática de aborto de feto anencéfalo. A ação foi distribuída recebendo como relator o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Melo, vindo este conceder o abortamento em sede de liminar. A partir do segundo semestre de 2004, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a analisar se seria cabível a ADPF para o caso em questão, vez que ficou configurado o cabimento, porém decidindo pela revogação da liminar que permitia o aborto. Quatro magistrados votaram pela manutenção da liminar: o ministro Marco Aurélio Melo, Carlos Ayres Brito, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence. No entanto, o ministro Eros Grau se levantou contra a manutenção da liminar alegando que o Código Penal não poderia ser reescrito pelo Judiciário, permitindo uma terceira hipótese de aborto. Tal posicionamento foi amplamente aceito, resultando na cassação da liminar. Porém, a decisão não ficou totalmente resolvida, vez que admitido o cabimento da ADPF, deverá ser julgado o mérito. Em agosto e setembro de 2008, foi realizada uma audiência pública para ouvir setores da sociedade civil pró e contra o aborto de anencéfalos. No caso em comento, diante da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) verificamos claramente a colisão entre os direitos fundamentais direito à vida versus direito à liberdade. Os argumentos apresentados pela parte propositora foram a afronta aos princípios da dignidade da pessoa humana, da legalidade, liberdade e autonomia da vontade, além de violar o direito à saúde, pois que a gestante terá que levar adiante uma gravidez da qual se sabe que não há qualquer viabilidade de vida extra-uterina. Ademais, a gravidez de feto anencéfalo pode gerar riscos à saúde da gestante. E, por fim, alega-se que não havendo vida a ser protegida, não há que se falar em aborto, mas em antecipação terapêutica do parto, sendo desproporcional e inconstitucional a incidência da norma penal neste caso. Por outro lado, aqueles que são contrários ao aborto defendem que há vida no feto anencéfalo e que, uma vez autorizando o aborto, estará a Suprema Corte legislando, permitindo o aborto eugênico, o que contraria a Carta Constitucional que defende a inviolabilidade do direito à vida. Alguns chegam a afirmar que autorizando o aborto neste caso, tão logo haverá autorização para o aborto em quaisquer outros casos em que se constatar uma anomalia no feto. Também se defende que não há qualquer risco à saúde da gestante, senão o risco normal de qualquer gravidez de feto sem anomalias.

Diante disso, passemos agora a analisar o direito fundamental vida em conflito com o direito à liberdade ante a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental n° 54. Com efeito, a inviolabilidade do direito à vida e à liberdade foi consagrada no caput do artigo 5º da Carta de 1988. O direito à vida consiste no direito a continuar vivo e no direito de possuir vida digna16, sendo que este direito deve ser respeitado desde a concepção até a morte natural17, pois é um processo que se instaura com a concepção, transforma-se, progride e depois regride, deixando de ser vida para se tornar morte. José Afonso da Silva sustenta que três tendências estavam presentes na elaboração da Constituição, uma que defendia a vida desde a concepção, outra que defendia o direito somente após o nascimento com vida e outra que não queria tomar partido na decisão. Ives Gandra da Silva Martins20 defende que, uma vez que foi ratificada a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), o Brasil adotou a teoria concepcionista, pois este tratado preceitua em seu artigo 4º que toda pessoa tem direito a que se respeite sua vida e este direito está protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ademais, com base no parágrafo 2º do artigo 5º da Constituição Federal que declara que os tratados internacionais sobre direitos individuais são incorporados ao texto constitucional, para o citado autor o Pacto de São José da Costa Rica passou a ter status de norma constitucional. Corroborando com a idéia concepcionista defendida por Ives Gandra, há autores que recorrem à legislação infraconstitucional para comprovar a garantia de direitos ao nascituro desde a concepção. Alexandre de Moraes ensina que do ponto de vista biológico, não existe dúvida de que a vida se inicia com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide.Este mesmo autor pontifica que a Constituição protege a vida de forma geral, inclusive a vida intra-uterina, pois a vida que aí está sendo gestada é um terceiro com existência distinta da mãe, apesar de estar alojadano seu útero. Tal proteção tem razão de ser, pois se constitui em pré-requisito à existência e exercício de todos os demais direitos.

Daí podemos concluir que tudo que interferir prejudicando o desenrolar normal da vida, a está contrariando, sendo que o corolário deste supremo bem é a proibição de matar, proibição esta que vale também para o Estado, só admitindo ressalva em se tratando de guerra declarada conforme art. 5º, inciso XLVII, alínea “a”ou se tratar de legítima defesa. Vale ressaltar que quando a gravidez é resultante de estupro ou a gestante corre perigo de morte, consoante artigos 25 e 128 do Código Penal não existe autorização para o aborto (descriminalização), mas a abstenção de cominar pena para quem pratica o aborto. Cumpre aqui salientar que o aborto eugenésico, no qual há riscos fundados de que o embrião ou feto sejam portadores de anomalias graves, não recebeu nenhuma exclusão de punibilidade no Código Penal.

(continua aqui ) 

Sobre o Movimento “Salvai Almas”

Não conheço a fundo o movimento “Salvai Almas”, só conheço alguns adeptos deste movimento (que são pessoas boas e bem piedosas). No entanto, lendo o artigo que posto abaixo escrito por um sábio sacerdote em resposta a um leigo, joga um pouco de luz sobre este movimento. É preciso ficarmos atentos a um número crescente de “revelações”. Serão todas verdadeiras como alguns sugerem? Estão todas em sintonia com o ensinamento da Igreja de 2000 anos?

Texto retirado do site: http://www.padremarcelotenorio.com/2011/10/sobre-o-movimento-salvai-almas.html

Pe. Marcélo Tenorio

   Chegou-me ao conhecimento um chamado        “movimento Salvai Almas” que, aparentemente católico, parece ser uma associação de fiéis devotos das santas almas do purgatório. Li vários livros deste “movimento” – como eles gostam de se chamar – inclusive estive em contato direto com um dos membros, o mesmo que me emprestou os citados livros.

Interessante é que este senhor começou a fazer direção espiritual comigo. Falando-me sobre o movimento, pedi-lhe livros. Li, analisei e vi, de súbito, todas essas heresias denunciadas aqui neste artigo. Como sacerdote exortei-o a abandonar essas “revelações”, visto que estão contra o Magistério Infalível da Igreja, e, claro, não poderia eu dirigir alguém que aderisse formalmente à heresia.

Tomei ciência de que este senhor atacou-me em testemunho pessoal postado na net, como podem ler abaixo. Isso só comprova a desobediência ao clero e à Igreja, o ódio por todos que se opoem a estas fantasias. São comuns os ataques do “vidente” Cláudio aos sacerdotes, seus seguidores não poderiam ser diferentes. Leiamos estas pérolas que comprovam o sectarismo latente deste “movimento”:

“… procurei divulgar a um sacerdote piedoso que se propôs a ser meu diretor espiritual, porém descobri uma falsa humildade em sua batina preta, pois me chamou atenção dizendo que os livros eram hereges e que estava em pecado, me pressionou na parede dizendo que só continuaria sendo meu diretor espiritual se eu admitisse não acreditar nas mensagens do grupo Salvai Almas, eu afirmei com todas as letas que eu acreditava pois a nossa Senhora esta na frente desta obra, pois o padre deixou transparecer a sua insatisfação em aceitar leigos na frente de obras, descartando totalmente a possiblidade da mensagens de Nossa Senhora serem verdadeiras…”

“… porém o não do padre foi o meu sim definitivos para o Grupo Salvai Almas, me apresentei ao grupo de caminhantes dos cemitérios de Campo Grande e passei a visitar diariamente um todos os dias…” (Cf: http://www.recadosaarao.com.br/index.asp?id_artigo=4162).

Uma pena! Tão humilde este senhor, que preferiu seguir as fábulas, caminhar pelos cemitérios, ouvindo os mortos…

O padre orgulhoso aqui, prefere escutar e seguir a Igreja!

Tudo se baseia em pretensas revelações particulares de Nosso Senhor, Nossa Senhora, São Miguel Arcanjo e outros santos a um casal com pseudônimos de “José de Nazaré” e “Maria Angelina”. Segundo o relato, ambos são simples, humildes e moram numa casinha de madeira de pinus. Coloca-se que possuem um diretor espiritual, um sacerdote, entretanto, este mesmo sacerdote não tem nenhuma autoridade sobre eles, o que é estranho, pois em toda história da Igreja todos os santos e místicos se colocaram em obediência absoluta ao Diretor Espiritual, visto que o demônio engana e pode colocar nas almas pretensões de santidade.

Vejamos o relato do livro “Fundamentos da Salvação”, sobre o assunto. A separação numérica é nossa.

1. Rejeição à legítima interferência da Igreja pelo estudo e análise.

“Eles têm acompanhamento espiritual de sacerdote, mas Nossa Senhora…

(1) … não pede que ele “avalize” este livro, para…

(2) …evitar que ele seja mais “perseguido” do que já é, em vista…

(3) … do magistério que exerce.

Em mensagem a José, datada de 02/10/98 JESUS diz claramente…

(4) … que exime os sacerdotes em questão, de avalizar esta obra, porque a Igreja não encontraria formas de a justificar, mas que a próxima terá que ser analisada e avalizada por eles. Para sermos justos, eles até que se estavam…

(5) … dispondo a prefaciar esta obra, fazendo algumas modificações. Mas Jesus e Maria, em mensagens individuais e claras dizem a ambos:

(6) O livro fica como está!

Ordem cumprida, este livro fica pois,

(7) … apenas a cargo dos leigos. E que o Senhor nos ajude!”

Analisemos por partes.

(1, 2, 3) A autora do livro é a própria “Virgem Maria” que não aceita que este livro seja analisado pelo clero para que ele, o livro, não venha a ser perseguido.

Que estranho e contraditório. Não é essa a doutrina que Nosso Senhor deixou sobre a sua Igreja, fundada sobre os apóstolos, com a missão de Ensinar. Ainda sobre ela, diz o divino mestre: “quem vos ouve, a mim ouve (Lc 10,16).

Aqui, está uma suposta Maria, que certamente não é Nossa Senhora, pois a Mãe de Deus é doutora em teologia e doutrina católica e esta aqui parece protestante e anti-clerical, visto que, sobre um assunto que deve ser analisado pela autoridade da Igreja, esta Maria simplesmente rejeita e não aceita a análise do clero, temendo que o livro seja perseguido. Mas que “Maria” medrosa! Está com medo de que, Maria?! Parece aquela outra Maria, da nossa literatura brasileira…

(4). Esta “Maria” “exime” os sacerdotes deste trabalho, porque a Igreja não encontraria “formas de justificar”.

“Xiii!!!” Aqui o “caldo entornou”, como diria o mineiro. É grave, gravíssimo, e de certa forma importante esta colocação da “Maria perigosa”. Grave, porque é uma colocação absurda, visto que a Santa Igreja é Mãe e Mestra da Verdade e recebeu a Verdade plena de seu divino fundador, de forma que, com a morte do último apóstolo, encerrou-se toda revelação. Nada existe mais para nos ser revelado sobre a sagrada doutrina, pois “vos ensinei tudo que ouvi de meu Pai” (Jo 15, 15). Dizer que a Igreja não tem condições de emitir um juízo em matéria de fé, porque há algo que ela não sabe, desconhece, é heresia grosseira.

Esta heresia grosseira é o dado importante para percebermos aqui a incompatibilidade com a sagrada doutrina, desmascarando sua pretensa origem divina. Como Deus não pode errar nem se contradizer, logo, podemos afirmar categoricamente: são falsas tais revelações. Não são católicas tais revelações! Não são da Virgem Maria, Mãe de Deus tais revelações!

No final da citação, “Jesus e Maria”, chancelam dizendo que os padres não devem mexer no livro: “fica como está, apenas a cargo dos leigos”.

Nossa Senhora, depois de tantos séculos intervindo no mundo, teria resolvido tornar-se revolucionária? Ela que sempre ordenava que os videntes procurassem o padre, o bispo e a eles se submetessem, aqui resolve fazer diferente, porque há coisas que ela revelou que nem a Igreja sabe! Absurdo!

Isso nos faz lembrar São Paulo que nos diz:

“Mesmo que um anjo do céu vos ensine algo diferente do nosso ensino, seja excomungado!” (Gl 1, 8-9)

2. Rejeição ao ensino por parte do clero

Ora, percebemos algo estranhíssimo, não só contra a prática comum da Igreja, mas sobretudo no que se refere a autoridade do sacerdote que está dentro do tríplice múnus que Nosso Senhor conferiu à Igreja: Santificar, Ensinar e Governar. O Padre age na própria pessoa de Cristo e, é sua função, guiar as almas para Deus. Na direção espiritual caberá ao sacerdote conduzir o dirigido por caminhos seguros, na reta doutrina, e numa equilibrada prática da fé e da espiritualidade. De forma que, Cristo sempre fala através do diretor espiritual, cabendo-lhe ao dirigido a pronta obediência. Em apenas um caso deve a alma desobedecer ao seu diretor: quando ele o induzir contra a Fé e a Moral. Fora disso, deve-lhe acatamento.

Se lermos a vida de Santa Teresa d´Avila, encontraremos várias exortações sobre a necessidade de se ter um diretor espiritual. Sem ele a alma estará certamente exposta às mentiras e enganos do diabo.

São Pio de Pietrelcina nada fazia sem que tivesse o aval de seu diretor espiritual. E se era um santo cheio de carismas e portentosos milagres, tudo, tudo mesmo, ele submetia ao seu pai espiritual e nada fazia sem ele. Deixava sempre o discernimento, a última palavra, ao mestre de sua alma, como pode-se facilmente ver no livro que contém suas cartas ao seu Diretor.

Como dizia o Cônego Ogier: “Aquele que se constitui seu próprio Mestre, torna-se discípulo de um louco”.

Cassiano, S. Francisco de Sales e Leão XIII, reforçam a doutrina perene da Igreja sobre a necessária direção espiritual, vejamos:

“Encontramos nas próprias origens da Igreja uma célebre manifestação desta lei: posto que Saulo, respirando ameaças e matança, tivesse ouvido a voz do mesmo Cristo, e lhe houvesse perguntado: ‘Senhor que queres que eu faça?’ – É para damasco, a Ananias que é enviado… Isto mesmo é o que se tem praticado na Igreja: é a doutrina que unanimemente professaram todos quantos no decorrer dos séculos, brilharam pela ciência e santidade” ( Leão XIII).

Fala o grande doutor da mística católica, São João da Cruz, sobre a vontade de Deus em relação ao Diretor Espiritual:

“Deus gosta tanto que o homem se submeta à direção de outro homem que não quer de maneira alguma ver-nos dar pleno crédito às verdades sobrenaturais que Ele próprio comunica, antes de elas terem passado pelo canal duma boca humana”.

O livro em questão começa já atestando que a autoria é de “Nossa Senhora” e lógico, ela sendo a autora, também cabe-lhe a dedicação de sua obra. Ela oferece também sua dedicatória, vejamos:

“DEDICATÓRIA DE NOSSA SENHORA

A Américo Odorizzi e excelentíssima família, pelo desvelo e amor com que têm colocado sua Editora a serviço desta obra de Deus. Que Deus os abençoe e a seus funcionários.”

Em seguida vem as ameaças a todos aqueles que não acreditarem no que está escrito no livro:

“Quero alertá-los do fato de que: “Cada livro vale a libertação de 100 almas do purgatório.” Portanto, cada livro retido, impede a libertação destas 100 almas. Ai dos que impedem! Terão o peso de 100 por 1. Arcarão com as responsabilidades! Reza por eles! Esta obra também foi feita para eles! Amém! Eu vos abençôo a todos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo Amém! Maria Mãe do Universo!”

3. Esta pretensa “revelação” é apresentada como obrigatória para todos, quase como uma Revelação Pública.

Vejamos: essa “Maria”, não só escreve livros, mas também muda, sem comunicar ao Papa, a doutrina da Igreja em relação às revelações particulares.

Sabemos que nenhum fiel católico está obrigado a dar acatamento de fé às chamadas revelações privadas, mesmo aquelas, de certa forma, reconhecidas pela Igreja, como as aparições da Virgem em Lourdes, Fátima, Guadalup, visto que nada acrescentam ao depósito da Fé.

Ninguém comete pecado se não acreditar em Fátima, nas aparições de Nossa Senhora à Santa Catarina, etc., porque tudo o que era necessário à nossa salvação já nos foi revelado por Nosso Senhor e nos é ensinado pela suprema autoridade do Magistério da Igreja e é o que chamamos de Revelação Pública, a qual todos estão obrigados a crer. Vale salientar que em nenhuma aparição autêntica de Nossa Senhora houve o ensino de uma nova doutrina, de uma nova verdade, visto que TUDO já nos foi transmitido.

Qualquer pretensa aparição que venha com uma nova mensagem, com algo novo, não provêm do Espírito Santo, mas do pai e mestre da mentira, o diabo, para sufocar a verdade e enganar os fracos.

O que ensina a Igreja sobre as revelações particulares:

Bento XIV: “Apesar de uma adesão de fé católica não pode e não pode ser dado a revelações assim aprovadas, ainda, uma adesão de fé humana, feita de acordo às regras de prudência lhes é devido, pois, de acordo com estas regras tais revelações são prováveis ​​e dignas de crédito piedoso”.

Catecismo da Igreja Católica: Cristo, o Filho de Deus feito homem, é do Pai, a Palavra perfeita e insuperável em que ele disse tudo; Não haverá outra palavra do que este A economia cristã portanto, uma vez que é a nova e definitiva aliança, jamais passará, e nenhuma nova revelação pública é de se esperar, antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo como João da Cruz diz: “Qualquer pessoa que pretenda consultar a Deus ou alguma visão ou revelação seria culpado não só de comportamento tolo, mas também de ofendê-lo, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e vivendo com o desejo por alguma outra novidade” (65-66).

4. Fuga de um discurso racional da Fé: desprovida de análise teológica e filosófica.

O livro em questão faz um discurso, em nome de Nossa Senhora, contra o que se chama de racionalização.

Vejamos:

“ASSUNTO DO LIVRO

O tema que abordaremos neste livro, pode-se dizer que é de teor bastante “obscuro”, dentro da Igreja Católica, Apostólica, Romana, Una e Santa, por se tratar de assunto pouco estudado e com poucas referências na Bíblia: A SANTA IGREJA PADECENTE – O PURGATÓRIO

Obscuro dizemos e achamos nós, que racionalizando sempre e tudo, muito pouco ou quase nada entendemos sobre a Divina Misericórdia, sobre a Justiça de Deus e sobre como funciona o elaborado e milimétrico processo de salvação das nossas almas.

Por isso, ANTES de questionar, deixemos que Nossa Senhora esclareça:

(…)

Muitas indagações haverão! Muita polêmica, por tratar-se de assunto obscuro para a Igreja! Eu, porém, não vejo nenhuma obscuridade nisto…” (os grifos são nossos).

5. Desconhecimento pleno da Doutrina sobre a Igreja

Aqui tudo volta. Há algo tão obscuro, mas tão obscuro que nem a Igreja saberia, apenas Nossa Senhora! Eis mais um erro grosseiro e, desta vez, em relação à eclesiologia. A Igreja é colocada como associação de fiéis, mas não como mistérica, vinda do coração da Trindade e tendo a sua consumação na glória.

Nossa Senhora, por mais excelsa e sublime que seja, é sempre filha da Igreja no sentido de que esta, como nos ensina Sto. Agostinho, é maior que a Virgem Maria. Ora, dizer que a Igreja nada sabe e a Virgem sabe de coisas que a Igreja desconhece, é, na verdade, nada entender sobre a doutrina católica romana, logo, fica mais que comprovado que não há possibilidade de que seja divina esta pretensa revelação, pois ela não suportaria um mínimo confronto com o Catecismo Romano.

É elementar para a eclesiologia a origem divina da Igreja por sua cabeça, o Verbo encarnado, e além de sua fonte de salvação para todos os homens, nela está toda a Verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre o homem. Verdade esta revelada e confiada à sua hierarquia para que seja ensinada a todos os homens: “Ide e ensinai”. Só ensina quem sabe. A Igreja possui a verdade plena, por isso o papa João XXIII pode proclamá-la “Mater et Magistra” da Verdade.

Mas percebamos que, para fugir desta enrascada, o próprio livro condena a atitude de se buscar a explicação racional, convocando todos a darem, sem questionamentos, adesão de fé a tudo isso. Ou seja: deve-se crer, sem duvidar, que verdadeiramente é Nossa Senhora e o céu que estão conduzindo tudo isso.

Ora, ora! Quanto mais essa “Maria” escreve, pior fica. A fé não é um sentimento, um “achismo”, nada disso. Isso não é católico. É subjetivismo, filho do modernismo, além de conter uma boa pitada de neo-liberalismo religioso que é, justamente, a fuga da submissão à legítima autoridade da Igreja.

Ensina Santo Tomás de Aquino que a Fé é a adesão da inteligência à Verdade e, claro, esta Verdade ensinada infalivelmente pela a Igreja.

Num belo documento que tratava da Fé mais a Razão, o Santo Padre João Paulo II colocava:

“6. Credenciada pelo facto de ser depositária da revelação de Jesus Cristo, a Igreja deseja reafirmar a necessidade da reflexão sobre a verdade…

“17. Não há motivo para existir concorrência entre a razão e a fé: uma implica a outra, e cada qual tem o seu espaço próprio de realização. Aponta nesta direcção o livro dos Provérbios, quando exclama: « A glória de Deus é encobrir as coisas, e a glória dos reis é investigá-las » (25, 2). Deus e o homem estão colocados, em seu respectivo mundo, numa relação única. Em Deus reside a origem de tudo, n’Ele se encerra a plenitude do mistério, e isto constitui a sua glória; ao homem, pelo contrário, compete o dever de investigar a verdade com a razão, e nisto está a sua nobreza…

“Indo mais longe, S. Tomás reconhece que a natureza, objecto próprio da filosofia, pode contribuir para a compreensão da revelação divina. Deste modo, a fé não teme a razão, mas solicita-a e confia nela. Como a graça supõe a natureza e leva-a à perfeição, assim também a fé supõe e aperfeiçoa a razão. Esta, iluminada pela fé, fica liberta das fraquezas e limitações causadas pela desobediência do pecado, e recebe a força necessária para elevar-se até ao conhecimento do mistério de Deus Uno e Trino. Embora sublinhando o carácter sobrenatural da fé, o Doutor Angélico não esqueceu o valor da racionabilidade da mesma; antes, conseguiu penetrar profundamente e especificar o sentido de tal racionabilidade. Efectivamente, a fé é de algum modo « exercitação do pensamento »; a razão do homem não é anulada nem humilhada, quando presta assentimento aos conteúdos de fé; é que estes são alcançados por decisão livre e consciente”(Cf. Carta Encíclica Fides et Ratio, João Paulo II).

Encontra-se também nestas “revelações” o ensinamento dado por “Maria”, sobre o chamado “grande purgatório”. O que seria isso?

Bem, essa Maria explica de forma inusitada que nem Santo Tomás de Aquino, o doutor angélico, conseguiu formular em sua Suma Teológica.

Vejamos:

“Não é, também, que Deus tenha mudado Sua santa justiça, ou “abrandado” a Sua santa lei. O problema, é que se tornaram tantas as ocasiões de pecado para o homem de hoje, que é quase impossível para uma pessoa qualquer, mesmo vivendo santamente, passar alguns minutos sem pecar. E são bilhões de pecados que se cometem por dia no mundo…”

Então, Nosso Senhor o que faz? Muda as regras. Cria o grande purgatório para dar uma segunda chance àqueles que morrem em pecado mortal!

Vejamos esta esdrúxula explicação:

“O Grande Purgatório é, na verdade, um quase inferno. A única diferença é que, mesmo ali, a alma sabe que, um dia, perto ou longe, ela irá para os braços do Pai Eterno.

Quanto tempo se fica ali? Um segundo ou por milênios seguidos. Tudo depende do estado da alma. Um exemplo de que uma pessoa pode ficar tantos anos no Purgatório foi-nos dado em Fátima na 2ª das aparições, onde, ao ser questionada pela Jacinta uma das videntes, a respeito de uma senhora X, falecida há já 4 anos, portanto em 1913, Nossa Senhora respondeu que ela estava no Purgatório e “vai ficar lá até o final dos tempos”…

Sabe-se hoje que milhões de pessoas no mundo, conhecedores desta revelação, já rezaram exaustivamente por esta alma, entretanto, ela pode estar lá, ainda hoje sofrendo. Porque as orações não a alcançam.

Neste local, a alma “estaciona” e dali não sai, até ter pago integralmente a sua pena, porque as graças não a conseguem alcançar. Eis aí o Grande Purgatório…

Bem sabemos a imensidade de pecados mortais que se cometem hoje no mundo e sabemos que milhares de pessoas, morrem hoje em toda a terra, sem receber os sacramentos e sem poderem se preparar para outra vida. Assim, nosso entendimento leva a imaginar que todas estas pessoas morrem eternamente. Ora, isso seria uma imensa vitória do louco satanás…

Assim, o que o Arcanjo São Miguel tem revelado a José de Nazaré e Maria Angelina, é que existe este imenso “vácuo”, onde se manifesta a Eterna Misericórdia deste nosso Deus de Amor. Existe sim um local, onde as almas dos que morrem, mesmo com alguns pecados ditos por nós “mortais”, podem encontrar AINDA a salvação: O Grande Purgatório. Um local (ou estado de alma) imenso e impressionante. E ao mesmo tempo terrível. Ele se encontra exatamente as “portas do inferno” e nele, “malham” as almas que “quase”, caíram no abismo negro do sem Deus. Porque o espaço entre o Inferno e o Grande Purgatório é de apenas “milímetros”.

Enquanto ali permanecem, as almas não recebem as graças das orações, nem de militantes nem dos glorificados. Quer dizer, para elas não adianta rezar, nem mesmo mandar rezar as poderosíssimas santas Missas, enquanto eles permanecerem naquele abismo.”

Aí está uma doutrina estranha à Fé Católica sobre o que se chama aqui de “Grande Purgatório”, onde ficam as almas que morreram em pecado mortal. Local onde as orações nem chegam. Até mesmo o augusto sacrifício da Missa torna-se ineficaz.

Que absurdo! Que disparate! Que heresia! E o pior: pretensamente atribuídas à Santíssima Virgem Maria e a São Miguel Arcanjo.

O que acabamos de ler não é doutrina católica, mais um verdadeiro delírio, que pode enganar as mentes fracas.

Vejamos o que a Santa Igreja nos ensina sobre a realidade do purgatório:

“Há também um fogo de expiação, no qual por certo tempo, se purificam as almas dos justos, até que lhes sejam franqueado o acesso da Pátria Celestial, lugar onde nada de impuro pode entrar” (Cf. Catecismo Romano, V, artigo 1-3).

Fala o Dogmático Concílio de Trento, em sua seção XXV, no decreto sobre o Purgatório:

“983. Já que a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, apoiada nas Sagradas Letras e na antiga Tradição dos Padres, ensinou nos sagrados Concílios e recentemente também neste Concílio Ecumênico, que existe purgatório [cfr. n° 840], e que as almas que nele estão detidas são aliviadas pelos sufrágios dos fiéis, principalmente pelo sacrifício do altar [cfr. n° 940, 950], igualmente não seja permitido divulgar ou discorrer sobre assuntos duvidosos ou que trazem a aparência do falso. Sejam ainda proibidas como escandalosas e prejudiciais aos fiéis aquelas coisas que têm em vista provocar a curiosidade ou que reascendem a superstição”.

“Por ali se deve defender a doutrina da lei divina que exclui do reino de Deus não só os infiéis, mas também os fiéis fornicadores, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, beberrões, maldizentes, gatunos (1 Cor 6, 9s) e todos os que cometem pecados mortais, dos quais se podem abster com o auxílio da graça divina, e pelos quais se separam da graça de Cristo [cân. 27].

835. Cân. 25. Se alguém disser que o justo peca em qualquer obra boa, ao menos venialmente, ou (o que é mais intolerável ainda) mortalmente; e que por isso merece penas eternas, não se condenando [porém] somente porque Deus não imputa aquelas boas obras para a condenação — seja excomungado [cfr. n° 804].

Em suma:

1. A Igreja ensina a existência do purgatório, que é um estágio de purificação para as almas que morreram na amizade de Deus, ou seja, em pecado venial e, que, por isso, precisam de uma purificação, antes de entrarem no gozo da visão beatífica. De forma que costumamos chamá-las de “santas almas”, visto que a sua salvação é garantida, logo após a etapa purificatória.

2. Os que morrem em pecado mortal, morrem excluídos da Graça de Deus, recebendo assim a condenação eterna no inferno.

3. As orações, penitências, mortificações que os fiéis oferecem pelas santas almas, lhes são de grande alívio e, até podem contribuir para uma imediata saída do purgatório.

4. Não existe maior oração de grande eficácia para as almas do que o Santo Sacrifício da Missa. Atesta a sagrada doutrina, como também o testemunho dos santos místicos. Muitas almas são libertadas quando se celebra os sagrados mistérios.

Portanto não são católicas estas afirmações contidas neste livro de que:

1. Por causa do aumento de pessoas que morrem em pecado mortal, Deus teria criado o chamado “Grande Purgatório”, com possibilidade de salvação, após longo período de sofrimento.

2. Que nesse grande purgatório são sem valor a comunhão dos santos e as orações, sacrifícios, mortificações, que nenhuma oração pode lá chegar.

3. Que mesmo o Santo Sacrifício da Missa é ineficaz para as almas do grande purgatório.

Inexiste na Fé Católica essa estranha doutrina do grande purgatório e, tudo o que foi dito acima, jamais poderia ter sido dito por Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo porque constituem verdadeiras heresias e, como tais, condenadas pelo Concílio de Trento.

Quem as divulga, quem as defende, incorre em pecado grave e em pena de Excomunhão, como podemos ver claramente no Cân. 25, da Justificação, do sagrado concílio.

Concluindo, exortamos a todos que mantenham distância deste movimento, sobretudo de seus escritos cheios de erros contra a Fé.

O demônio, sendo o pai da mentira, sabe dissimular um mal com roupagem de bem. A mentira sempre é tentativa de maquiar a Verdade, por isso uma boa mentira sempre, à primeira vista, parece-nos verdadeira em sua máscara. Todavia, basta aprofundá-la e submetê-la a crivos irrefutáveis que tudo desmorona e aparece, enfim, o seu verdadeiro rosto.

Dou a todos um antídoto contra essas novidades: submetam tudo ao Magistério da Igreja, visto que a Igreja não pode errar, porque Cristo não erra.

Lembremo-nos, novamente do conselho paulino:

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja excomungado!”(Gl 1, 8-9)

Mas alguns poderão objetar:

“Ah! Mas isso mudou a minha vida. Era ruim, agora sou bom, etc!”
“Ah, tem padres que acreditam, tem bispos que apóiam…”
“Eu sinto que é verdadeiro, porque me faz bem crer…”

Tudo isso são balelas. Lutero era padre. Judas, bispo. Um padre, um bispo e até mesmo um papa, estão a serviço da Fé imutável da Igreja, nada podendo subtrair ou acrescentar.

Fujamos destas novidades que põem em risco a nossa fé. Fiquemos com as palavras sábias de Pio XI:

“A todos quanto agora sentem sede da Verdade, dizemo-lhes: ide a Tomás de Aquino.”

Neste livro “Fundamentos da Salvação”, existem outras coisas curiosamente perigosas, tal como a “Ponte da Salvação”, óleos sagrados, freqüentes mensagens e comunicações com mortos que precisariam ser melhor analisadas pelo magistério, mas fiquemos por aqui. É como um afeito dominó. Desmascarado suas falácias, todo o resto cede.

É verdade que cabe aos bispos diocesanos, como doutores que são, e, em última instância à Santa Sé Apostólica, uma formal análise e condenação desses escritos. No entanto, não exime de nós padres o grave dever de orientar os fiéis sobre tais erros e heresias. Se vejo um ladrão roubando alguém, posso, tranquilamente gritar “pega ladrão!”, mesmo antes da autoridade competente declará-lo de fato um ladrão. O óbvio não se julga, se constata.

De fato, o que vimos acima é tão verdadeiro quanto “santa-do-mel” ou quanto uma nota de duzentos centavos novos.

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” (2 Tm 4.1-5 )

 

 

 
 

A comunhão de joelhos e na boca

A mais antiga prática de distribuição da comunhão foi, com toda a probabilidade, aquela de dar aos fiéis a comunhão sobre a palma da mão. A história da liturgia evidencia, todavia, também o processo, iniciado desde muito cedo, de transformação de tais práticas. Desde a época dos Padres, nasce e se consolida uma tendência a restringir sempre mais a distribuição da comunhão sobre a mão e a favorecer aquela sobre a língua. É duplo o motivo desta preferência: de uma parte, evitar ao máximo a dispersão dos fragmentos eucarísticos; de outra favorecer o crescimento da devoção dos fiéis acerca da presença real de Cristo no sacramento.

Ao uso de receber a comunhão sobre a língua faz referencia também São Tomás de Aquino, o qual afirma que a distribuição do Corpo do Senhor pertence somente ao sacerdote ordenado. Isto por diversos motivos, entre os quais o Doutor Angélico cita também o respeito diante do sacramento, que “não vem tocado por nenhuma coisa que não seja consagrada: e portanto são consagrados o corporal, o cálice e do mesmo modo as mãos do sacerdote, para poderem tocar este sacramento. Portanto, a nenhum outro é permitido tocá-lo fora do caso de necessidade: se por exemplo ele cair por terra, ou em outras contigências similares.” (Summa Theologiae, III, 82, 3).

Ao longo dos séculos, a Igreja sempre procurou cercar o momento da Comunhão com sacralidade e suma dignidade, esforçando-se constantemente por desenvolver de modo melhor os gestos externos que favorecessem a compreensão do grande mistério sacramental. No seu dedicado amor pastoral, a Igreja contribui para que os fieis possam receber a Eucaristia com as devidas disposições, entre as quais figuram o compreender e considerar interiormente a presença real Daquele que se vai receber (cf. Catecismo de São Pio X, nn 628 e 636). Entre os sinais de devoção próprios aos comungantes, a Igreja do Ocidente estabeleceu também o estar ajoelhado. Uma célebre expressão de Santo Agostinho, retomada no n. 66 da Sacramentum Caritatis de Bento XVI, ensina: “Nenhum coma aquela carne (o Corpo eucarístico), se antes não o adorou. Pecaríamos se não o adorássemos” (Enarrationes in Psalmos, 98,9). Estar de joelhos indica e favorece esta necessária adoração prévia ao recebimento de Cristo eucarístico.

Nesta perspectiva, o então Cardeal Ratzinger havia assegurado que “a Comunhão atinge a sua profundidade somente quando é sustentada e compreendida pela adoração”. (Introdução ao Espírito da Liturgia, p. 86). Por isso, ele reiterava que “a prática de ajoelhar-se para a Santa Comunhão tem em seu favor séculos de tradição e é um sinal de adoração particularmente expressivo, em tudo apropriado à luz da verdadeira, real e substancial presença de Nosso Senhor Jesus Cristo sob as espécies consagradas” (citado na Carta This Congregation da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos de 1° de julho de 2002; EV 21, n. 666).

João Paulo II, na sua última encíclica Ecclesia de Eucharisita escreveu no n. 61: “Dando à Eucaristia todo o realce que merece e procurando com todo o cuidado não atenuar nenhuma das suas dimensões ou exigências, damos provas de estar verdadeiramente conscientes da grandeza deste dom. A isto nos convida uma tradição ininterrupta desde os primeiros séculos, que mostra a comunidade cristã vigilante na defesa deste « tesouro ».(…) E não há perigo de exagerar no cuidado que lhe dedicamos, porque, « neste sacramento, se condensa todo o mistério da nossa salvação ». Em continuidade com o ensinamento de seu Predecessor, a partir da solenidade do Corpus Domini de 2008, o Santo Padre Bento XVI começou a distribuir aos fieis o Corpo do Senhor, diretamente sobre a língua e estando eles ajoelhados.

Tradução: Blog Sal e Luz

Aborto de anencéfalos: colisão de direitos fundamentais (I)

1. INTRODUÇÃO

 O presente artigo analisa a questão da colisão de direitos fundamentais no caso de aborto de fetos anencéfalos. Com efeito, os direitos fundamentais são assegurados em nossa Carta Política de 1988, em regra, àqueles que são nascidos, não havendo, no entanto, qualquer restrição desses direitos àqueles que ainda estão por nascer. Ademais, a Constituição Federal consagrou como um dos princípios fundamentais a dignidade da pessoa humana. Embora não se possa falar, em sentido jurídico, em personalidade antes do nascimento, mas em ser humano em potencial, aos indivíduos (gestante e feto) são assegurados direitos fundamentais individuais, levando em conta a dignidade de cada um deles.

No entanto, é preciso observar que às vezes quando se garante direitos fundamentais a um indivíduo, não é raro que estes direitos garantidos possam entrar em choque com os direitos fundamentais de outro indivíduo, surgindo assim uma autêntica colisão de direitos fundamentais. Mas como solucionar este problema quando se tem de um lado o direito à vida, entendido como direito a nascer de um feto anencéfalo, com o direito à liberdade de escolha da gestante que, diante da cirscunstância, pretende abortar?

 Este artigo objetiva responder a questão da colisão entre o direito à vida e o direito à liberdade, analisando uma possível solução para um caso concreto. Tal colisão não é tão fácil de ser resolvida, pois está entrelaçada com questões científicas, filosóficas, religiosas, morais, psicológicas e, consequentemente, jurídicas.

2. DESENVOLVIMENTO

 A Constituição, hodiernamente entendida como um conjunto de normas jurídicas que organiza os elementos constitutivos do Estado como a sua forma e sistema de governo, a aquisição e exercício do poder, bem como a instituição dos órgãos estatais e os limites de sua ação, tem também consagrado em seu bojo os direitos fundamentais do ser humano e as suas garantias.

Data de 1215 na Inglaterra que, pela primeira vez, foi elaborada uma carta assegurando alguns direitos fundamentais, denominada de Magna Carta,muito embora os direitos garantidos nesta carta não fossem declarações de direitos conforme entendimento moderno. Os direitos fundamentais entendidos na modernidade só viriam a aparecer no século XVIII com a Declaração de Virgínia (1776) e com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), esta última possuindo um caráter de universalidade, pois aspirava ser válida para toda a humanidade. Em 1948, com o fim da Segunda Guerra Mundial e com a criação da ONU, outro passo concreto foi dado no sentido de se dar um caráter universal aos direitos do homem, com a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A idéia de garantir a efetividade dos direitos fundamentais encontrou respaldo quando estes direitos foram passados para o corpo das Constituições dos Estados, ainda que alguns inicialmente tenham sustentado que “as declarações de direitos incorporadas às Constituições não seriam mais que princípios filosóficos e morais,sem valor jurídico”. José Afonso da Silva citando Biscaretti di Rufia, diz que a primeira Constituição a inserir direitos fundamentais foi a Constituição Belga de 1831; no entanto, ele faz a ressalva que este autor desconhecia a Constituição Brasileira de 1824, pois esta já constava um título assegurando garantias dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros.

Portanto, no Brasil os direitos fundamentais já foram inseridos na Constituição desde a sua primeira Carta Constitucional. Já a segunda Constituição brasileira destinava uma seção com o título Declaração de Direitos, assegurando a inviolabilidade dos direitos dos brasileiros e estrangeiros residentes no país no que tangia à liberdade, segurança e propriedade. A partir da Constituição de 1934, com exceção da Constituição de 1937 que fora promulgada sob um regime ditatorial, as Constituições posteriores não só constavam direitos e garantias individuais, bem como os direitos de nacionalidade e os direitos políticos; muito embora as Constituições de 1967 e 1969 houvesse dispositivos que excluíam da apreciação judicial os atos praticados com base em atos institucionais. A Constituição de 1988 adotando técnica mais moderna inicia-se com um título sobre os princípios fundamentais do Estado e já no título II cita os direitos e garantias fundamentais, incluindo tanto os direitos individuais como também os direitos de nacionalidade, direitos sociais e políticos.

Não é tarefa das mais fáceis conceituar o que são os direitos fundamentais, visto que estes direitos têm recebido várias expressões no decorrer dos tempos. No entanto, é de suma importância recorrer a essas expressões consagradas para se verificar como a terminologia é abrangente. Os direitos fundamentais do homem aparecem como direitos naturais, direitos individuais, direitos públicos subjetivos, liberdades públicas, entre outros. (É preciso ressaltar que existe algumas nuances entre estas expressões).  Ficaremos, no entanto, com a expressão direitos fundamentais do homem, pois tal expressão é a mais utilizada por alguns constitucionalistas brasileiros.

Com base em nosso ordenamento jurídico constitucional, José Afonso da Silvaclassificou os direitos fundamentais em cinco espécies:

1. Direitos individuais: são aqueles direitos assegurados ao homem enquanto indivíduo, presentes no artigo 5º;

2. Direitos coletivos: direitos que são garantidos ao homem membro de uma coletividade, também presentes no artigo 5º da Constituição Federal;

3. Direitos sociais: espécie de direitos garantidos ao homem em suas relações sociais e culturais, estão presentes nos artigos 6º e 193 da Constituição;

 4. Direitos à nacionalidade: são direitos assegurados ao homem-nacional, definindo a nacionalidade e suas faculdades, estão estes direitos assegurados no artigo 12;

5. Direitos políticos: direitos atribuídos aos cidadãos ou também denominados como direitos de participação na política, constantes nos artigos 14 a 17 da Carta Constitucional.

( continua aqui ) 

Resposta a um visitante raivoso

Sempre tenho recebido visitantes raivosos neste blog atacando minhas posições e ideias. Diante da interpelação de um visitante resolvi responder. Seguem minhas respostas:

A moral – fruto de consenso de cada época? – uma ova!. Isto é uma falácia! Se você notar vai ver que em todas as sociedades, de um modo geral, matar é imoral (claro que há exceções… matar para se defender não entra neste quesito); o furto/roubo sempre foi considerado  imoral; o sexo desregrado é algo não aceitável e nem mesmo desejável; o estupro, mal visto, etc… Você pode tentar argumentar que tudo isto sempre esteve presente em cada sociedade, mas de um modo geral, nunca plenamente aceitável; no muito, tolerável em algumas comunidades.

Já esta história de verdade relativa é uma bobagem. Dizer que a verdade é relativa é dogmatizar uma ideia. A afirmação “a verdade é relativa” como pode ser acreditada, se não existe uma verdade? a própria frase se torna relativa e se não existe verdade como pode ser verdade a frase “a verdade é relativa”?  Falando assim você está já absolutizando uma verdade. Ora bolas. Quando digo verdade, não estou dizendo qualquer verdade, estou dizendo em maiúscula ” A VERDADE”. E quem é esta Verdade? Deus!!! Verdade absoluta.

No que tange à sua afirmação que o cristianismo é “uma pedra de tropeço no caminho do progresso” é ignorância demais! Você sabe quem modelou a sociedade ocidental? o cristianismo! Você sabe quem foi Mendel? era um monge católico! O que seria da filosofia sem um Santo Agostinho ou um Sâo Tomás de Aquino? A contribuição da Igreja para o desenvolvimento da ciência foi enorme; muitos cientistas foram padres: Pe. Nicholas Steno, é considerado o  “pai da geologia”.O “pai da egiptologia” foi o padre Athanasius Keicher. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi o Pe. Giambattista Riccioli. Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atômica. Os jesuítas se dedicavam ao estudo dos terremotos tal que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas. Só para aparecer como exemplos. Tenho muitos outros…

Dr. Thomas Woods, PhD pela Harvard, aponta em sua obra as enormes contribuições da Igreja Católica para a construção da civilização ocidental e mais, ela salvou a civilização ocidental dos bárbaros que invadiam a Europa. O historiador J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que: “A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”.
O conceito de direito internacional como visto hoje teve contribuição considerável das universidades espanholas e o “pai do direito internacional” é o padre Francisco de Vitória. A formulação dos direitos, que surgiu da civilização ocidental, não veio de John Locke e Thomas Jefferson, mas muito antes, das leis canônicas da Igreja Católica.

Por fim, quem quer incluir religião na Constituição Federal? não vi nenhum cristão dizendo que tem que colocar a religião cristã na CF, mas já vi anticristãos defenderem o fim dos cristãos, a morte de Deus, o extermínio dos fanáticos católicos ou evangélicos com fundamento nos direitos constitucionais. A CF serve para diminuir o poder estatal e garantir direitos a todos, mas é preciso que a CF esteja de acordo com a maioria dominante no país sem deixar de defender a minoria. Numa democracia, a opinião da maioria deve ser aceita e não a imposição da minoria (isto é o que está acontecendo em alguns países ocidentais).

O abraço que cura

Esta fotografia é de um artigo intitulado “O abraço Mágico” e foi publicado na NewsWeek.
O artigo descreve detalhadamente a primeira semana de vida dois bebés gémeos.
Cada um deles estava na sua incubadora e um tinha uma esperança de vida muito reduzida e estava previsto que não sobrevivesse.
Uma enfermeira quebrou as regras do hospital e juntou os bebés numa única incubadora. Quando foram colocados em conjunto, o bebé saudável abraçou a irmã.
Ela estabilizou o batimento cardíaco e a temperatura corporal atingiu os valores normais.
O amor é capaz de curar até fisicamente…
 
Fonte: Vizinho de útero

Propaganda política a favor da família causa polêmica

A inserção do PSC (Partido Social Cristão) veiculado na TV está causando polêmica entre os grupos defensores dos “direitos” dos gays. Na inserção de apenas 30 segundos (você pode vê-la abaixo), o partido defende a família como protagonista da criação de um bairro, cidade ou país. Claro, a expressão Homem + Mulher + Amor = Família foi considerada homofóbica, pois, segundo dizem, não incluiu a relação homem com homem ou mulher com mulher. Ademais, afirmam alguns gays, o partido que é composto de maioria de pastores evangélicos quer colocar o Cristianismo acima da Constituição Federal. Esses mesmos senhores que criticam a inserção do partido são os defensores da liberdade de expressão, da tolerância, do amor sem preconceito. Só que a defesa desses valores só vale quando é dirigida a eles. De fato, muitos têm se revelado intolerantes, preconceituosos e desejosos de tirar a liberdade de expressão dos cristãos, quando estes defendem valores ou posições que são contrárias às deles. Direitos iguais para todos!!!

 

Por que um ano da fé e não um ano mariano?

Desde o início do ano os católicos se mobilizaram para solicitar do Papa  um ano mariano em comemoração pelos 300 anos do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” de São Luís Maria Grignon de Montfort. No entanto, o Papa convocou neste último domingo um ano dedicado à Fé, a ser realizado de outubro de 2011 a outubro de 2012, em comemoração pelos 50 anos de início do Concílio Vaticano II.

A respeito disso, é preciso analisar o porquê de um Ano da Fé e não um Ano Mariano? Segundo o próprio Papa em seu livro “A Fé em crise?”, nós vivemos um período em que a fé católica está em crise e não é somente a sociedade moderna que perdeu a fé, mas também os católicos. A crise de fé é muito pior entre aqueles que estão dentro da Igreja do que com aqueles que estão fora; pois quem está fora, em certo sentido, já abandonou a fé, não crê e não se preocupa mais se Deus existe ou não. Mas quem está dentro da Igreja, ainda possui uma “chama que ainda fumega”, mas que está quase apagando. Claro, podemos dizer que muitos que tinham fé católica, hoje não a tem mais, são verdadeiros apóstatas. Diante disso, convocar um ano da Fé é mais urgente. A devoção à Virgem Maria é mais um artigo de fé, mas não é a fé total. Se hoje a devoção à Virgem Maria é relegada a segundo, terceiro plano é porque não se tem mais fé naquilo que a Igreja sempre acreditou: Deus preparou e quis a Virgem Maria em vista do Seu Filho e, através dela, forma Jesus no coração dos fiéis. Ademais, ressaltamos que antes de venerar e devotar a Virgem Maria faz-se necessário que se creia no plano de salvação: que Cristo veio ao mundo para libertar o homem das garras de satanás e fez isto pelo sim desta Mulher. Então a fé como está no Símbolo dos Apóstolos é muito mais ampla. Daí que o Papa convocando um ano para restauração da fé, acaba contemplando também a devoção à Santíssima Virgem, pois dentro do plano da salvação Ela é uma peça fundamental.

Wikipedia censura informação contrária ao aborto

Fonte: Acidigital

A agência AICA informou que o site em inglês da enciclopédia online Wikipedia bloqueou a publicação de informação científica contrária ao aborto, diante dos insistentes esforços de um grupo de jovens locais que buscou dar aos usuários desse site acesso a prestigiosos estudos sobre a síndrome pós- aborto.

Conforme informa AICA, um grupo de jovens estudantes do colégio Mallinckrodt de Buenos Aires, motivadas por uma investigação realizada em uma aula de biologia sobre o síndrome post aborto (SPA), comprovaram que a Wikipedia em inglês, nega que o SPA esteja reconhecido por alguma “organização médica ou psicológica e que seus riscos de depressão ou suicídio não são reconhecidos pela literatura científica”.

“As jovens reuniram uma extensa documentação científico-médica de reconhecimento internacional e tentaram carregar os dados obtidos de instituições oficiais e ONGs de distintos países na Wikipedia para conhecimento geral”, indicou AICA.

“Quisemos demonstrar que estava tratado cientificamente em muitos livros e por muitos cientistas como por exemplo o Dr. Reardon, diretor do Elliot Institute Springfield, ou o Dr. Phillip Ney, quem realizou trabalhos a respeito e Mika Gissler, Elina Hemminki, Jouko Lonnqvist, entre outros”, afirmaram.

“Quisemos pôr simplesmente “dados”, obtidos de lugares confiáveis como por exemplo STAKES (Finland’s National Research and Development Center for Welfare and Health) em um estudo realizado na Finlândia, resultados que foram publicados pelo British Medical Journal e o WEF (World Economic Fórum), ou o estudo realizado pelo Dr. Elard Koch no Chile cujo estudo foi apresentado em janeiro de 2010 na reunião inaugural do International Working Group for Global Women’s Health Research, em Washington, Estados Unidos, outros pela University of Minnesota, ou estudos do Center Bio-Ethical Reform obtidos do Alan Guttmacher Institute and Planned Parenthood’s Family Planning Perspectives nos Estados Unidos, entre outros tantos mais”.

Embora a informação das jovens tenha aparecido na Web por umas horas, “pouco tempo depois não estava mais e em troca tinha uma mensagem que nos proibia seguir publicando informação nas próximas 24 horas”.

“Passadas as 24 horas publicamos novamente, agora em tom nitidamente descritivo e citando muitíssimo, já que nos objetaram que não tínhamos justificado o suficiente”.

“Apesar disto, recebemos uma mensagem novamente, esta vez bloqueando-nos por duas semanas e dizendo que se seguíamos publicando seríamos bloqueados definitivamente da Wikipedia”.

“Tentamos discutir no foro de discussão, e embora tenhamos conseguido pôr o estudo do Chile, responderam-nos sem nenhum tipo de argumentação científica que não era válido; não nos deixaram publicar nada mais”.

As jovens estudantes manifestaram sua indignação ante a censura e discriminação sofrida, “como é possível que não se permita publicar sobre estes temas? Nem sequer nos permitiram realizar uma contribuição científica e objetiva”.

Os 40 minutos de Esther

A vida deve ser preservada desde a concepção até à morte natural, independente de qualquer coisa. Foi com esse pensamento que a obstetra brasileira, Quésia Tamara Villamil, resolveu levar em frente a sua gravidez, mesmo sabendo que o bebê que estava sendo gerado possuía um alto grau de anencefalia (a anencefalia não é a ausência total do cérebro, como afirmam alguns). Esther, nasceu em 29 de junho de 2011 e permaneceu viva por apenas 40 minutos, mas sua mãe não se arrependa de ter dado à luz… O relato pode ser lido em http://www.nucleobemnascer.com.br/relato-de-partos/quesia-tamara
Abaixo você poderá ver o diário da gestação de um bebê com anencefalia, que não é um martírio insuportável (embora seja sofrido) como apregoam os defensores do aborto:

Carta Apostólica Porta Fidei – A porta da fé

1. A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar aquela porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início com o Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22). Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor.
 
2. Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude» . Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.
 
3. Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De facto, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.
 
4. À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II, com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. Esta obra, verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II, foi desejada pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese e foi realizado com a colaboração de todo o episcopado da Igreja Católica. E uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos foi convocada por mim, precisamente para o mês de Outubro de 2012, tendo por tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé. Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, proclamou um semelhante, em 1967, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho. Idealizou-o como um momento solene, para que houvesse, em toda a Igreja, «uma autêntica e sincera profissão da mesma fé»; quis ainda que esta fosse confirmada de maneira «individual e colectiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca». Pensava que a Igreja poderia assim retomar «exacta consciência da sua fé para a reavivar, purificar, confirmar, confessar». As grandes convulsões, que se verificaram naquele Ano, tornaram ainda mais evidente a necessidade duma tal celebração. Esta terminou com a Profissão de Fé do Povo de Deus, para atestar como os conteúdos essenciais, que há séculos constituem o património de todos os crentes, necessitam de ser confirmados, compreendidos e aprofundados de maneira sempre nova para se dar testemunho coerente deles em condições históricas diversas das do passado.
 
5. Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar» , bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa». Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja».
 
6. A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática Lumen gentium, afirma: «Enquanto Cristo “santo, inocente, imaculado” (Heb 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Heb 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja “prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus”, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz».
Nesta perspectiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os homens à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. Act 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Baptismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Rm 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afectos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que actua pelo amor» (Gl 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de acção, que muda toda a vida do homem (cf. Rm 12, 2; Cl 3, 9-10; Ef 4, 20-29; 2 Cor 5, 17).
 
7. «Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos. Os crentes – atesta Santo Agostinho – «fortificam-se acreditando». O Santo Bispo de Hipona tinha boas razões para falar assim. Como sabemos, a sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé enquanto o seu coração não encontrou descanso em Deus. Os seus numerosos escritos, onde se explica a importância de crer e a verdade da fé, permaneceram até aos nossos dias como um património de riqueza incomparável e consentem ainda a tantas pessoas à procura de Deus de encontrarem o justo percurso para chegar à «porta da fé».
Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.
 
8. Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao Sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo.
 
9. Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é «a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde emana toda a sua força». Simultaneamente esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada e reflectir sobre o próprio acto com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano.
Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Baptismo. Recorda-o, com palavras densas de significado, Santo Agostinho quando afirma numa homilia sobre a redditio symboli (a entrega do Credo): «O símbolo do santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele».
 
10. Queria agora delinear um percurso que ajude a compreender de maneira mais profunda os conteúdos da fé e, juntamente com eles, também o acto pelo qual decidimos, com plena liberdade, entregar-nos totalmente a Deus. De facto, existe uma unidade profunda entre o acto com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento. O apóstolo Paulo permite entrar dentro desta realidade quando escreve: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração indica que o primeiro acto, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e acção da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo dela mesma.
A este respeito é muito eloquente o exemplo de Lídia. Narra São Lucas que o apóstolo Paulo, encontrando-se em Filipos, num sábado foi anunciar o Evangelho a algumas mulheres; entre elas, estava Lídia. «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia» (Act 16, 14). O sentido contido na expressão é importante. São Lucas ensina que o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração – autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça, que consente de ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus.
Por sua vez, o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um facto privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E este «estar com Ele» introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita. A fé, precisamente porque é um acto da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita. No dia de Pentecostes, a Igreja manifesta, com toda a clareza, esta dimensão pública do crer e do anunciar sem temor a própria fé a toda a gente. É o dom do Espírito Santo que prepara para a missão e fortalece o nosso testemunho, tornando-o franco e corajoso.
A própria profissão da fé é um acto simultaneamente pessoal e comunitário. De facto, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. É na fé da comunidade cristã que cada um recebe o Baptismo, sinal eficaz da entrada no povo dos crentes para obter a salvação. Como atesta o Catecismo da Igreja Católica, «“Eu creio”: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. “Nós cremos”: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. “Eu creio”: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: “Eu creio”, “Nós cremos”».
Como se pode notar, o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor.
Por outro lado, não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De facto, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre». Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para se pôr a caminho ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele não tivesse já vindo ao nosso encontro. É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé.
 
11. Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II. Na Constituição Apostólica Fidei depositum – não sem razão assinada na passagem do trigésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II – o Beato João Paulo II escrevia: «Este catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial (…). Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial».
É precisamente nesta linha que o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de facto, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé.
Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na verdade, a seguir à profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está presente e operante, continuando a construir a sua Igreja. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração.
 
12. Assim, no Ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural. Com tal finalidade, convidei a Congregação para a Doutrina da Fé a redigir, de comum acordo com os competentes Organismos da Santa Sé, uma Nota, através da qual se ofereçam à Igreja e aos crentes algumas indicações para viver, nos moldes mais eficazes e apropriados, este Ano da Fé ao serviço do crer e do evangelizar.
De facto, em nossos dias mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provêm duma diversa mentalidade que, particularmente hoje, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. Mas, a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas tendem, embora por caminhos diferentes, para a verdade.
 
13. Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.
Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.
Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lc 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lc 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mt 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. Jo 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lc 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Act 1, 14; 2, 1-4).
Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Mc 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lc 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. Jo 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.
Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Act 2, 42-47).
Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.
Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4, 18-19).
Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Ap 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.
Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.
 
14. O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra de realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Ped 3, 13; cf. Ap 21, 1).
15. Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2 Tm 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2 Tm 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.
Que «a Palavra do Senhor avance e seja glorificada» (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24) , são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.
À Mãe de Deus, proclamada «feliz porque acreditou» (cf. Lc 1, 45), confiamos este tempo de graça.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 11 de Outubro do ano 2011, sétimo de Pontificado.

Que tal um milagre em troca de um depósito?

The Cristian Post

O ‘Milagre Card’ é uma idéia inovadora criada por um pastor da igreja Assembleia de Deus que propõe o alcance de um milagre em troca de um depósito bancário. Segundo o PbAgora, o Milagre Card, um cartão de visitas na qual o pastor disponibiliza duas contas correntes para o depósito, foi criada pelo Pastor Missionário Clóvis Lopes do Ministério Assembleia de Deus Pentecostal Pai Nosso. No cartão, Lopes promete a “cura e libertação” e oferece mensagens de motivação como: “Agindo Deus, quem impedirá”. Através do cartão o fiel pode fazer um depósito nas contas bancárias indicadas do Banco Real e outra do Banco do Brasil, pertencentes a ele e à Missionária Maria Lenice Moisés de Oliveira, sem valor estipulado. O cartão é mais uma das ferramentas para otimizar o recebimento de dízimos, doações e apoio à igreja evangélica. Críticos, entretanto, comparam tais igrejas, especialmente às neopentecostais, com grandes empreendimentos de geração de capital, que buscam arrecadar dinheiro de inúmeras formas possíveis. Apologistas acreditam que existe uma crise de ética nessas igrejas e superficialidade na fé relacionada com falta de hermenêutica sadia. Citando a ausência de ética cristã em algumas igrejas neopentecostais, o apologista Johnny T. Bernardo explica que “A ética cristã pressupõe defesa dos bons costumes, da moral e de uma vida pautada nas Escrituras Sagradas…”. A quantia de dinheiro requerida vinda dos fiéis para alguns empreendimentos muitas vezes surpreende. Um exemplo disso é a construção do templo de Salomão pela Igreja Universal do Reino de Deus que possui um custo estimado em torno de R$ 200 milhões. Pastores justificam a quantidade e forma de arrecadação pela necessidade de manutenção dos templos e de outros programas como de televisão e rádio.

A verdadeira defesa da ecologia

Posto abaixo um trecho da homilia do Bispo da diocese de Frederico Westphalen, Dom Antonio Rossi Keller sobre a verdadeira defesa da ecologia:

«Como eu posso defender, por exemplo, a natureza, os ovos das tartarugas, as plantas – e nós devemos fazer isso – e não defender a vida humana? Como eu posso propugnar uma ecologia natural e aceitar aquilo que destrói a vida – a miséria, a injustiça – e o que destrói a vida na sua origem – o aborto? Como é possível amar a natureza e não amar o ser humano para o qual Deus criou a natureza? Nós temos que defender a natureza na sua totalidade, na sua globailidade, em todos os aspectos nos quais ela manifesta a vontade de Deus; que é o Deus da vida, o Deus da existência, o Deus da Verdade, da Justiça e do Amor. [...]

Irmãos e irmãs, para nós cristãos a verdadeira ecologia representa antes de tudo uma atitude de respeito ao dom que nós recebemos de Deus. A ecologia é para nós cristãos uma questão de fé, porque nós somos chamados a defender aquilo que Deus criou. É inaceitável para quem quer amar a Deus não amar o que saiu das mãos misericordiosas e amorosas de nosso Deus. (…) É preocupante o fato de que frequentemente muitos daqueles grupos sociais e políticos – que de forma admirável estão em harmonia com a maravilha da criação – que eles não dêem tanta atenção para, p.ex., a maravilha do ser humano no útero da sua mãe. Nós queremos a ecologia global, a ecologia completa, que envolva toda a obra da Criação, desde a natureza que Deus fez para que nós pudéssemos desfrutá-la até o ser humano, imagem e semelhança de Deus». Dom Antonio Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphal

Governo dá concessão a mais um novo canal de TV de inspiração “Católica”.

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Foi assinada esta semana a concessão de um novo canal de TV de inspiração católica. A TV pertence à Fundação Dom José Heleno, de Governador Valadares – MG, que tem como fundador o Padre José Geraldo de Assis Pereira e os membros do Instituto de Missionários Leigos. Segundo o site da CNBB, o ex-presidente Lula assinou o decreto de concessão da TV em 2009 (para mim já é um fato um pouco estranho). Ainda segundo o site supra, o Instituto tem como espiritualidade os exercícios de Santo Inácio de Loyola e se baseia no método das Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s). Quando li isso, aí entendi porque a concessão. Talvez será um canal que falará a língua da esquerda, repleta de ideias da teologia da libertação de cunho marxista (Esperemos para ver. Tomara que eu esteja errado). Se se confirmar minhas expectativas, o governo do PT só poderia apoiar tal iniciativa. Se fosse uma TV católica conservadora, com certeza, teria maior dificuldade para a concessão. Só lembrando que as TV´s católicas Canção Nova e Século XXI tiveram concessão sob o governo do PSDB (um pouco mais tolerante com o catolicismo conservador do que o PT).

Acuse os outros daquilo que tu és!

Recentemente recebi alguns e-mails afirmando que meu trabalho aqui no blog é de destruição e que não vêem nada de construtivo neste blog. Outro dizia que era uma espécie de farisaísmo esse “apego” às normas litúrgicas (se referindo a um post contra os abusos litúrgicos que se cometem em nossas igrejas). Ora, esses e-mails me fizeram pensar. Então pensei e resolvi escrever. O blog não tem intenção de destruir nada, mas o que faço é o contrário: estou aqui denunciando o que os outros estão destruindo. Se mostro, por exemplo, que há abuso litúrgico em nossas igrejas, relativização da moral católico por parte de clérigos e ataques virulentos da esquerda contra os conservadores, estou fazendo o quê? Mostrando o que eles estão destruindo. Não sou eu que estou destruindo nada. Destroem a liturgia católica com esse bando de invenciones estranhas na santa missa, fazendo a missa parecer mais um culto protestante ou uma festa bagunçada. Relativizam a verdade, dizendo absurdos como “não existe verdade, cada um tem a sua”. A moral, para esses relativistas, é fruto de um consenso de cada época. Esse bando de ignorantes só fazem o que sugeriu Lênin: acuse os outros daquilo que você é. Sim, me acusam de nada construir, sendo que são eles que nada constroem, só sabem destruir o que já existe há séculos e depois que destroem, não conseguem fazer nada. Ademais, me acusar de fariseu é só me lembrar que sou pecador e preciso todos os dias de arrepedimento e conversão. Ademais, o fariseu está apegado às formalidades exteriores e nem estão aí com o interior. Fiquem sabendo que não é o meu caso: se quero, por exemplo, uma liturgia bonita e obediente às normas da Igreja é porque interiormente estou convencido que a beleza salvará o mundo, salvará também a mim. O meu interior busca a beleza sem igual, mas vivo aqui me contentando com o belo intermediário a fim de que um dia eu veja o Belo por excelência. Por fim, é necessário que esses poucos críticos do blog deveriam estudar mais, pois não conseguem nem discernir do que estou falando, daquilo que não estou falando.

 

A imagem de Nossa Senhora Aparecida

História da Imagem

No início de Outubro de 1717, chegou a notícia de que o novo Governador da Província de São Paulo e Minas passaria, em sua viagem, pela vila de Guaratinguetá.

As autoridades recrutaram os pescadores da vila a fim de recolherem no Rio Paraíba uma grande quantidade de peixes que permitisse fazer um banquete para receber o Governador. Vários barcos de pesca se incumbiram da tarefa, no dia 16 de Outubro.

Após 12 horas no rio, que normalmente tinha peixes em abundância, quase todos desistiram, ficando apenas 2 canoas. Elas pertenciam a Domingos Alves Garcia e seu filho João Alves, e a Felipe Pedroso, cunhado de Domingos e tio de João.

Considerando que estava anoitecendo, tentaram mais uma vez jogar as redes. João Alves recolheu a rede vazia, exceto por uma pequena imagem sem cabeça, de uma santa, com cerca de 40 cm.

Confusos, eles a embrulharam em suas camisas e tentaram novamente jogar a rede. A surpresa maior veio então: a pequenina cabeça da escultura, muito menor do que as malhas da rede, foi trazida ao barco, sem que eles entendessem como não havia escapado da rede e caído nas águas.

Novamente colocaram a imagem com cuidado envolta em suas roupas e lançaram a rede ao rio. Para surpresa de todos, a rede ficou tão pesada, cheia de peixes, que, em apenas dois lançamentos, eles encheram os barcos, e voltaram à vila.

Antes de se dirigir à Câmara, entregaram os pedaços da estátua a Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João, que reuniu as 2 partes com cera, e a colocou num pequeno altar de família, agradecendo à Nossa Senhora o milagre dos peixes que rendeu o suficiente para sua família se estabelecer.

A estátua é feita de terracota, argila que foi modelada e queimada em forno, e mede 39 cm de altura. Pesa cerca de 4 quilos. Pode ter sido originalmente pintada, mas depois de ficar anos no leito do rio o material escureceu, adquirindo uma cor castanho dourada.

Conseguiu-se analisar a argila de que foi feita, e constatou-se que se origina da região de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, mas a autoria da escultura é obscura. Sabe-se que na época vivia em Santana do Parnaíba um monge beneditino escultor, Frei Agostinho de Jesus, cujo estilo é bem definido: lábios sorridentes, covinha no queixo, flores em relevo nos cabelos e broche com perolas no cabelo, e todos estes detalhes existem na imagem aparecida do rio.

Especialistas em arte barroca reconhecem nela o estilo seiscentista.
As duas partes da imagem foram definitivamente reunidas no ano de 1946, quando um especialista as uniu com um pino de ouro interno e completou o acabamento externo.

A estátua passou por uma destruição considerável em 1978, quando, num atentado, foi quebrada em 200 fragmentos. Foi totalmente reconstituída pelas mãos da especialista em restauração do Museu de Arte de São Paulo, Maria Helena Chartuni.

A cor de canela da escultura tem sido interpretada como um vínculo simbólico com a mistura racial da população brasileira, e de fato um dos primeiros milagres operados por intercessão de Nossa Senhora Aparecida foi a libertação de escravos acorrentados.

Ainda hoje é possível ver as correntes que se soltaram sozinhas dos escravos, no teto da Sala dos Milagres da Basílica.

Fonte: Brasil site

O polêmico Rafinha Bastos

  Todos que acompanham os meios de comunicação já ouviram falar de Rafael Bastos, humorista do CQC (ou melhor, ex-CQC). O jornal americano The New York Times  publicou um artigo no qual afirma que Rafinha Bastos é o mais influente do Twitter, deixando para trás Obama, Justin Bieber e outros. O cara só envolve em polêmicas. Recentemente, foi afastado do programa CQC da  Rede Bandeirantes devido às suas piadas inadequadas. No site da Revista Rolling Stones, sob o título “A graça de um herege” (http://rollingstone.com.br/edicao/56/a-graca-de-um-herege) você pode ver mais uma polêmica desse apresentador que, com certeza, a mídia não vai noticiar: é uma foto em que ele aparece coroado de espinhos (como Cristo). Ele se diz judeu,mas confessa que gosta de fazer piadas com a religiosidade. O engraçado é que a imprensa nem noticia esse fato, pois adora ver o cristianismo ser atacado, ridicularizado. Imagina, se o tal apresentador ridicularizasse Maomé (provavelmente seria morto).Ele tem coragem de ridicularizar Cristo, pois sabe que os cristãos atuais são frouxos, andam mais preocupados com a “Mãe terra”, com o aquecimento global, com os capitalistas do que com Cristo. Rafinha Bastos (como é chamado) também se declara a favor do aborto. Penso que já era hora desse cara tomar o seu rumo na TV e agora ele tomou: pediu demissão da Band. Somos a favor do humor (ele é sadio), mas há um limite tolerável para o humor e Rafael Bastos extrapolou o limite.
 

E se Steve Jobs tivesse sido abortado?

Se Steve Jobs, o cofundador da Apple, tivesse sido abortado teríamos hoje a Apple, o Ipad, os Tablets, Iphone, etc? Pergunto isso, pois ele mesmo disse que era fruto de uma gravidez indesejada. Se naquela década de 1950, sua mãe fosse orientada pelas feministas atuais, com certeza ele não teria nascido.

Será que o mundo atual não está mandando muitos Steves Jobs para o lixo?

Até o L´Osservatore Romano fez uma homenagem a Steve Jobs com um artigo. “Steve Jobs é um dos símbolos e protagonistas da revolução informática, que transformou a mentalidade e a cultura do mundo” – expressou o jornal do Vaticano.

Parece brincadeira, mas aqueles fetos (bebês) com grandes chances de serem abortados, devido às circunstâncias mais diversas, se tornam pessoas com futuros promissores. Vejam a lista: Steve Jobs, Beethoven, Ethel Walters, João Paulo II, etc.

 

Santa Faustina pode se tornar doutora da Igreja…

Segundo noticiou o site de notícias Zenit, alguns cardeais presentes no II Congresso Mundial da Divina Misericórdia, realizado em Cracóvia no começo de outubro, assinaram uma carta solicitando do Santo Padre, o Papa Bento XVI, que seja aberto o processo para que Santa Faustina seja considerada doutora da Igreja. Tal título é dado àqueles que ensinaram a doutrina da Igreja com clareza, simplicidade e profundidade. O famoso Diário de Santa Faustina relata sua vida interior, bem como as manifestações de Jesus Misericordioso àquela que Ele mesmo a chamou de “secretária da minha misericórdia”.
Até agora, a Igreja declarou como doutora da Igreja Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena e Santa Terezinha do Menino Jesus. Se se confirmar o pedido dos prelados presentes no congresso, Santa Faustina será a quarta mulher a ser declarada doutora da Igreja. Santa Faustina foi beatificada e canonizada pelo Beato João Paulo II, o Grande, também polonês e quem deu impulso ao processo de beatificação da candidata ao doutorado. Vale ressaltar que o saudoso papa e agora beato era um grande propagador da devoção à Divina Misericórdia e foi sob o pontificado de João Paulo II que o segundo domingo da Páscoa foi solenemente declarado Domingo da Misericórdia – Festa pedida por Jesus a Santa Faustina e por providência, o Papa faleceu na véspera dessa festa que ele mesmo instituiu.

 

Documentário sobre São Josemaria Escrivá

Acabo de assistir um documentário sobre São Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei.

Você pode ver o trailler abaixo e se quiser assistir o documentário inteiro, ele pode ser visto na internet (www.inspiradosparaamar.org / www.inspiredtolove.org) ou baixado gratuitamente por meio do site.

Foto polêmica: Encontro diocesano de Grupos de Reflexão dá “exemplo” de liturgia…

Devido à problemas com direitos autorais, precisei retirar a foto. O autor do site solicitou a retirada, o que prontamente atendi, pois ele detém o direito autoral sobre a foto.

Se quiserem ver poderão acessar o site: http://www.aparecidapassos.org/site/index.php?option=com_content&view=article&id=236:irmao-mariano-fala-dos-gr&catid=4:grupos-de-reflexao&Itemid=11

Bispo de Guaxupé – MG, Dom José Lanza Neto celebra missa em Encontro diocesana de Grupos de Reflexão (da Bíblia). Atentem para o altar: uma simples mesa com uma modestíssima toalha, sem velas e sem o crucifixo.

Deixo mais um recado (embora aqui não seja o lugar): não quis denegrir a imagem de ninguém, nem do bispo, nem dos participantes no encontro. Só me ative à questão da liturgia, que queiram aceitar a verdade ou não, não é obedecida às normas litúrgicas da Igreja.

Não dê conselhos, dê exemplos!

Encontrei esse vídeo na internet e resolvi compartilhá-lo. É uma simples história, mas que mostra que o exemplo pode mudar o coração das pessoas…

Aprendendo com São Francisco de Assis

“Ao servo de Deus nada deve desagradar senão o pecado.”

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, em breve estarás fazendo o impossível.”

“Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente desttuído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.”

Record faz campanha pró-aborto

Rede Record, emissora da “cristã” Universal do Reino de Deus apoia o aborto. Assista abaixo:

“Papa não ligou para influenciar decisão no México”

O porta-voz da Santa Sé, Pe. Frederico Lombardi, em uma declaração, desmentiu que o Papa havia ligado para o México a fim de influenciar na decisão da Suprema Corte sobre o aborto. “Carece de fundamento” a opinião do Bispo de Mexicali, Dom Isidoro, que havia dito que a situação estava quase perdida na Suprema Corte, quando uma ligação do Papa mudou tudo. Segundo o porta-voz do Vaticano, o Papa respeita as decisões internas de cada país, em que pese ser um defensor da vida. A Suprema Corte em um comunicado também desmentiu que havia recebido telefonemas de autoridades eclesiásticas durante a sessão de julgamento.

Para relembrar: a Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) do México rejeitou, semana passada, por 8 votos a 5, a ação direta de inconstitucionalidade proposta contra os Estados que estavam “blindando” a vida desde a concepção nas constituições estaduais.

Como criar uma imagem negativa das viagens do Papa…

Fonte: Oblatvs

1) Prepare escrupulosa e antecipadamente cada visita ou viagem apostólica de Bento XVI:

a) crie uma bela polêmica sobre os custos da viagem;

b) selecione acuradamente as possíveis temáticas (padres pedófilos, declínio de fiéis, desobediência dos bispos [exceto no Brasil, onde isto não existe!]; eventuais contrastes com Protestantes, Judeus e Muçulmanos);

c) faça de forma que a viagem seja precedida de uma crescente escalada de polêmicas. Eventualmente e no último minuto, finja estar chocado com o comportamento da mídia [se você quiser parecer “independente” e imparcial];

d) apresente a viagem como “a mais difícil do Pontificado”;

e) dê a máxima ressonância às manifestações de protesto que estão sendo organizadas. Inflacione as cifras que os organizadores lhe fornecem e insinue que os manifestantes serão mais numerosos que os fiéis;

f) avise aos seus leitores que as Missas e as Vigílias presididas pelo Papa Bento ficarão certamente desertas;

g) evidencie o fato de que o Papa Bento não conhece a realidade dos vários países que visita porque vive fechado no Vaticano (acariciando gatinhos, escrevendo livros e tocando piano);

h) entreviste sempre Hans Küng [no Brasil serve Leonardo Boff], uma verdadeira garantia;

i) pergunte sempre ao Padre Lombardi se, durante a viagem, o Papa encontrará vítimas de padres pedófilos;

j) no dia do embarque do Papa, escreva um artigo absolutamente negativo sobre a viagem em que fique claro que ninguém está esperando o Papa e que ele será acolhido com a frieza do gelo siberiano;

k) se por acaso o Papa visita a Alemanha, não se esqueça de citar a famosa frase “Nemo propheta in patria”.

2) Quando você percebe, durante a viagem, que a realidade é bem diferente daquela que descreveu ou está descrevendo:

a) não desanime;

b) se você é um jornalista televisivo, entreviste sempre que lhe diz que preferia João Paulo II ou que está ali por curiosidade e não para ver Bento XVI. Entreviste preferivelmente padres e seminaristas;

c) mostre as imagens dos manifestantes contrários mesmo se são “quatro gatos pingados”. Particularmente: use a metade dos poucos segundos que o seu telejornal lhe dá para falar das manifestações e não daquilo que faz ou diz o Papa;

d) se você é um jornalista da mídia impressa, procure não evidenciar que nas manifestações antipapais havia “quatro gatos pingados” e entreviste o porta-voz dos manifestantes, o qual inflacionará o número se necessário;

e) jamais chame a atenção dos leitores para o fato de que nas manifestações não havia as multidões esperadas;

f) jamais evidencie o número de fiéis que, por contraste, acorrem para ouvir o Papa Bento;

g) recorde-se que cada manifestante seja contado em dobro e que cada fiel vale a metade;

h) se, durante a visita, ocorre um episódio sem qualquer importância (falso atentado, falsas ameaças…), evidencie isso e não a atividade do Papa!

i) se o Papa diz: “defendamos a família”, você escreve: “Anátema do Papa contra os casais de fato”;

j) procure simplificar ao máximo e, se possível, faça o Papa dizer aquilo que não disse e/ou aquilo que você pensa ter sido o único a perceber;

k) se o Papa encontra as vítimas dos padres pedófilos, você tem duas alternativas: faça com que o encontro se torne a única razão da viagem ou (a tendência que prevalece desde 2011) ignore o evento e prossiga;

l) não se esqueça, porém, de avisar a seus leitores que o Papa não falou explicitamente de padres pedófilos;

m) se o Papa, porém, falar disto, finja não ter ouvido;

n) entreviste  Hans Küng ;

o) se o Papa o surpreende, não lhe dê muita satisfação. Você sempre poderá dizer que este Pontífice tem uma linguagem complexa que não chega ao homem comum;

p) se você tem duas cifras disponíveis sobre a presença dos fiéis, indique sempre a mais baixa;

q) evidencie ao máximo que havia sim muitos fiéis mas que provavelmente estavam lá por curiosidade ou por acaso;

r) jamais escreva que estranhamente os fiéis são movidos pela curiosidade apenas quando o Papa Bento está medido no meio;

s) se puder, ignore totalmente o restante da viagem.

3) Quando a viagem foi concluída e você se dá conta de haver cometido, como sempre, uma quantidade exagerada de erros:

a) procure esquecer o mais depressa possível a viagem e não fale mais dela;

b) entreviste Hans Küng  para que ilumine os leitores com sua palavra.

II Congresso Internacional pela Vida

Divulgando: Acontece nos dias 03 a 05 de Novembro, no Mosteiro de São Bento em São Paulo – SP o II Congresso Internacional pela Vida com a presença de várias personalidades pró-vida.

 Inscrição: www.congressoprovida.com.br

Entrevista com um ex-maçom

“EU FUI MAÇOM”: MAURICE CAILLET

Confissões de um antigo maçom – Fonte: www.rainhadosapostolos.com 

Maurice Caillet, venerável de uma loja maçônica, revela segredos em «Eu fui maçom»

MADRI,

-Maurice Caillet, venerável de uma loja maçônica durante 15 anos, revela segredos da Maçonaria em um livro recém-publicado por «Libroslibres», com o título «Yo fui mazón» («Eu fui maçom»).

Rituais, normas de funcionamento interno, juramentos e a influência na política desta organização secreta saem agora à luz, em particular as implicações do juramento que obriga a defender outros «irmãos» maçons.

O volume revela também a decisiva influência da Maçonaria na elaboração e aprovação de leis, como a do aborto na França, da qual ele, como médico, participou ativamente.
Caillet, nascido em Bordeaux (França) em 1933, especializado em Ginecologia e Urologia, praticou abortos e esterilizações antes e depois de obterem de amparo legal em seu país. Membro do Partido Socialista Francês, chegou a cargos de relevância na área da saúde pública.

– Quando você entrou oficialmente na Maçonaria?
– Maurice Caillet: No início de 1970 me convocaram para uma possível iniciação. Eu ignorava praticamente tudo acerca do que me esperava. Tinha 36 anos, era um homem livre e nunca me havia afiliado a sindicato nem partido político algum. Assim, pois, uma tarde, em uma discreta rua da cidade de Rennes, chamei à porta do templo, cuja frente estava adornada por uma esfinge de asas e um triângulo que rodeava um olho. Fui recebido por um homem que me disse: «Senhor, solicitou ser admitido entre nós. Sua decisão é definitiva? Você está disposto a submeter-se às provas? Se a resposta for positiva, siga-me». Fiz um gesto de acordo com a cabeça. Colocou-me então uma venda preta sobre os olhos, segurou-me pelo braço e me fez percorrer uma série de passarelas. Comecei a sentir certa inquietude, mas antes de poder formulá-la, ouvi como se fechava a porta detrás de nós…

– Em seu livro «Yo fui mazón», você explica que a maçonaria foi determinante na introdução do aborto livre na França em 1974.

– Maurice Caillet: A eleição de Valéry Giscard d’Estaing como presidente da República francesa em 1974 levou Jacques Chirac a ser eleito primeiro-ministro, tendo este como conselheiro pessoal Jean-Pierre Prouteau, Grão-Mestre do Grande Oriente da França, principal ramo maçom francês, de tendência laicista. No Ministério de Saúde colocou Simone Veil, jurista, antiga deportada de Auschwitz, que tinha como conselheiro o Dr. Pierre Simon, Grão-Mestre da Grande Loja da França, com o qual eu mantinha correspondência. Os políticos estavam bem rodeados pelos que chamávamos de nossos «Irmãos Três Pontos», e o projeto de lei sobre o aborto se elaborou com rapidez. Adotada pelo Conselho de Ministros no mês de novembro, a lei Veil foi votada em dezembro. Os deputados e senadores maçons de direitas e esquerdas votaram como um só homem!

– Você comenta que entre os maçons há obrigatoriedade de ajudar-se entre si. Ainda é assim?

– Maurice Caillet: Os «favores» são comuns na França. Certas lojas procuram ser virtuosas, mas o segredo que reina nestes círculos favorece a corrupção. Na Fraternal dos Altos Funcionários, por exemplo, negociam certas promoções, e na Fraternal de Construções e Obras Públicas distribuem os contratos, com conseqüências financeiras consideráveis.

– Você se beneficiou destes favores?

– Maurice Caillet: Sim. O Tribunal de Apelação presidido por um «irmão» se pronunciou sobre meu divórcio ordenando custos compartilhados, ao invés de dirigir todos a mim, e reduziu a pensão alimentícia à ajuda que devia prestar a meus filhos. Algum tempo depois, após ter um conflito com meus três sócios da clínica, outro «irmão maçom», Jean, diretor da Caixa do Seguro Social, ao ficar sabendo deste conflito, me propôs assumir a direção do Centro de Exames de Saúde de Rennes.

– O abandono da maçonaria afetou sua carreira profissional?

– Maurice Caillet: Desde então não encontrei trabalho em nenhuma administração pública ou semi-pública, apesar de meu rico currículo.

– Em algum momento você recebeu ameaças de morte?

– Maurice Caillet: Após ser despedido de meu cargo na administração e começar a lutar contra esta decisão arbitrária, recebi a visita de um «irmão» da Grande Loja da França, catedrático e secretário regional da Força Operária, que me disse com a maior frieza que se eu recorresse à magistratura trabalhista eu «colocaria em perigo minha vida» e ele não poderia fazer nada para proteger-me. Nunca imaginei que poderia estar ameaçado de morte por conhecidos e honoráveis maçons de nossa cidade.

– Você era membro do Partido Socialista e conhecia muitos de seus «irmãos» que se dedicavam à política. Poderia me dizer quantos maçons houve no governo de Mitterrand?
– Maurice Caillet. Doze.

– E no atual, de Sarkozy?
– Maurice Caillet: Dois.

– Para um ignorante como eu, poderia dizer quais são os princípios da maçonaria?

– Maurice Caillet: A maçonaria, em todas as suas obediências, propõe uma filosofia humanista, preocupada antes de tudo pelo homem e consagrada à busca da verdade, ainda afirmando que esta é inacessível. Rejeita todo dogma e sustenta o relativismo, que coloca todas as religiões em um mesmo nível, enquanto desde 1723, nas Constituições de Anderson, ela erige a si mesma a um nível superior, como «centro de união». Daí se deduz um relativismo moral: nenhuma norma moral tem em si mesma uma origem divina e, em conseqüência, definitiva, intangível. Sua moral evolui em função do consenso das sociedades.

– E como Deus se encaixa na maçonaria?

– Maurice Caillet: Para um maçom, o próprio conceito de Deus é especial, e isso se menciona, como nas obediências chamadas espiritualistas. No melhor dos casos, é o Grande Arquiteto do Universo, um Deus abstrato, mas somente uma espécie de «Criador-mestre relojoeiro», como o chama o pastor Désaguliers, um dos fundadores da maçonaria especulativa. A este Grande Arquiteto se reza, se me permite a expressão, para que não intervenha nos assuntos dos homens, e nem sequer é citado nas Constituições de Anderson.

– E o conceito de salvação?

– Maurice Caillet: Como tal, não existe na maçonaria, salvo no plano terreno: é o elitismo das sucessivas iniciações, ainda que estas possam considerar-se pertencentes ao âmbito do animismo, segundo René Guenon, grande iniciado, e Mircea Eliade, grande especialista em religiões. É também a busca de um bem que não se especifica em nenhuma parte, já que a moral evolui na sinceridade, a qual, como todos sabemos, não é sinônimo de verdade.

– Qual é a relação da maçonaria com as religiões?

– Maurice Caillet: É muito ambígua. Em princípio, os maçons proclamam com firmeza uma tolerância especial para com todas as crenças e ideologias, com um gosto muito marcado pelo sincretismo, ou seja, uma coordenação pouco coerente das diferentes doutrinas espirituais: é a eterna gnose, subversão da fé verdadeira. Por outra parte, a vida das lojas, que foi minha durante 15 anos, revela uma animosidade particular contra a autoridade papal e contra os dogmas da Igreja Católica.

– Como começou seu descobrimento de Cristo?

– Maurice Caillet: Eu era racionalista, maçom e ateu. Tampouco estava batizado, mas minha mulher Claude estava doente e decidimos ir a Lourdes. Enquanto ela estava nas piscinas, o frio me obrigava a refugiar-me na Cripta, onde assisti, com interesse, à primeira missa de minha vida. Quando o padre, ao ler o Evangelho, disse: “Pedi e vos será dado: buscai e achareis; chamai e se vos abrirá”, aconteceu um choque tremendo em mim porque esta frase eu ouvi no dia de minha iniciação no grau de Aprendiz e a costumava repetir quando, já Venerável, iniciava os profanos. No silêncio posterior – pois não havia homilia – ouvi claramente uma voz que me dizia: “Pedes a cura de Claude. Mas o que ofereces?”. Instantaneamente, e seguro de ter sido interpelado pelo próprio Deus, só tinha a mim mesmo para oferecer. No final da missa, fui à sacristia e pedi imediatamente o batismo ao padre. Este, estupefato quando lhe confessei minha pertença maçônica e minhas práticas ocultistas, me disse que fosse ver o arcebispo de Rennes. Esse foi o início de meu itinerário espiritual.