Vitória da vida no México

A Suprema Corte do México rejeitou a legalização do aborto naquele país. Na verdade, o debate girava em torno da constitucionalidade da proibição do aborto nas constituições estaduais, pois muitos Estados estavam proibindo a legalização do aborto nas constituições estaduais. Os adeptos do aborto levaram até à Suprema Corte a ação de inconstitucionalidade do ato, argumentando que a proibição do aborto nas constituições estaduais era inconstitucional. Com a decisão da Egrégia Corte mexicana, as constituições estaduais poderão blindar a vida.

No Brasil, até agora só tenho notícia de que o movimento pró-vida, liderado pelo prof. Hermes Rodrigues Nery, vem tentando emplacar uma ação de iniciativa popular para que seja apresentada uma PEC (proposta de emenda constitucional) na Assembleia Legislativa de São Paulo assegurando o direito à vida desde a concepção na Constituição do Estado. Se essa ideia vingar, São Paulo será o primeiro estado brasileiro a blindar a vida desde a concepção. O problema por aqui é que o Supremo Tribunal Federal, com seu ativismo judicial, pode acabar aprovando a ADPF 54 – liberando o aborto de anencéfalos e pressionado pelo lobby abortista  declarar inconstitucionalidade de qualquer Constituição Estadual garantir a vida desde a concepção.

Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

 

“ Eles aí estão, desde a criação, e ao longo de toda História da Salvação, anunciando de longe ou de perto essa salvação e servindo ao desígnio divino da sua realização: fecham o paraíso terrestre, protegem Lot, salvam Agar e seu filho, seguram a mão de Abraão, a lei é comunicada por ministério deles, conduzem o povo de Deus, anunciam nascimentos e vocações, assistem os profetas. Finalmente é o Anjo Gabriel que anuncia o nascimento do João Batista e do próprio Jesus” (CIC,332). “ Desde a Encarnação até a Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é cercada da adoração e do serviço dos anjos, (…) Protegem a infância de Jesus, servem Jesus no deserto, reconfortam-no na agonia, embora tivesse podido ser salvo por eles da mão dos inimigos, como outrora Israel. São ainda os anjos que evangelizam, anunciando a Boa Nova da Encarnação e da Ressurreição de Cristo. Estarão presentes no retorno de Cristo, que eles anunciam, a serviço do juízo que o próprio Cristo, que eles anunciam, a serviço do Juízo que o Próprio Cristo pronunciará” (CIC,333).

São Miguel
O nome do Arcanjo Miguel possui um revelador significado em hebraico: “Quem como Deus”. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. No Antigo Testamento o profeta Daniel chama São Miguel de príncipe protetor dos judeus, enquanto que, no Novo Testamento ele é o protetor dos filhos de Deus e de sua Igreja, já que até a segunda vinda do Senhor estaremos em luta espiritual contra os vencidos, que querem nos fazer perdedores também. “Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”. (Apocalipse 12,7-8)

São Gabriel
O nome deste Arcanjo, citado duas vezes nas profecias de Daniel, significa “Força de Deus” ou “Deus é a minha proteção”. É muito conhecido devido a sua singular missão de mensageiro, uma vez que foi ele quem anunciou o nascimento de João Batista e, principalmente, anunciou o maior fato histórico: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré… O anjo veio à presença de Maria e disse-lhe: ‘Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus’…” a partir daí, São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como se deu a Encarnação.

São Rafael
Um dos sete espíritos que assistem ao Trono de Deus. Rafael aparece no Antigo Testamento no livro de Tobias. Este arcanjo de nome “Deus curou” ou “Medicina de Deus”, restituiu a vista do piedoso Tobit e nos demonstra que a sua presença, bem como a de Miguel e Gabriel, é discreta, porém, amiga e importante. “Tobias foi à procura de alguém que o pudesse acompanhar e conhecesse bem o caminho. Ao sair, encontrou o anjo Rafael, em pé diante dele, mas não suspeitou que fosse um anjo de Deus” (Tob 5,4). O anjo Rafael foi companheiro de viagem de Tobias. É aquele que cura, que expulsa os demônios, é o guia e seu protetor nas adversidades. São Rafael é o guardião da saúde e sua maior função é auxiliar na cura dos doentes e enfermos, protegendo os hospitais e ajudando aqueles que necessitam.

 “São Gabriel com Maria, São Rafael com Tobias, São Miguel com todas as hierarquias, abri para nós todas as vias.”

 

Relativistas incomodam muito mais

Muitos já cantaram isso: “um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam, incomodam, incomodam muito mais”. Aplico esse jingle aos relativistas frequentadores do blog. Recebo todo tipo de comentários neste blog, desde aqueles que são favoráveis a alguma notícia até aqueles que são combativos. Destaque para os comentários contra a homofobia. Mas o que mais me incomoda são aqueles comentários de pessoas que se dizem católicas, mas são plenamente relativistas em questões de fé e moral. Alguns questionam o porquê das críticas àqueles que são de outra comunidade eclesial (falam de outra Igreja, mas não é o vocabulário correto segundo o CVII), pois, segundo afirmam, todos são cristãos e servem a Deus. Ora bolas, tem muitos por aí que, com o objetivo de ganhar dinheiro, estão dizendo que servem a Deus. Este argumento de que “servem a Deus” é um pouco fajuto. Jesus mesmo advertiu que alguns matariam outros, pensando prestar culto a Deus. Outros, criticam a atitude dos católicos dizendo que eles são intolerantes. Mas esses mesmos é que não toleram qualquer crítica. Tomo aqui um parágrafo do discurso do Papa Bento XVI na Alemanha falando sobre o relativismo.

Insídias do relativismo subliminar

Vivemos num tempo caracterizado em grande parte por um relativismo subliminar que penetra todos os âmbitos da vida. Às vezes, este relativismo torna-se combativo, lançando-se contra pessoas que dizem saber onde se encontra a verdade ou o sentido da vida.

E notamos como este relativismo exerce uma influência cada vez maior sobre as relações humanas e a sociedade. Isto exprime-se também na inconstância e descontinuidade de vida de muitas pessoas e num individualismo excessivo. Há pessoas que não parecem capazes de renunciar de modo algum a determinada coisa ou de fazer um sacrifício pelos outros. Também o compromisso altruísta pelo bem comum nos campos sociais e culturais ou então pelos necessitados está a diminuir. Outros já não são capazes de se unir de forma incondicional a um consorte. Quase já não se encontra a coragem de prometer ser fiel a vida toda; a coragem de decidir-se e dizer: agora pertenço totalmente a ti, ou então, de comprometer-se resolutamente com a fidelidade e a veracidade, e de procurar sinceramente as soluções dos problemas.

Rock in Rio: diversão ou adoração?

Em tempos de Rock in Rio coloco abaixo pensamento do Cardeal Ratzinger sobre o Rock. Muitos cristãos enganados, assumem o rock como mais um estilo de música. Não analisam se, de fato,. quando ouvem alguma música estão tendo momento de diversão ou se estão prestando um culto.

“O rock é uma expressão básica das paixões que, em grandes plateias, pode assumir características de culto ou até de adoração, contrários ao cristianismo.”
(Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI)

 

Santa Sé desmente rumor sobre renúncia de Bento XVI

Zenit.org – O porta-voz da Santa Sé considera que não tem fundamento algum o rumor divulgado neste domingo, segundo o qual Bento XVI estaria pensando em renunciar ao cumprir 85 anos, em abril de 2012.

Diante das perguntas dos jornalistas que acompanhavam o Pontífice em Freiburg, o Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou que “a resistência do Papa nesta viagem fala eloquentemente da sua capacidade de enfrentar compromissos muito pesados”.

Na edição deste domingo, o jornal milanês Libero publicou um artigo de Antonio Socci, que faz circular rumores sobre uma possível futura renúncia do Papa, sem oferecer nenhuma fonte nem dado mais concreto.

Por este motivo, o Pe. Lombardi, com um sorriso, respondeu aos jornalistas: “Se Socci diz isso, é preciso perguntar-lhe de onde tirou esta informação. O que sabemos é o que o próprio Papa escreveu no livro ‘Luz do mundo’. Não tenho outras informações”.

Na entrevista “Luz do mundo”, publicada em 2010, em resposta ao jornalista Peter Seewald, Bento XVI declarou: “Se o Papa chega a reconhecer com clareza que, física, psíquica e mentalmente, já não pode suportar a carga do seu ofício, tem o direito e, em certas circunstâncias, também o dever de renunciar”.

Mas, no mesmo livro, o Papa acrescenta, falando das dificuldades da Igreja, em particular após a descoberta dos casos de pedofilia: “Se o perigo é grande, não se deve fugir dele. Por isso, certamente não é hora de renunciar. Justamente em um momento como este, é preciso permanecer firme e encarar a situação difícil. Esta é a minha concepção. Pode-se renunciar em um momento sereno ou quando a pessoa já não pode mais. Mas não se deve fugir no perigo e dizer: que outro faça isso”.

O Pe. Lombardi recordou que “o Papa está muito bem” e, “apesar de que a viagem tenha sido muito cansativa, ele a enfrentou muito bem. Do ponto de vista da saúde, esta viagem foi um autêntico êxito”.

A viagem que Bento XVI concluiu ontem à sua terra natal foi uma das mais intensas de todo o seu pontificado. Ele pronunciou 18 discursos e homilias – alguns deles históricos, tanto para a Alemanha como para a Igreja –, deu uma coletiva de imprensa e teve encontros com todos os representantes institucionais e religiosos da sua nação.

Uma pequena análise sobre o Papa na Alemanha

 

Não há como negar: o Papa se saiu muito bem na Alemanha apesar de toda hostilidade de maioria dos alemães. Destaque importante sobre discurso do Papa no Parlamento alemão.Giuliano Ferrara, publicou um artigo no “Foglio” no qual ele chegou a afirmar que: “Somente um Papa pode nos salvar”. Segundo ele, o discurso do Papa fez ressurgir uma luz clara e limpa da inteligência e da razão. Para Ferrara, o discurso do papa “não é um discurso permeado de polêmicas e sofismas. Se somos livres, se estamos num mundo laico, se somos donos de nosso destino é porque somos cristãos. O cristianismo não impôs a Revelação como lei, não é a ‘sharia’, não é um espaço mítico para deuses litigiosos. Na base dos direitos humanos, das conquistas do Iluminismo, da própria ideia moderna de consciência, está a escolha cristã e católica em favor do direito da natureza e da lei da razão”. Outro momento importante foi o encontro do Papa em Erfurt para um momento ecumênico. O Papa não reabilitou Lutero, como previam alguns, aliás, até decepcionou os protestantes que esperavam que o Papa cedesse em algum ponto da fé. Ao contrário, reafirmou que não há negociação entre questões de fé, mas ressaltou que os cristãos devem trabalhar pela dignidade do homem, não admitindo nada que desfigure o ser humano ou o torne um simples produto. Outros momentos também foram importantes, mas é preciso destacar também o encontro do Papa com 30 mil jovens alemães. Muitos destes jovens estavam presentes na JMJ em Madri. A eles, o Papa falou que o maior perigo para a Igreja não são seus adversários exteriores, mas os cristãos tíbios. Finalizando a viagem, o Papa celebrou uma missa para umas 100 mil pessoas, número muito expressivo se considerarmos que apenas 30% dos alemães são católicos.

TV Brasil continuará transmissão da missa aos domingos

Divulguei, aqui no blog estes dias, a decisão do conselho curador da TV Brasil de retirar programas religiosos da grade da emissora. Mas a decisão deverá ser revertida, pelo menos por um tempo, pois o juiz federal da 15ª Vara Federal do Distrito Federal, João Luiz de Souza, concedeu, nesta terça-feira, liminar garantindo a transmissão pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) de missas e cultos.

A advogada da Arquidiocese do Rio, Claudine Dutra, que foi quem entrou com o pedido para anular a decisão da EBC, por entender que o ato da empresa era de discriminação religiosa. “São programas antigos e que têm um público cativo”, argumentou. Como fundamento para excluir a programação religiosa, o Conselho Curador alega o caráter republicano laico da EBC. A Arquidiocese defende que uma empresa pública de telecomunicações deve abrir suas portas a todas as religiões, especialmente àquelas que têm grande representatividade na sociedade.A decisão do juiz federal vale por tempo indeterminado e se estende à programação das rádios. Aos sábados, é transmitido um culto da Igreja Batista e, no domingo pela manhã, a Santa Missa e o programa ‘Palavras de Vida’, ambos da Igreja Católica.

Profanação: “Jesus sarado”

Eis que surge mais um artista liberal querendo pintar imagens de Jesus, agora como se Jesus fosse um cara musculoso, forte. Diz o artista que sua intenção é atrair jovens. A intenção é boa, mas a obra é de péssimo gosto. Veja as imagens abaixo:

 

Filosofia do Direito por Ratzinger

Neste discurso pronunciado hoje (22/09) no Parlamento alemão, o Papa faz uma verdadeira filosofia do Direito. Quem interessa pela área, não pode deixar de ler o discurso.

 

Ilustre Senhor Presidente Federal!
Senhor Presidente do Bundestag!
Senhora Chanceler Federal!
Senhor Presidente do Bundesrat!
Senhoras e Senhores Deputados!

Constitui para mim uma honra e uma alegria falar diante desta Câmara Alta, diante do Parlamento da minha Pátria alemã, que se reúne aqui em representação do povo, eleita democraticamente para trabalhar pelo bem da República Federal da Alemanha. Quero agradecer ao Senhor Presidente do Bundestag o convite que me fez para pronunciar este discurso, e também as amáveis palavras de boas-vindas e de apreço com que me acolheu.

Neste momento, dirijo-me a vós, prezados Senhores e Senhoras, certamente também como concidadão que se sente ligado por toda a vida às suas origens e acompanha solidariamente as vicissitudes da Pátria alemã. Mas o convite para pronunciar este discurso foi-me dirigido a mim como Papa, como Bispo de Roma, que carrega a responsabilidade suprema da Igreja Católica. Deste modo, vós reconheceis o papel que compete à Santa Sé como parceira no seio da Comunidade dos Povos e dos Estados. Na base desta minha responsabilidade internacional, quero propor-vos algumas considerações sobre os fundamentos do Estado liberal de direito.

Seja-me permitido começar as minhas reflexões sobre os fundamentos do direito com uma pequena narrativa tirada da Sagrada Escritura. Conta-se, no Primeiro Livro dos Reis, que Deus concedeu ao jovem rei Salomão fazer um pedido por ocasião da sua entronização. Que irá pedir o jovem soberano neste momento tão importante: sucesso, riqueza, uma vida longa, a eliminação dos inimigos? Não pede nada disso; mas sim: “Concede ao teu servo um coração dócil, para saber administrar a justiça ao teu povo e discernir o bem do mal” (1 Re 3, 9).

Com esta narração, a Bíblia quer indicar-nos o que deve, em última análise, ser importante para um político. O seu critério último e a motivação para o seu trabalho como político não devem ser o sucesso e menos ainda o lucro material.

A política deve ser um compromisso em prol da justiça e, assim, criar as condições de fundo para a paz. Naturalmente um político procurará o sucesso, que, de per si, lhe abre a possibilidade de uma ação política efetiva; mas o sucesso há-de estar subordinado ao critério da justiça, à vontade de atuar o direito e à inteligência do direito. É que o sucesso pode tornar-se também um aliciamento, abrindo assim a estrada à falsificação do direito, à destruição da justiça. “Se se põe de parte o direito, em que se distingue então o Estado de uma grande banda de salteadores?” – sentenciou uma vez Santo Agostinho (De civitate Dei IV, 4, 1).

Nós, alemães, sabemos pela nossa experiência que estas palavras não são um fútil espantalho. Experimentamos a separação entre o poder e o direito, o poder colocar-se contra o direito, o seu espezinhar o direito, de tal modo que o Estado se tornara o instrumento para a destruição do direito: tornara-se uma banda de salteadores muito bem organizada, que podia ameaçar o mundo inteiro e impeli-lo até à beira do precipício. Servir o direito e combater o domínio da injustiça é e permanece a tarefa fundamental do político.

Num momento histórico em que o homem adquiriu um poder até agora impensável, esta tarefa torna-se particularmente urgente. O homem é capaz de destruir o mundo. Pode manipular-se a si mesmo. Pode, por assim dizer, criar seres humanos e excluir outros seres humanos de serem homens. Como reconhecemos o que é justo? Como podemos distinguir entre o bem e o mal, entre o verdadeiro direito e o direito apenas aparente? O pedido de Salomão permanece a questão decisiva perante a qual se encontram também hoje o homem político e a política.

Grande parte da matéria que se deve regular juridicamente, pode ter por critério suficiente o da maioria. Mas é evidente que, nas questões fundamentais do direito em que está em jogo a dignidade do homem e da humanidade, o princípio maioritário não basta: no processo de formação do direito, cada pessoa que tem responsabilidade deve ela mesma procurar os critérios da própria orientação.

No século III, o grande teólogo Orígenes justificou assim a resistência dos cristãos a certos ordenamentos jurídicos em vigor: “Se alguém se encontrasse no povo de Scizia que tem leis irreligiosas e fosse obrigado a viver no meio deles, (…) estes agiriam, sem dúvida, de modo muito razoável se, em nome da lei da verdade que precisamente no povo da Scizia é ilegalidade, formassem juntamente com outros, que tenham a mesma opinião, associações mesmo contra o ordenamento em vigor” [Contra Celsum GCS Orig. 428 (Koetschau); cf. A. Fürst, "Monotheismus und Monarchie. Zum Zusammenhang von Heil und Herrschaft in der Antike", in Theol.Phil. 81 (2006) 321-338; a citação está na página 336; cf. também J. Ratzinger, Die Einheit der Nationem, Eine Vision der Kirchenväter (Salzburg-München 1971) 60].

Com base nesta convicção, os combatentes da resistência agiram contra o regime nazista e contra outros regimes totalitários, prestando assim um serviço ao direito e à humanidade inteira. Para estas pessoas era evidente de modo incontestável que, na realidade, o direito vigente era injustiça. Mas, nas decisões de um político democrático, a pergunta sobre o que corresponda agora à lei da verdade, o que seja verdadeiramente justo e possa tornar-se lei não é igualmente evidente.

Hoje, de fato, não é de per si evidente aquilo que seja justo e possa tornar-se direito vigente relativamente às questões antropológicas fundamentais. À questão de saber como se possa reconhecer aquilo que verdadeiramente é justo e, deste modo, servir a justiça na legislação, nunca foi fácil encontrar resposta e hoje, na abundância dos nossos conhecimentos e das nossas capacidades, uma tal questão tornou-se ainda muito mais difícil.

Como se reconhece o que é justo? Na história, os ordenamentos jurídicos foram quase sempre religiosamente motivados: com base numa referência à Divindade, decide-se aquilo que é justo entre os homens.

Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus. Deste modo, os teólogos cristãos associaram-se a um movimento filosófico e jurídico que estava formado já desde o século II (a.C.).

De fato, na primeira metade do século II pré-cristão, deu-se um encontro entre o direito natural social, desenvolvido pelos filósofos estoicos, e autorizados mestres do direito romano [cf. W. Waldstein, Ins Herz geschrieben. Das Naturrecht als Fundament einer menschlichen Gesellschaft (Augsburg 2010) 11ss; 31-61]. Neste contacto nasceu a cultura jurídica ocidental, que foi, e é ainda agora, de importância decisiva para a cultura jurídica da humanidade.

Desta ligação pré-cristã entre direito e filosofia parte o caminho que leva, através da Idade Média cristã, ao desenvolvimento jurídico do Iluminismo até à Declaração dos Direitos Humanos e depois à nossa Lei Fundamental alemã, pela qual o nosso povo reconheceu, em 1949, “os direitos invioláveis e inalienáveis do homem como fundamento de toda a comunidade humana, da paz e da justiça no mundo”.

Foi decisivo para o desenvolvimento do direito e o progresso da humanidade que os teólogos cristãos tivessem tomado posição contra o direito religioso, requerido pela fé nas divindades, e se tivessem colocado da parte da filosofia, reconhecendo como fonte jurídica válida para todos a razão e a natureza na sua correlação. Esta opção realizara-a já São Paulo, quando afirma na Carta aos Romanos: “Quando os gentios que não têm a Lei [a Torah de Israel], por natureza agem segundo a Lei, eles (…) são lei para si próprios. Esses mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, como resulta do testemunho da sua consciência” (Rm 2, 14-15).

Aqui aparecem os dois conceitos fundamentais de natureza e de consciência, sendo aqui a “consciência” o mesmo que o “coração dócil” de Salomão, a razão aberta à linguagem do ser. Deste modo se até à época do Iluminismo, da Declaração dos Direitos Humanos depois da II Guerra Mundial e até à formação da nossa Lei Fundamental, a questão acerca dos fundamentos da legislação parecia esclarecida, no último meio século verificou-se uma dramática mudança da situação.

Hoje considera-se a ideia do direito natural uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo. Queria brevemente indicar como se veio a criar esta situação. Antes de mais nada é fundamental a tese segundo a qual haveria entre o ser e o dever ser um abismo intransponível: do ser não poderia derivar um dever, porque se trataria de dois âmbitos absolutamente diversos.

A base de tal opinião é a concepção positivista, quase geralmente adoptada hoje, de natureza e de razão. Se se considera a natureza – no dizer de Hans Kelsen – “um agregado de dados objetivos, unidos uns aos outros como causas e efeitos”, então realmente dela não pode derivar qualquer indicação que seja de algum modo de carácter ético (Waldstein, op. cit., 15-21).

Uma concepção positivista de natureza, que compreende a natureza de modo puramente funcional, tal como a explicam as ciências naturais, não pode criar qualquer ponte para a ética e o direito, mas suscitar de novo respostas apenas funcionais.

Entretanto o mesmo vale para a razão numa visão positivista, que é considerada por muitos como a única visão científica. Segundo ela, o que não é verificável ou falsificável não entra no âmbito da razão em sentido estrito.

Por isso, a ética e a religião devem ser atribuídas ao âmbito subjectivo, caindo fora do âmbito da razão no sentido estrito do termo. Onde vigora o domínio exclusivo da razão positivista – e tal é, em grande parte, o caso da nossa consciência pública –, as fontes clássicas de conhecimento da ética e do direito são postas fora de jogo. Esta é uma situação dramática que interessa a todos e sobre a qual é necessário um debate público; convidar urgentemente para ele é uma intenção essencial deste discurso.

O conceito positivista de natureza e de razão, a visão positivista do mundo é, no seu conjunto, uma parcela grandiosa do conhecimento humano e da capacidade humana, à qual não devemos de modo algum renunciar. Mas ela mesma no seu conjunto não é uma cultura que corresponda e seja suficiente ao ser humano em toda a sua amplitude.

Onde a razão positivista se considera como a única cultura suficiente, relegando todas as outras realidades culturais para o estado de subculturas, aquela diminui o homem, antes, ameaça a sua humanidade. Digo isto pensando precisamente na Europa, onde vastos ambientes procuram reconhecer apenas o positivismo como cultura comum e como fundamento comum para a formação do direito, enquanto todas as outras convicções e os outros valores da nossa cultura são reduzidos ao estado de uma subcultura.

Assim coloca-se a Europa, face às outras culturas do mundo, numa condição de falta de cultura e suscitam-se, ao mesmo tempo, correntes extremistas e radicais. A razão positivista, que se apresenta de modo exclusivista e não é capaz de perceber algo para além do que é funcional, assemelha-se aos edifícios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos e já não queremos receber estes dois elementos do amplo mundo de Deus. E no entanto não podemos iludir-nos, pois em tal mundo auto-construído bebemos em segredo e igualmente nos “recursos” de Deus, que transformamos em produtos nossos. É preciso tornar a abrir as janelas, devemos olhar de novo a vastidão do mundo, o céu e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo.

Mas, como fazê-lo? Como encontramos a entrada justa na vastidão, no conjunto? Como pode a razão reencontrar a sua grandeza sem escorregar no irracional? Como pode a natureza aparecer novamente na sua verdadeira profundidade, nas suas exigências e com as suas indicações? Chamo à memória um processo da história política recente, esperando não ser mal entendido nem suscitar demasiadas polêmicas unilaterais.

Diria que o aparecimento do movimento ecológico na política alemã a partir dos Anos Setenta, apesar de não ter talvez aberto janelas, todavia foi, e continua a ser, um grito que anela por ar fresco, um grito que não se pode ignorar nem acantonar, porque se vislumbra nele muita irracionalidade. Pessoas jovens deram-se conta de que, nas nossas relações com a natureza, há algo que não está bem; que a matéria não é apenas uma material para nossa feitura, mas a própria terra traz em si a sua dignidade e devemos seguir as suas indicações. É claro que aqui não faço propaganda por um determinado partido político; nada me seria mais alheio do que isso.

Quando na nossa relação com a realidade há qualquer coisa que não funciona, então devemos todos refletir seriamente sobre o conjunto e todos somos reenviados à questão acerca dos fundamentos da nossa própria cultura. Seja-me permitido deter-me um momento mais neste ponto. A importância da ecologia é agora indiscutível. Devemos ouvir a linguagem da natureza e responder-lhe coerentemente. Mas quero ainda enfrentar decididamente um ponto que, hoje como ontem, é largamente descurado: existe também uma ecologia do homem. Também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece.

O homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza, e a sua vontade é justa quando ele escuta a natureza, respeita-a e quando se aceita a si mesmo por aquilo que é e que não se criou por si mesmo. Assim mesmo, e só assim, é que se realiza a verdadeira liberdade humana.

Voltemos aos conceitos fundamentais de natureza e razão, donde partíramos. O grande teórico do positivismo jurídico, Kelsen, em 1965 – com a idade de 84 anos –, abandonou o dualismo entre ser e dever ser. Dissera que as normas só podem derivar da vontade.

Consequentemente, a natureza só poderia conter em si mesma normas, se uma vontade tivesse colocado nela estas normas. Entretanto isto pressuporia um Deus criador, cuja vontade se inseriu na natureza. “Discutir sobre a verdade desta fé é absolutamente vão – observa ele a tal propósito (citado segundo Waldstein, op.cit., 19). Mas sê-lo-á verdadeiramente? – apetece-me perguntar. É verdadeiramente desprovido de sentido refletir se a razão objectiva que se manifesta na natureza não pressuponha uma Razão criadora, um Creator Spiritus?

Aqui deveria vir em nossa ajuda o patrimônio cultural da Europa. Foi na base da convicção sobre a existência de um Deus criador que se desenvolveram a ideia dos direitos humanos, a ideia da igualdade de todos os homens perante a lei, o conhecimento da inviolabilidade da dignidade humana em cada pessoa e a consciência da responsabilidade dos homens pelo seu agir. Estes conhecimentos da razão constituem a nossa memória cultural. Ignorá-la ou considerá-la como mero passado seria uma amputação da nossa cultura no seu todo e privá-la-ia da sua integralidade.

A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa. Na consciência da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviolável do homem, de cada homem, este encontro fixou critérios do direito, cuja defesa é nossa tarefa neste momento histórico.

Ao jovem rei Salomão, na hora de assumir o poder, foi concedido formular um seu pedido. Que sucederia se nos fosse concedido a nós, legisladores de hoje, fazer um pedido? O que é que pediríamos? Penso que também hoje, em última análise, nada mais poderíamos desejar que um coração dócil, a capacidade de distinguir o bem do mal e, deste modo, estabelecer um direito verdadeiro, servir a justiça e a paz. Obrigado pela vossa atenção!

O perigo de olhar a Igreja sob o aspecto exterior

O Papa Bento XVI, em visita à Alemanha, falou sobre o perigo de olhar a Igreja somente no seu aspecto exterior. Daí surgem interpretações erradas sobre a Igreja, como se essa fosse mais uma das várias organizações presentes na sociedade. E se além de olhar a Igreja somente com esse olhar exterior junta-se alguma experiência dolorosa no meio da Igreja (como pedofilias, erros, brigas e luta pelo poder), pode-se esquecer de desvendar o grande mistério da Igreja. Dizendo isso, o Papa manda um recado a todos aqueles que se apegam aos erros de alguns membros da Igreja e por causa dos erros, atacam e perseguem-Na. Mas perseguí-La é perseguir a Cristo, disse o Papa.

Governo Dilma descumpre acordo com o Vaticano

A Folha de São Paulo noticiou que a TV Brasil suspenderá a partir de setembro exibição de programas religiosos. No domingo passado, após a transmissão da celebração da Santa Missa, celebrada pelo arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, o padre Dionel Amaral – diretor do programa “Palavras da Vida”, que também será suspenso – pediu aos fiéis que enviassem cartas e e-mails à presidente Dilma Rouseff para se manifestarem contra a decisão. Segundo diretores da TV Brasil – a TV do governo que quase ninguém assiste – após um amplo debate resolveram retirar do ar os programas religiosos (missa e programas evangélicos). Para os diretores, faz-se necessário um programa que valoriza a diversidade religiosa. O que isso quer dizer? Provavelmente será permitido dar enfoque às religiões afro, islamismo, ateísmo, hinduísmo, etc. mas em hipótese alguma dar liberdade ao cristianismo. Isto é ou não é perseguição religiosa? Tal decisão dos aliados do governo Dilma fere o acordo entre o Brasil e o Vaticano que dá à Igreja a possibilidade de levar a mensagem cristã àqueles que não podem sair de casa.Ademais, o que estamos vendo – como diz Padre Paulo Ricardo Azevedo Júnior – é uma perseguição religiosa no Brasil de forma velada, sutil. Querem dar espaço para todos na sociedade, desde que este “todos” não sejam os católicos ou protestantes que se opõem à revolução cultural que o PT está fazendo. Só permitem falar na mídia ”deles” quem está de acordo com o pensamento revolucionário.  

Crônicas de uma diocese do sul de Minas

A diocese da região cafeeira tinha um bispo muito ligado a uma corrente teológica dos tempos modernos. Este bispo implantou o “chip teológico” em quase todos os padres e seminaristas.

Numa dessas igrejas da diocese havia um padre, ou melhor um monsenhor que se opunha à nova teologia… Esse sacerdote havia estudado em Roma e sabia dos erros teológicos dessa nova teologia, ainda que a nova teologia tinha se espalhado pelo país tupiniquim alguns anos depois de sua ordenação. Mas erro é percebido desde longe,ainda que ele seja sutil.

Esse sacerdote morreu e deixou muitos frutos. A paróquia administrada por ele durante décadas, conservou a piedade cristã com a oração do terço, as devoções populares, a missa diária e a adoração eucarística.

A diocese mudou de bispo, um faleceu e este foi substituído pelo atual. O bispo, logo que assumiu, foi bajulado por vários sacerdotes e um deles, o padre administrador da paróquia daquele monsenhor, se tornou “amicus curiae” e obteve grande confiança do sr. bispo.

Acontece que após o falecimento daquele monsenhor naquela paróquia as coisas começaram a mudar. As missas continuaram solenes, com uma bela liturgia, mas com o tempo novos padres foram chegando… aquele que bajulava o bispo ficou como administrador daquela paróquia. Este gostava de algumas coisas daquele monsenhor falecido, mas algumas coisas precisavam ser “modernizadas”.

Começou a tirar as toalhas do altar, criticava aqueles que rezavam demais, implantou as mais “belas” pastorais e colocou à frente de cada pastoral alguém alinhado às suas ideias.

Quando um grupo resolveu investir na paróquia com adoração, encontros de oração, logo o padre deu um jeito de acabar com aquilo, porque ele não era o destaque nestes encontros.

Logo reapareceu outro grupo que queria a celebração da missa tridentina e aí sim, o padre enfureceu de vez. Disse que esse bando queria voltar ao latim, sendo que não sabiam nem mesmo o português. Criticou o atual papa dizendo que ele era “gaga”, ultrapassado, papa do concílio de trento e por aí vai. Por outro lado, exaltou um herege, Leonardo Boff, dizendo que esse seria até canonizado pela Igreja, pois era um santo. Na confissão, dava algumas orientações desorientadas…

Ele rechaçava qualquer possibilidade de uma celebração eucarística no rito tradicional, mas aceitava a missa afro num dia de festa famosa da cidade e ai de quem criticasse aquela missa.

Mas um dia esse padre revolucionário, que o povo tanto amava foi chamado para trabalhar ao lado do bispo. Agora sim, ele tinha todo o poder e começou a influenciar desde a sede do bispo naquela paróquia que ele havia deixado. Queria que os seus fãs fossem exigentes com os dois padres que ficaram no lugar e que agissem como ele. Como não estava conseguindo começou a pressionar os dois padres e agora esses padres estão à mercê do poder do super-padre. E quem poderá defender esses sacerdotes? Chapolim Colorado? Este não existe. O bispo diocesano? Este está nas mãos do presbítero. Só de Deus virá a solução!!!

Oposição alemã quer boicotar discurso do Papa no Parlamento em Berlim

Grande parte dos parlamentares da oposição anunciaram que não querem participar da sessão na qual o papa Bento 16 falará ao Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) no próximo 22 de setembro. Gesine Lötzsch, líder da bancada do partido A Esquerda, declarou que metade dos 76 deputados esquerdistas não irá comparecer ao Parlamento no dia da visita do Papa.

 

Entre os social-democratas, a estimativa é de que 25% dos 146 parlamentares não compareçam. Entre os verdes, acredita-se que a bancada terá um desfalque de mais de 30%, noticia a agência alemã de notícias DPA. A conservadora União Social Cristã (CSU, do alemão) qualificou a iniciativa dos parlamentares oposicionistas de “comportamento intolerante”. As cadeiras vazias no Bundestag serão preenchidas com ex-parlamentares, que receberão convites para comparecer ao Parlamento naquele dia.

Contra a “neutralidade religiosa do Estado”

Críticos da visita do Papa afirmam que ele não poderia falar ao Parlamento alemão, pois sua presença no Bundestag vai contra a “neutralidade religiosa do Estado”. Os defensores de Bento 16 revidam, afirmando que ele visita o Bundestag como chefe de Estado do Vaticano e não como líder religioso.

A social-cristã Gerda Hasselfeldt acusou os parlamentares que aderirem ao boicote de falta de respeito perante o Papa. “A Esquerda prova mais uma vez que seu meio é a luta nas ruas e não o debate através de argumentos”, declarou. O porta-voz de A Esquerda, Hendrik Thalheim, ressaltou que a liberdade de opinião na Alemanha inclui também críticas à Igreja Católica no país.

Pouca importância

Nos bastidores da Igreja Católica, aumenta a preocupação com uma escalada dos protestos em torno da visita de Bento 16. “Faz parte receber um convidado como esse com a cordialidade, o respeito e a cortesia necessários”, afirmou Robert Zollitsch, presidente da Conferência Alemã dos Bispos, ao jornal Passauer Neue Presse. “Lamento que os deputados se ausentem e boicotem o discurso. Todos têm o direito de criticar ou protestar, mas espero que tumultos nas ruas não predominem no país” durante a visita do Papa, salientou Zollitsch.

Enquanto parlamentares e autoridades debatem detalhes a respeito da visita do Sumo Pontífice ao país, uma enquete,publicada pela revista Stern, aponta que a maioria (86%) dos alemães não acredita que a presença de Bento 16 no país tenha qualquer importância. Apenas 14% dos entrevistados veem algum sentido na visita. Nem mesmo entre os católicos a visita é tida como importante – entre estes, 63% não veem, do ponto de vista pessoal, nenhuma relevância na presença de Bento 16 na Alemanha.

Fonte:www.comshalom.org/blog/carmadelio

Festa da Exaltação da Santa Cruz

“O cristão triunfa sempre do alto da Cruz, a partir da sua própria renúncia, porque assim deixa atuar a Onipotência.” (s. 995)

A Cruz, Árvore da Vida

«A cruz, árvore de vida»

Pregação de São Teodoro Estudita (759-826), monge em Constantinopla.

Como é bela a imagem da cruz! A sua beleza não oferece mistura de mal e de bem, como outrora a árvore do jardim do Éden. Toda ela é admirável, “uma delícia para os olhos e desejável” (Gn 3, 6). É uma árvore que dá a vida e não a morte; a luz, não a cegueira. Leva a entrar no Éden, não a sair dele. Esta árvore, à qual subiu Cristo, como um rei para o seu carro de triunfo, derrotou o diabo, que tinha o poder da morte, e libertou o gênero humano da escravidão do tirano. Foi sobre esta árvore que o Senhor, qual guerreiro de eleição, ferido nas mãos, nos pés e no seu divino peito, curou as cicatrizes do pecado, quer dizer, a nossa natureza ferida por Satanás.

Depois de termos sido mortos pelo madeiro, encontramos a vida pelo madeiro; depois de termos sido enganados pelo madeiro, é pelo madeiro que repelimos a serpente enganadora. Que permutas surpreendentes! A vida em vez da morte, a imortalidade em vez da corrupção, a glória em vez da ignomínia. Por este motivo, o apóstolo Paulo exclamou: “Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6, 14) … Mais do que qualquer sabedoria, esta sabedoria que floresceu na cruz tornou ignóbeis as pretensões da sabedoria do mundo (1 Cor 1, 17s) …

É pela cruz que a morte foi morta e Adão restituído à vida. É pela cruz que todos os apóstolos foram glorificados, todos os mártires coroados, todos os santos santificados. É pela cruz que fomos reconduzidos como as ovelhas de Cristo, e fomos reunidos no redil do alto.

Meu Deus, meu Deus por que me abandonastes?

Apresento a catequese do Papa neste dia da Exaltação da Santa Cruz:

Queridos irmãos e irmãs,

na Catequese de hoje, gostaria de me aprofundar em um Salmo com fortes implicações cristológicas, que continuamente aflora nas narrações da paixão de Jesus, com a sua dúplice dimensão de humilhação e de glória, de morte e de vida. É o Salmo 22, segundo a tradição hebraica, 21 segundo a tradição greco-latina, uma oração dolorosa e tocante, de uma densidade humana e riqueza teológica que o tornam um dos Salmos mais rezados e estudados de todo o Saltério. Trata-se de uma longa composição poética, e nós nos deteremos particularmente sobre a primeira parte, centrada no lamento, para aprofundar algumas dimensões significativas da oração de súplica a Deus.

Esse Salmo apresenta a figura de um inocente perseguido e circundado por adversários que desejam a sua morte; e ele recorre a Deus em um lamento doloroso que, na certeza da fé, abre-se misteriosamente ao louvor. Na sua oração, a realidade angustiante do presente e a memória consoladora do passado alternam-se, em uma sofrida busca de consciência da própria situação desesperadora, que, contudo, não deseja renunciar à esperança. O seu grito inicial é um apelo dirigido a um Deus que parece distante, que não responde e parece tê-lo abandonado:

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
E permaneceis longe de minhas súplicas e de meus gemidos?
Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis;
imploro de noite e não me atendeis” (vv. 2-3)

Deus silencia-se, e esse silêncio lacera a alma do orante, que incessantemente chama, mas sem encontrar resposta. Os dias e as noites sucedem, em uma busca inestancável de uma palavra, de um auxílio que não vem; Deus parece tão distante, tão esquecido, tão ausente. A oração pede escuta e resposta, solicita um contato, busca uma relação que possa dar conforto e salvação. Mas, se Deus não responde, o grito de auxílio se perde no rosto e na solidão tornada insustentável. E ainda assim, o orante do nosso Salmo, por três vezes, no seu grito, chama o Senhor de “meu” Deus, em um extremo ato de confiança e de fé. Não obstante toda a aparência, o Salmista não pode crer que o vínculo com o Senhor tenha sido interrompido totalmente; e, enquanto questiona o porquê de um presunto abandono incompreensível, afirma que o “seu” Deus não pode o abandonar.

Come se nota, o grito inicial do Salmo, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”, é reportado pelos Evangelhos de Mateus e de Marcos como o grito lançado por Jesus morrendo na cruz (cf. Mt 27,46; Mc 15,34). Isso expressa toda a desolação do Messias, Filho de Deus, que está enfrentando o drama da morte, uma realidade totalmente oposta ao Senhor da vida. Abandonado por quase todos os seus, traído e renegado pelos discípulos, entornado por quem o insulta, Jesus está sob o peso esmagador de uma missão que deve passar pela humilhação e aniquilamento. Por isso grita ao Pai, e o seu sofrimento assume as palavras dolorosas do Salmo. Mas o seu não é um grito desesperado, como não o era aquele do Salmista, que na sua súplica percorre um caminho atormentado de névoas, mas, sim, encontra-se em uma perspectiva de louvor, na confiança da vitória definitiva. E porque, no costume hebraico, citar ao início de um Salmo implicava uma referência a todo o poema, a oração agonizante de Jesus, ainda que mantendo a sua carga de indizível sofrimento, abre-se à certeza da glória. “Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória?”, dirá o Ressuscitado aos discípulos de Emaús (Lc 24,26). Na sua paixão, em obediência ao Pai, o Senhor Jesus atravessa o abandono e a morte para chegar à vida e doá-la a todos os crentes.

A esse grito inicial de súplica, no nosso Salmo 22, segue-se, em doloroso contraste, a recordação do passado:

“Nossos pais puseram sua confiança em vós,
esperaram em vós e os livrastes.
A vós clamaram e foram salvos;
confiaram em vós e não foram confundidos” (vv. 5-6)

Aquele Deus que hoje, ao Salmista, parece tão distante, é, contudo, o Senhor misericordioso que Israel sempre experimentou em sua história. O povo a que o orante pertence foi alvo do amor de Deus e pôde testemunhar a sua fidelidade. A começar pelos Patriarcas, e depois no Egito e na longa peregrinação pelo deserto, na permanência na terra prometida em contato com populações agressivas e inimigas, até a escuridão do exílio, toda a história bíblica foi uma história de grito de auxílio por parte do povo e de respostas salvíficas por parte de Deus. E o Salmista faz referência à constante fé dos seus pais, que “confiaram” – por três vezes essa palavra é repetida – sem nunca ficarem desiludidos. Agora, todavia, parece que essa cadeia de invocações confiantes e respostas divinas se interrompe; a situação do Salmista parece desmentir toda a história da salvação, tornando ainda mais dolorosa a realidade presente.

Mas Deus não pode se contradizer, e eis então que a oração volta a descrever a situação penosa do orante, para induzir o Senhor a ter piedade e intervir, como tinha sempre feito no passado. O Salmista define-se como um “verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe” (v. 7), é ridicularizado, escarnecido (cf. v. 8) e ferido exatamente na fé: “Esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve, se o ama” (v. 9), dizem. Sob os golpes zombeteiros da ironia e da provocação, parece quase que o perseguido perde as próprias conotações humanas, como o Servo sofredor esboçado no Livro de Isaías (cf. Is 52,14; 53,2b-3). E como o justo oprimido do Livro da Sabedoria (cf. 2,12-20), como Jesus no Calvário (cf. Mt 27,39-43), o Salmista coloca em questão o seu relacionamento com o seu Senhor, no realce cruel e sarcástico disto que o está fazendo sofrer: o silêncio de Deus, a sua aparente ausência. No entanto, Deus esteve presente na existência do orante com uma proximidade e uma ternura incontestáveis. O Salmista recorda-o ao Senhor: “Sim, fostes vós que me tirastes das entranhas de minha mãe e, seguro, me fizestes repousar em seu seio. Eu vos fui entregue desde o meu nascer” (vv. 10-11a). O Senhor é o Deus da vida, que faz nascer e acolhe o recém-nascido e toma cuidado dele com afeto de pai. E, se antes era feita memória da fidelidade de Deus na história do povo, agora o orante evoca a própria história pessoal de relacionamento com o Senhor, ressaltando o momento particularmente significativo do início da sua vida. E ali, não obstante a desolação do presente, o Salmista reconhece uma proximidade e um amor divinos tão radicais a ponto de poder agora exclamar, em uma confissão plena de fé e geradora de esperança: “desde o ventre de minha mãe vós sois o meu Deus” (v. 11b).

O lamento torna-se, então, súplica do coração: “Não fiqueis longe de mim, pois estou atribulado; vinde para perto de mim, porque não há quem me ajude” (v. 12). A única proximidade que o Salmista percebe e que o espanta é aquela dos inimigos. É, portanto, necessário que Deus se faça próximo e socorra, porque os inimigos circundam o orante, cercam-no, e são como touros numerosos, como leões que abrem suas fauces para rugir e arrebatar (cf. vv. 13-14). A angústia altera a percepção do perigo. Os adversários parecem invencíveis, tornam-se animais ferozes e perigosíssimos, enquanto o Salmista é como um pequeno verme, impotente, sem defesa alguma. Mas essas imagens usadas no Salmo servem também para dizer que, quando o homem torna-se brutal e agride o irmão, algo de animalesco toma conta dele, parece perder toda a aparência humana; a violência tem sempre em si algo de bestial e somente a intervenção salvífica de Deus pode restituir o homem à sua humanidade. Ora, para o Salmista, objeto de tantas ferozes agressões, parece não haver mais escapatória, e a morte começa a tomar posse dele: “Derramo-me como água, todos os meus ossos se desconjuntam; [...] minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua [...] repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica” (vv. 15.16.19). Com imagens dramáticas, que se reencontram nas narrativas da paixão de Cristo, descreve-se o desfalecimento do corpo condenado, a sede insuportável que atormenta o homem moribundo e que encontra eco no pedido de Jesus: “Tenho sede” (cf. Jo 19,28), para chegar ao gesto definitivo dos algozes que, como os soldados sob a cruz, repartem entre si as vestes da vítima, considerada já morta (cf. Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,34; Jo 19,23-24).

Eis então, urgente, de novo o pedido de socorro: “Porém, vós, Senhor, não vos afasteis de mim; ó meu auxílio, bem depressa me ajudai. […] Salvai-me” (vv. 20.22a). É esse um grito que adentra os céus, porque proclama uma fé, uma certeza que vai para além de toda a dúvida, de toda a escuridão e de toda a desolação. E o lamento transforma-se, cede lugar à oração no acolhimento da salvação: “Então, anunciarei vosso nome a meus irmãos, e vos louvarei no meio da assembleia” (vv. 22c-23). Assim, o Salmo abre-se à ação de graças, ao grande hino final que envolve todo o povo, os fiéis do Senhor, a assembleia litúrgica, as gerações futuras (cf. vv. 24-32). O Senhor vem em auxílio, salvou o pobre e lhe mostrou o seu rosto de misericórdia. Morte e vida se entrecruzam em um mistério inseparável, e a vida triunfou, o Deus da salvação se mostrou no Senhor de modo incontestável, tanto que todos os confins da terra O celebrarão e diante d’Ele todas as famílias dos povos se prostrarão. É a vitória da fé, que pode transformar a morte em dom da vida, o abismo do dor em fonte de esperança.

Irmãos e irmãs caríssimos, esse Salmo nos levou ao Gólgota, aos pés da cruz de Jesus, para reviver a sua paixão e compartilhar a alegria fecunda da ressurreição. Deixemo-nos, portanto, invadir pela luz do mistério pascal também na aparente ausência de Deus, também no silêncio de Deus, e, como os discípulos de Emaús, aprendamos a discernir a verdadeira realidade para além das aparências, reconhecendo o caminho da exaltação exatamente na humilhação, e o pleno manifestar-se da vida na morte, na cruz. Assim, recolocando toda a nossa confiança e a nossa esperança em Deus Pai, em cada angústia, possamos rezar também nós a Ele com fé, e o nosso grito de súplica se transforme em canto de louvor. Obrigado.

Aborto legal ou permitido?

A unidade da linguagem
(Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras – Gn 11,1)“Pai, Filho e Espírito Santo são três deuses adorados pelos cristãos”. Essa afirmação gera uma repulsa imediata não só dos teólogos, mas de qualquer criança instruída no Catecismo da Doutrina Cristã. Pai, Filho e Espírito Santo não são três deuses: são três pessoas em um só Deus.

“Vim aqui para iniciar um processo de anulação de casamento”. Essa frase fere os ouvidos de um canonista. Ele imediatamente explicará que a Igreja não pode “anular” matrimônios já ratificados e consumados. O que ela faz é investigar se no ato da celebração houve algum vício que tornou o matrimônio inválido. A sentença de um tribunal eclesiástico não é constitutiva, mas declaratória. Ela não torna o matrimônio nulo; simplesmente declara que tal matrimônio nunca existiu, apesar das aparências de uma celebração válida.

Nos exemplos acima, a precisão da linguagem é fundamental, seja para a Teologia Dogmática, seja para o Direito Canônico. Não se admite, nem mesmo para o povo inculto, que as Pessoas Divinas sejam chamadas de “deuses” ou que se diga que a Igreja “anulou” um matrimônio que sempre foi nulo.

* * *

Analogamente, um cristão defensor da vida deveria reagir prontamente quando alguém lhe diz que no Brasil o aborto é “permitido” como meio para salvar a vida da gestante ou quando a gravidez resulta de estupro (art. 128, I e II CP). O Código Penal não fala em “permissão”. Sua redação é “não se pune”. A lei penal pode deixar de aplicar a pena a um crime já consumado, mas não pode dar “permissão” prévia para cometer um crime. Há certos atos que, embora ilícitos, não podem ser punidos (como punir alguém que praticou o suicídio?). Há outros em que a punição é desnecessária (é o caso do pai tremendamente amargurado por ter matado seu filho com um disparo acidental de arma de fogo). Há ainda outros em que o legislador considera a punição inconveniente, uma vez que a família sozinha pode resolver a questão (é o caso do furto praticado entre parentes). Mas uma coisa é isentar o criminoso de pena. Outra é dizer que o criminoso tem permissão de praticar o delito.

Essa distinção é importantíssima. Se o Código Penal pudesse “permitir” a morte deliberada e direta de um inocente (como é o caso do aborto diretamente provocado), a Constituição poderia ser lançada no cesto de lixo. De que valeria a “inviolabilidade do direito à vida” garantida solenemente pela Carta Magna (art. 5º, caput)?

Ora, no Brasil, não existe aborto “permitido” ou “legal”, mas todo é crime (haja ou não pena a ele associada). Sendo assim, um juiz não pode emitir uma sentença “autorizando” o aborto de uma criança concebida em um estupro (art. 128, II, CP), do mesmo modo que não pode “autorizar” que um filho furte de seu pai (art. 181, CP). Em ambos os casos não há pena para o criminoso. Mas o crime subsiste e não há, nem pode haver, permissão prévia para cometê-lo.

Se o aborto “legal” não existe, não podem existir os “serviços”[1] de aborto “legal” praticados pelos hospitais públicos com o dinheiro arrecadado de nossos tributos. Em tais casos, o Estado está simplesmente financiando o crime[2].

* * *

Outra afirmação falsa, muito cara aos abortistas, que deveria suscitar reação imediata em quem defende a vida, é a de que “o nascituro não é pessoa”. De fato, diz a primeira parte do artigo 2º do Código Civil que “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida”. Mas esse texto legal tornou-se inaplicável por conflitar com o Pacto de São José da Costa Rica — assinado e ratificado pelo Brasil sem reservas — que garante ao nascituro o reconhecimento de sua personalidade “desde o momento da concepção[3]. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que esse Tratado Internacional “torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante[4]. Tornou-se inaplicável, assim, o artigo 652 do Código Civil (que admite a prisão do depositário infiel) e a primeira parte do artigo 2º do Código Civil (que não reconhece a personalidade do nascituro).

Dizer que o nascituro é pessoa não é, portanto, um simples sonho dos defensores da vida. É uma realidade jurídica vigente. E se ele é pessoa (e não simples “expectativa de pessoa”), tem direitos atuais (e não mera “expectativa de direitos”). Destroi-se assim pelas bases todo o edifício abortista.

* * *

Os defensores do aborto — que aliás não têm compromisso com a verdade — são unânimes nos termos, na linguagem e nos argumentos empregados:

O nascituro não é pessoa. Só tem expectativa de direitos. No Brasil, o aborto é legal quando não há outro meio para salvar a vida da gestante. Também é legal quando a gravidez resulta de estupro. Em tais hipóteses, a prática do aborto é um direito da gestante e um dever do Estado.

O que é estarrecedor é ver tais fórmulas na boca de militantes pró-vida. Afirmar qualquer uma das frases acima é fazer um desastroso “gol contra”. Vejamos alguns trágicos exemplos.

* * *

No dia 30 de maio de 2005, o então Procurador Geral da República Dr. Cláudio Lemos Fonteles ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3510 (ADI 3510) contra o artigo 5° da Lei de Biossegurança (Lei n.º 11.105/05) alegando que a destruição de embriões humanos contraria a inviolabilidade do direito à vida previsto no artigo 5º, caput, da Constituição Federal.

Como era de se esperar, os adversários (Advocacia Geral da União, Consultoria Geral da União, Advocacia do Senado Federal e alguns “amici curiae”), a fim de defenderem o direito de matar embriões humanos, usaram a tese de que o nascituro não é pessoa e que não goza de direitos atuais.

Lamentavelmente, Dr. Fonteles, em sua réplica de 14/11/2005[5], concordou que o nascituro não é pessoa (!) perante o Código Civil pois “o nascimento com vida é que enseja aconteçam as relações interpessoais” (sic)[6]. Mas, segundo ele, essa negação da personalidade não impediria que a Constituição lhe assegurasse a inviolabilidade do direito à vida. Uma argumentação confusa, difícil de entender e difícil de convencer. Essa deficiência da argumentação parece ter sido a grande responsável pelo fracasso da ADI 3510 perante o Supremo Tribunal Federal.

* * *

Hoje presenciamos a mais uma confusão conceitual e linguística na tramitação do projeto conhecido como Estatuto do Nascituro (PL 478/2007). A proposta, bem diferente da versão original apresentada pelo Pró-Vida de Anápolis, reconhece ao nascituro vários direitos, mas deliberadamente não ousa afirmar que ele é pessoa. Ora, adianta pouco dizer que o nascituro tem direitos, por numerosos que sejam, enquanto não se afirmar explicita e claramente que ele é pessoa. Vejamos.

Na vigência do antigo Código Civil (de 1916), já eram reconhecidos vários direitos ao nascituro. No entanto, por causa daquela infeliz afirmação de que “a personalidade civil do homem começa do seu nascimento com vida” (art. 4º, CC/1916, correspondente ao art. 2º, CC/2002), o Supremo Tribunal Federal interpretava tais direitos como mera “expectativa de direitos”. Leia-se a ementa do julgamento do Recurso Extraordinário 99038/MG, julgado em 18/10/1983:

CIVIL. Nascituro. Proteção de seu direito, na verdade proteção de expectativa, que se tornará direito, se ele nascer vivo. Venda feita pelos pais a irmã do nascituro. As hipóteses previstas no Código Civil, relativas a direitos do nascituro, são exaustivas, não os equiparando em tudo ao já nascido.

É, portanto, indispensável que o Estatuto do Nascituro declare que o nascituro é pessoa, a fim de evitar a triste interpretação acima pela Suprema Corte.

* * *

Quando em 19/5/2010, o Estatuto do Nascituro foi votado na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), os deputados pró-aborto protestaram dizendo que a proposta extinguiria o “aborto legal” (art. 128, CP) no Brasil. Seria de se esperar que os deputados pró-vida replicassem que no Brasil não existe “aborto legal” a ser extinto. Foi, no entanto, triste presenciar como eles concordaram que o aborto legal existe (!) e afirmaram veementemente que o Estatuto do Nascituro não revogaria esse “direito” de abortar. A relatora do projeto Solange Almeida (PMDB-RJ) resolveu então, fazer uma complementação de voto, a fim de assegurar – pasmem! – que os direitos do nascituro concebido em um estupro (art. 13 da proposta) não extinguiriam o suposto direito de o médico matá-lo! Os direitos do bebê foram mantidos, porém, “ressalvados o disposto no Art. 128 do Código Penal Brasileiro” (sic). Quanta confusão!

Conclusão: enquanto os pró-vida não usarem a mesma linguagem e os mesmos argumentos, não conseguirão ir muito longe. Os abortistas, zombando deles, dirão: “esses homens começaram a construir e não puderam acabar” (cf. Lc 14,30).

Anápolis, 8 de setembro de 2011

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis

www.providaanapolis.org.br

As contradições do homem moderno

Bento XVI, quando ainda era Cardeal, num belíssimo discurso antes do conclave de 2005 que o elegeria Papa, disse que ” deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio ‘eu’ e os seus apetites”.

Nosso tempo é marcado pelos sabores de qualquer vento de doutrina e pelo relativismo moral. Chega mesmo a ser absurdo a defesa de algumas ideias e muitas, contraditórias. O homem moderno defende coisas indefensáveis e o pior, por não reconhecer nada como definitivo, é um ser profundamente contraditório.

 Por um lado vemos uma defesa exacerbad a favor da natureza e os mesmos que defendem a a vida do planeta, defendem o aborto (a morte dos inocentes).

Aqueles que defendem o homossexualismo, são os mesmos que acusam a Igreja quando veem religiosos homossexuais.

Os ideólogos do divórcio, do sexo sem compromisso, defendem o casamento dos homossexuais. Querem que os heterossexuais se “libertem” do sonho do casamento, apresentando-o como um inferno aqui na terra, mas defendem com unhas e dentes o casamento entre homossexuais.

Aqueles que aproveitam da Igreja para se promoverem, defendem a Igreja quando esta faz um discurso politicamente correto, mas a atacam quando esta fala a verdade que lhes desagrada.

Os homens dos direitos humanos defendem o ser humano até o extremo, mesmo quando alguns são merecedores de punições severas por causa de seus erros, são os mesmos que atacam o homem dizendo que ele é culpado do aquecimento global e da destruição da natureza.

Os “tolerantes” são aqueles que exigem que os cristãos sejam tolerantes com a esquerda, com os gays, com aqueles que divergem, mas quando chega a vez destes mesmos, são eles os mais intolerantes.

Chega-se a pensar: será que o homem moderno tornou-se contraditório, incoerente, louco? Deixamos de ser homens e nos tornamos animais irracionais?

 

Já dizia o incoerente Alexandre, o Grande: “A coerência é própria do caráter dos homens”, daí conclui-se que aquele que tem um discurso incoerente, na verdade é um mau caráter. O homem moderno revela-se deste modo um grande mau caráter. Talvez o homem moderno se tornou um mau caráter, porque antes de mentir para os outros, mente para si mesmo, não tem a coragem de se ver e finge ser aquilo que não é.

Que Cristo nos leve a conhecermos a nós mesmos e nos conhecendo, transcender de nós mesmos em busca daquele que é a Verdade.

A Eucaristia nos tira do individualismo

Excerto da homilia do Santo Padre no encerramento do Congresso Eucarístico Nacional da Itália:

 

“Essa palavra é dura! Quem o pode admitir?” (Jo 6,60). Diante do discurso de Jesus sobre o pão da vida, na Sinagoga de Cafarnaum, a reação dos discípulos, muitos dos quais abandonaram Jesus, não está muito distante das nossas resistências diante do dom total que Ele faz de si mesmo. Porque acolher verdadeiramente esse dom significa perder-se, deixar-se envolver e transformar, até ao ponto de viver d’Ele, como nos recordou o apóstolo Paulo na segunda Leitura: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8).

“Essa palavra é dura!”; é dura porque muitas vezes confundimos a liberdade com a ausência de vínculos, com a convicção de podermos agir sozinhos, sem Deus, visto como um limite à liberdade. É essa uma ilusão que não demora em tornar-se uma desilusão, gerando inquietude e medo e levando, paradoxalmente, a lamentar as cadeias do passado: “Oxalá tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito…” – diziam os hebreus no deserto (Êx 16,3), como escutamos. Na verdade, só na abertura a Deus, no acolhimento de seu dom, nos tornamos verdadeiramente livres, livres da escravidão do pecado, que desfigura o rosto do homem, e capazes de servir ao verdadeiro bem dos irmãos.

“Essa palavra é dura!”; é dura porque o homem cai frequentemente na ilusão de poder “transformar as pedras em pão”. Após ter colocado Deus de lado, ou tê-Lo tolerado como uma escolha particular que não deve interferir na vida pública, certas ideologias tentaram organizar a sociedade com a força do poder e da economia. A história nos mostra, de forma dramática, como o objetivo de garantir a todos desenvolvimento, bem-estar material e paz prescindindo de Deus e da sua revelação resultaram em um dar aos homens pedras no lugar de pão. O pão, queridos irmãos e irmãs, é “fruto do trabalho do homem”, e nessa verdade está contida toda a responsabilidade confiada às nossas mãos e à nossa inventividade; mas o pão é também, e antes disso, “fruto da terra “, que recebe do alto sol e chuva: é dom a se pedir, que tolhe toda a soberba e nos faz invocar com a confiança dos humildes: “Pai (…), dá-nos hoje o nosso pão de cada dia “(Mt 6, 11).

O homem é incapaz de se dar a vida por si mesmo, ele se compreende somente a partir de Deus: é a relação com Ele que dá consistência à nossa humanidade e torna boa e justa a nossa vida. No Pai nosso, pedimos que seja santificado o Seu nome, que venha o Seu reino, que se cumpra a Sua vontade. É antes de tudo o primado de Deus que devemos recuperar no nosso mundo e na nossa vida, porque é esse primado que nos permite reencontrarmos a verdade daquilo que somos, e é no conhecer e seguir a vontade de Deus que encontramos o nosso verdadeiro bem. Dar tempo e espaço a Deus, para que seja o centro vital da nossa existência.

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De onde partir, como da fonte, para recuperar e reafirmar o primado de Deus? Da Eucaristia: aqui Deus se faz tão próximo a ponto de se fazer nosso alimento, aqui Ele se torna força no caminho muitas vezes difícil, aqui se faz presença amiga que transforma. Já a Lei dada por meio de Moisés era considerada como “pão do céu”, graças ao qual Israel torna-se o povo de Deus, mas, em Jesus, a palavra última e definitiva de Deus se faz carne, nos vem ao encontro como Pessoa. Ele, Palavra eterna, é o verdadeiro maná, é o pão da vida (cf. Jo 6,32-35) e cumprir as obras de Deus é crer n’Ele (cf. Jo 6,28-29). Na Última Ceia, Jesus resume toda a sua existência em um gesto que se inscreve na grande bênção pascal a Deus, gesto que Ele vive enquanto Filho como ação de graças ao Pai pelo seu imenso amor. Jesus parte o pão e o partilha, mas com uma profundidade nova, porque Ele doa a si mesmo. Toma o cálice e o compartilha para que todos o possam beber, mas com esse gesto Ele dá a “nova aliança no seu sangue”, dá a si mesmo. Jesus antecipa o ato de amor supremo, em obediência à vontade do Pai: o sacrifício da Cruz. A vida lhe será tolhida sobre a Cruz, mas já agora Ele lha oferece por si mesmo. Assim, a morte de Cristo não é reduzida a uma execução violenta, mas é transformada por Ele em um livre ato de amor, de autodoação, que atravessa vitoriosamente a própria morte e reafirma a bondade da criação nascida das mãos de Deus, humilhada pelo pecado e finalmente redimida. Esse imenso dom está a nós acessível no Sacramento da Eucaristia: Deus se dá a nós, para abrir a nossa existência a Ele, para envolvê-la no mistério de amor da Cruz, para torná-la participante do mistério eterno do qual provimos e para antecipar a nova condição da vida plena em Deus, na expectativa da qual vivemos.

Mas o que comporta para a nossa vida cotidiana esse partir da Eucaristia para reafirmar o primado de Deus? A comunhão eucarística, queridos amigos, arranca-nos do nosso individualismo, comunica-nos o espírito do Cristo morto e ressuscitado, conforma-nos a Ele; une-nos intimamente aos irmãos naquele mistério de comunhão que é a Igreja, onde o único Pão faz de muitos um só corpo (cf. 1 Cor 10,17), realizando a oração da comunidade cristã das origens reportada no livro da Didaché: “Como esse pão partido era espalhado sobre as colinas e recolhido tornava-se uma coisa só, assim a tua Igreja dos confins da Terra é reunida no teu Reino” (IX, 4). A Eucaristia sustenta e transforma toda a vida cotidiana. Como recordei na minha primeira Encíclica, na comunhão eucarística, está contido o ser amado e o amar, por sua vez, os outros. Uma Eucaristia que não se traduza em amor concretamente vivido é, em si mesma, fragmentária” (Deus caritas est, 14).

A bimilenária história da Igreja é constelada de santos e santas, cuja existência é sinal eloquente de como exatamente da comunhão com o Senhor, da Eucaristia nasce um novo e intenso assumir de responsabilidade em todos os níveis da vida comunitária, nasce portanto um desenvolvimento social positivo, que tem ao centro a pessoa, especialmente aquela pobre, doente ou marginalizada. Nutrir-se de Cristo é o caminho para não permanecer estranhos ou indiferentes às sortes dos irmãos, mas entrar na mesma lógica do amor e de dom do sacrifício da Cruz; que sabe ajoelhar-se diante da Eucaristia, quem recebe o corpo do Senhor não pode não ser atento, na trama ordinária dos dias, às situações indignas do homem, e sabe chorar em primeira pessoa pelo necessitado, sabe partilhar o próprio pão com o faminto, partilhar a água com o sedento, revestir quem está nu, visitar o doente e o encarcerado (cf. Mt 25,34-36). Em cada pessoa saberá ver aquele mesmo Senhor, que não hesitou em dar completamente a si mesmo por nós e para a nossa salvação. Uma espiritualidade eucarística, portanto, é o verdadeiro antídoto ao individualismo e ao egoísmo que frequentemente caracterizam a vida cotidiana, leva à redescoberta da gratuidade, da centralidade das relações, a partir da família, com particular atenção a curar as feridas dos desgregados. Uma espiritualidade eucarística é alma de uma comunidade eclesial que supera divisões e contraposições e valoriza a diversidade de carismas e ministérios, colocando-os a serviço da unidade da Igreja, da sua vitalidade e da sua missão. Uma espiritualidade eucarística é caminho para restituir dignidade aos dias do homem e, portanto, ao seu trabalho, na busca da sua conciliação com os tempos de descanso e da família e no compromisso em superar a incerteza da insegurança e o problema do desemprego. Uma espiritualidade eucarística nos ajudará também a abordar as diferentes formas de fragilidade humana, conscientes de que não ofuscam o valor da pessoa, mas requerem proximidade, acolhida e auxílio. Do Pão da vida buscará vigor uma renovada capacidade educativa, atenta a testemunhar os valores fundamentais da existência, do saber, do patrimônio espiritual e cultural; a sua vitalidade nos fará habitar na cidade dos homens com a disponibilidade de gastar-nos no horizonte do bem comum para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Queridos amigos, repartamos desta terra marchigiana com a força da Eucaristia em uma constante osmose entre o mistério que celebramos e os âmbitos do nosso cotidiano. Não há nada de autenticamente humano que não encontre na Eucaristia a forma adequada para ser vivido em plenitude: a vida cotidiana torna-se, portanto, lugar do culto espiritual, para viver em todas as circunstâncias o primado de Deus, no interior da relação com Cristo e como oferta ao Pai (cf. Exort. ap. postsin. Sacramentum caritatis, 71). Sim, “não só de pão vive o homem, mas de cada palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4): nós vivemos da obediência a essa palavra, que é pão vivo, até entregarmo-nos, como Pedro, com a inteligência do amor: “Senhor, a quem iremos? E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!” (Jo 6,68-69).

Como a Virgem Maria, tornemo-nos também nós “ventre” disponível para oferecer Jesus ao homem do nosso tempo, revelando o desejo profundo daquela salvação que vem somente d’Ele. Bom caminho, com Cristo Pão da vida, a toda a Igreja que está na Itália!

Papa aos Casais de namorados: “Queimar etapa, leva a queimar o amor”

Abaixo belíssimo discurso do Papa Bento XVI aos casais de namorados reunidos em Ancona – Itália no encerramento do Congresso Eucarístico Nacional:

Queridos namorados!

Estou feliz por concluir esta intensa jornada, cume do Congresso Eucarístico Nacional, encontrando-me convosco, quase desejando confiar a herança deste evento de graça às vossas jovens vidas. A Eucaristia, dom de Cristo para a salvação do mundo, indica e contém o horizonte mais verdadeiro da experiência que estais vivendo: o amor de Cristo enquanto plenitude do amor humano. Agradeço ao Arcebispo de Ancona-Osimo, Dom Edoardo Menichelli, pela sua cordial saudação, e a todos vós por essa vivaz participação; obrigado também pelos pedidos que me tendes dirigido e que eu acolho confiando na presença em meio a nós do Senhor Jesus: Ele somente tem palavras de vida eterna, palavras de vida para vós e para o vosso futuro!

Aquelas que apresentais são interrogações que, no atual contexto social, assumem um peso ainda maior. Gostaria de oferecer-vos algumas orientações para uma resposta. Em certos aspectos, o nosso não é um tempo fácil, sobretudo para vós, jovens. A mesa está preparada com tantas coisas deliciosas, mas, como no episódio evangélico das bodas de Caná, parece que veio a faltar o vinho da festa. Sobretudo a dificuldade de encontrar um trabalho estável estende um véu de incerteza sobre o futuro. Essa condição contribui para adiar a tomada de decisões definitivas, e incide de modo negativo sobre o crescimento da sociedade, que não chega a valorizar plenamente a riqueza das energias, das competências e da criatividade da vossa geração.

Falta o vinho da festa também em uma cultura que tende a prescindir de claros critérios morais: na desorientação, cada um é forçado a mover-se de maneira individual e autônoma, muitas vezes apenas no perímetro do presente. A fragmentação do tecido comunitário reflete-se em um relativismo que mina os valores essenciais; a harmonia de sentimentos, estados de ânimo e de emoções parece mais importante que a partilha de um projeto de vida. Também as escolhas de fundo, portanto, tornam-se frágeis, expostas a uma perene revogabilidade, que muitas vezes é tida como expressão de liberdade, mesmo que assinale, mais que tudo, a carência. Pertence a uma cultura privada do vinho da festa também a aparente exaltação do corpo, que, na realidade, banaliza a sexualidade e tende a fazê-la viver fora de um contexto de comunhão de vida e de amor.

Queridos jovens, não tenhais medo de afrontar esses desafios! Não percais nunca a esperança. Tendes coragem, também nas dificuldades, permanecendo firmes na fé. Estais certos de que, em cada circunstância, sois amados e protegidos pelo amor de Deus, que é a nossa força. Por isso, é importante que o encontro com Ele, sobretudo na oração pessoal e comunitária, seja constante, fiel, exatamente como é o caminho do vosso amor: amar a Deus e sentir que Ele me ama. Nada nos pode separar do amor de Deus! Estejais certos, pois, que também a Igreja vos é próxima, vos sustenta, não cessa de olhar para vós com grande confiança. Ela sabe que tendes sede de valores, aqueles verdadeiros, sobre os quais vale a pena construir a vossa casa! O valor da fé, da fé, da família, das relações humanas, da justiça. Não vos desencorajeis diante das carências que parecem tirar a alegria da mesa da vida. Nas núpcias de Caná, quando vem a faltar o vinho, Maria convidou os servos a dirigir-se a Jesus e deu-lhes uma indicação preciosa: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). Tenhais como um tesouro a essas palavras, as últimas de Maria reportadas no Evangelho, quase o seu testamento espiritual, e tereis sempre a alegria da festa: Jesus é o vinho da festa!

Como namorados, vos encontrais a viver uma época única, que abre à maravilha do encontro e faz descobrir a beleza de existir e de ser preciosos para alguém, de poder-vos dizer reciprocamente: tu és importante para mim. Vivais com intensidade, gradualidade e verdade esse caminho. Não renuncieis a perseguir um ideal alto de amor, reflexo e testemunho do amor de Deus! Mas, como viver essa fase da vossa vida, testemunhar o amor na comunidade? Gostaria de dizer-vos, antes de tudo, que eviteis vos trancar em relacionamentos íntimos, falsamente tranquilizadores; façais, mais que tudo, que a vossa relação torne-se levedo de uma presença ativa e responsável na comunidade. Não esqueçais, pois, que, para ser autêntico, também o amor exige um caminho de amadurecimento: a partir da atração da inicial e do “sentir-se bem” com o outro, educai-vos a “querer bem” ao outro. O amor vive de gratuidade, de sacrifício de si, de perdão e de respeito pelo outro.



Queridos amigos, cada amor humano é sinal do Amor eterno que nos criou, e cuja graça santifica a escolha de um homem e de uma mulher em dar-se reciprocamente a vida no matrimônio. Vivais esse tempo do namoro na expectativa confiante de tal dom, que é acolhido percorrendo uma estrada de consciência, de respeito, de atenções que não deveis nunca ferir: somente nessa condição a linguagem do amor permanecerá significativa também ao passar dos anos. Educai-vos, pois, desde agora à liberdade da fidelidade, que leva a se proteger reciprocamente, até viver um pelo outro. Preparai-vos para escolher com convicção o “para sempre” que conota o amor: a indissolubilidade, antes que condição, é dom a ser desejado, pedido e vivido, para além de todas as mutáveis situações humanas. E não pensais, segundo uma mentalidade difusa, que a convivência seja garantia para o futuro. Queimar as etapas leva a “queimar” o amor, que, ao contrário, tem necessidade de respeitar os tempos e a gradualidade nas expressões; tem necessidade de dar espaço a Cristo, que é capaz de tornar um amor humano fiel, feliz e indissolúvel. A fidelidade e a continuidade do vosso querer-vos bem vos tornarão capazes também de ser abertos à vida, de serem pais: a estabilidade da vossa união no Sacramento do Matrimônio permitirá aos filhos que Deus desejar vos dar crescer confiantes na bondade da vida. Fidelidade, indissolubilidade e transmissão da vida são os pilares de cada família, verdadeiro bem comum, patrimônio precioso para toda a sociedade. Desde agora, fundai sobre tudo isso o vosso caminho rumo ao matrimônio e testemunhai-o também aos vossos coetâneos: é um serviço precioso! Sejais gratos a quantos, com compromisso, competência e disponibilidade vos acompanham na formação: são sinal da atenção e do cuidado que a comunidade cristã vos reserva. Não sejais sós: busqueis e acolheis por primeiro a companhia da Igreja.

Gostaria de voltar ainda sobre um ponto essencial: a experiência do amor tem no seu interior a tensão rumo a Deus. O verdadeiro amor promete o infinito! Fazei, portanto, deste vosso tempo de preparação ao matrimônio um itinerário de fé: redescubrais para a vossa vida de casal a centralidade de Jesus Cristo e do caminhar na Igreja. Maria ensina-nos que o bem de cada um depende do escutar com docilidade a palavra do Filho. Em quem se confia n’Ele, a água da vida cotidiana transforma-se no vinho de um amor que torna boa, bela e fecunda a vida. Caná, de fato, é anúncio e antecipação do dom do vinho novo da Eucaristia, sacrifício e banquete no qual o Senhor nos alcança, renova e transforma. Não firais a importância vital desse encontro: a assembleia litúrgica dominical vos encontre plenamente participantes; da Eucaristia brota o sentido cristão da existência e um novo modo de viver (cf. Exort. ap. postsin. Sacramentum caritatis, 72-73). Não tenhais, então, medo de assumir a comprometedora responsabilidade da escolha conjugal; não temais em entrar neste “grande mistério”, no qual duas pessoas tornam-se uma só carne (cf. Ef 5,31-32).

Caríssimos jovens, confio-vos à proteção de São José e de Maria Santíssima; seguindo o convite da Virgem Mãe – “Fazei o que ele vos disser” – não vos faltará o sabor da verdadeira festa e sabereis levar o “vinho” melhor, aquele que Cristo dá para a Igreja e para o mundo. Gostaria de dizer-vos que também eu sou próximo a vós e a todos aqueles que, como vós, vivem esse maravilhoso caminho do amor. Abençoo-vos de todo o coração!

Brasil: país rico é país sem corrupção

No último 07 de setembro, vimos pelos meios de comunicação pulularem no Brasil a Marcha contra a corrupção, movimento apartidário para exigir dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário uma limpeza ética. O movimento foi convocado por meio das redes sociais e obteve um bom êxito. Já planejam repetí-lo no próximo 12 de outubro.

Um dos cartazes que vi na marcha dizia assim “país rico é país sem corrupção“. A frase, com certeza, foi uma alteração do slogan do governo federal que diz assim “país rico é país sem pobreza“.

Confesso que não me simpatizo com nenhuma das frases supracitadas, por motivos que agora não vou comentá-los por falta de espaço; mas penso que a primeira tem uma verdade maior que a segunda. Por quê? Nosso país possui muitas riquezas materiais, culturais, espirituais. É de fato um país rico e não é pelo fato de existirem pobres que a riqueza do país, seja ela qual for, é ofuscada. Mesmo entre os pobres materiais há uma riqueza escondida: a riqueza espiritual! Quantos testemunhos belos ouvimos entre as pessoas mais simples. Quanta fé! Quanta esperança! Quanta caridade!

Agora, o que torna nosso país pobre seja materialmente, culturalmente, espiritualmente e moralmente é a corrupção. Corrupção em todos os níveis. Quando falamos em corrupção pensamos somente em politicos que desviam o dinheiro público, mas e as pequenas corrupções? E os pequenos furtos dentro de casa? E a corrupção moral das crianças brasileiras? Pois, de fato, nossas crianças estão sendo corrompidas com este tsunami de sensualidade na TV, internet e, agora, com essa revolução sexual proposta nas escolas através da (des) educação sexual, da distribuição de camisinhas nas escolas e do famigerado kit gay.

Sou favorável ao manifesto contra a corrupção, mas sou contrário à cegueira de alguns que querem exigir ética dos políticos e não querem assumir uma vida ética e muito menos possuem força moral para isso. De qualquer forma, penso que o movimento contra a corrupção é positivo, pois, pelo menos a mim parece, que o brasileiro começou a despertar da apatia que tomou conta desde o início da era Lula.

Rezemos para que surja um verdadeiro movimento não só político, mas também espiritual, a favor da moralidade em nosso país e assim poderemos nos orgulhar de ser um país rico em todos os sentidos.

 

II Campanha Nacional de Consagrações a Nossa Senhora

Abaixo post do site do Padre Paulo Ricardo convocando os católicos à consagração a Nossa Senhora conforme os métodos de São Luis Maria Grignon de Montfort. Quem não se consagrou ainda, deve fazê-lo.

“Apareceu no céu um Grande Sinal: uma Mulher Vestida de Sol, a lua debaixo dos Seus Pés, e na Cabeça, uma coroa de Doze Estrelas. (…) Foi então precipitado o grande Dragão, a Primitiva Serpente, chamado Demônio ou Satanás, o sedutor do mundo inteiro.” (Ap 12, 1; 9) “Quem é Essa que surge como a aurora, Bela como a lua, Brilhante como sol, Temível como um exército em ordem de batalha?” (Ct 6, 10). “Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. Se fizerdes o que vos digo, muitos almas se salvarão e terão paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará.”(Nossa Mãe Santíssima em Fátima, 1917) “Por Maria Jesus Cristo vem a nós, e por Ela devemos ir a Ele.” (São Luis Maria Montfort)

Em 2010, tivemos nossa I Campanha Nacional de Consagrações à Nossa Mãe Santíssima. Mais de 100 pessoas participaram, e fizeram a Consagração Total à Virgem Maria, pelo método que São Luis Maria Montfort nos ensina no seu maravilhoso “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. Este foi o livro de cabeceira de nosso querido Bem-Aventurado João Paulo II, que sob o lema “Totus Tuus” (“Todo Teu”, Todo de Maria…), tão bem viveu e testemunhou esta Consagração! Agora, neste ano de 2011, em que providencialmente o Bem-Aventurado João Paulo II foi elevado à Gloria dos Altares, tendo sido Beatificado pelo Santo Padre Bento XVI, teremos uma Campanha muito maior, que está sendo divulgada em vários de nossos sites e blogs católicos! Queremos neste ano, de forma especial, nos unir também aos católicos de Portugal, país tão amado pela Virgem Maria, que em sua aparição em Fátima prometeu: “Em Portugal, se conservará sempre o dogma da fé.” A abertura da nossa II Campanha Nacional de Consagrações se deu no dia 26 de Junho, no encontro “Consagra-te” em Várzea Grande-MT (ao lado de Cuiabá). Havia mais de 1000 pessoas presentes, e o evento contou com a pregação do Pe. Paulo Ricardo.

Convidamos, então, todos os católicos a se unirem conosco nesta Campanha, fazendo também a sua Consagração Total pelo método de São Luis Montfort, ou renovando a Sua Consagração, no dia 08 de Dezembro de 2011 (Solenidade da Imaculada Conceição).

A preparação e a Consagração poderão ser feitas em qualquer lugar, já que é um ato interior e espiritual.

São Luis Montfort recomenda que se faça 30 dias de preparação, com algumas orações simples, que poderão ser feitas individualmente ou em grupo, a começar então no dia 08 de Novembro de 2011 (elas são indicadas no próprio “Tratado” (n. 227, 233), e estaremos indicando via internet também (são 30 dias, se contarmos as 3 semanas de São Luis Montfort como “6 dias”, mas 33 dias se contarmos como “7 dias”; aqui seguiremos o planejamento dos 30 dias, pois muitos estarão se preparando conforme o livro de preparação editado pela Arca de Mariaque segue o método dos 30 dias).

 

Duas recomendações importantes:

Primeira Recomendação

De forma geral, recomendamos que NÃO se Consagre, e NEM MESMO que se inicie os 30 dias de preparação sem a leitura completa do “Tratado”, pois como poderá preparar-se bem para a Consagração, sem a conhecê-la bem? Além do mais, a Consagração é feita uma vez na vida, e portanto, é importante que se faça com esta preparação.

Até porque a Consagração poderá ser feita em outro momento mais adiante, após a leitura do livro. Provavelmente organizaremos outras Campanhas para a Consagração em grupos em outras datas; e a Consagração também pode ser feita de forma individual, em uma data a livre escolha da pessoa.

Para quem ainda não tem o “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, ele poderá ser adquirido através dos links abaixo em versão PDF ou em versão impressa; os que desejarem, poderão também baixar as orações para os 30 dias de preparação (08 de Novembro a 08 de Dezembro).

Segunda Recomendação

Recomendamos que aqueles que puderem, participem de um grupo de preparação para a Consagração, que se reúna para estudar o “Tratado” e rezar juntos.

Este grupo poderá ser formado espontaneamente, por iniciativa de pessoas que desejam se consagrar, ou pessoas que já se consagraram e desejam ajudar a preparar outras para se consagrar (é importante a participação dos que já se consagraram no grupo, pelo seu testemunho a ser partilhado).

Temos, porém, representantes que estão à frente da nossa Campanha em várias cidades do Brasil e Portugal, e poderão ir formando Grupos de preparação à medida que forem procuradas para isso. Temos também o nosso grupo de estudos via internet, através de Facebook, Orkut e Chats no MSN (vide abaixo). Os que desejarem, convidamos a entrar em contato com nossos representantes nos e-mails que divulgamos a seguir, ao final desta postagem.

Também no mês de Outubro de 2011 o Pe. Paulo Ricardo estará, em seu programa semanal ao vivo no site padrepauloricardo.org, todas as terças-feiras às 21h (horário de Brasília), explicando o Tratado parte por parte.

Em relação à formação dos grupos, algumas sugestões:

- É importante que participem deste grupo somente pessoas que já tenham uma fé católica e uma busca de vivência cristã, caso contrário, o grupo poderá se tornar um local de debate, se afastar do seu objetivo atrapalhando as pessoas que querem se Consagrar (é claro que o diálogo é importante, mas há outros locais para isso).

Aqui não importa o número, e sim, aqueles que a Virgem enviar. Três pessoas já é um grupo!

- O estudo do Tratado deverá encerrar-se até a primeira semana de Novembro, pois no dia 08 iniciaremos as orações de preparação.

- A frequência dos encontros do grupo poderá ser feita conforme a disponibilidade: semanal ou quinzenal. Como o nosso tempo é relativamente curto, sugerimos que durante o mês de Setembro, reúnam-se as pessoas para os grupos, para que na primeira semana de Outubro iniciem-se os encontros semanais, até a primeira semana de Novembro (totalizando, portanto, 5 encontros) para no dia 08 de Novembro iniciarmos as orações de preparação.

- O local da reunião poderá ser em residências ou, na medida do possível, em paróquias, seminários, casas religiosas…

- O encontro poderá iniciar com a Oração do Santo Terço, seguida de um estudo de um ou dois capítulos do Tratado.

- Conforme o tempo disponível e o número de encontros, pode-se dividir para que em cada encontro se estude um ou dois capítulos do Tratado (o Tratado tem 8 capítulos, mais a Introdução). Se forem 5 encontros, sugerimos que no 1º se faça uma apresentação dos participantes e do Tratado, e nos demais o estudo de 2 capítulos do Tratado em cada encontro.

- Para cada encontro, todos lêem antes do encontro o(s) capítulo(s) estudado(s), e em cada encontro algumas pessoas do grupo podem ficar responsáveis em conduzir uma partilha, comentando sobre os pontos que mais lhe chamaram atenção, e oportunizando que todos do grupo comentem também. O fato de pessoas diferentes ficarem responsáveis pela condução propicia mais a participação envolvimento de todos.

- Muita atenção ao dia que se estudar o capítulo 4, pois a questão do oferecimento dos méritos e do valor de todas as obras passadas, presentes e futuras, que se faz na Consagração, faz parte da essência da mesma e isso precisa ser deixado muito claro  (ver as questões 1, 2, 3 e 4 do texto “13 perguntas sobre a Consagração Total”, presente na parte de baixo desta postagem).

- Recomenda-se que todos assistam as 3 palestras do Pe. Paulo Ricardo “Consagra-te à Virgem Maria”, que trazemos no início desta postagem. Havendo possibilidade, poderão assistir em grupo.

- No dia 08 de Dezembro de 2011, a Consagração poderá ser feita em grupo (seja participando da Santa Missa em Cuiabá-MT celebrada pelo Pe. Paulo Ricardo, ou reunindo-se em outro lugar, com Missa – de preferência! – ou não).

Senhor, porque Te escondes?

A Sagrada Escritura é uma fonte inexaurível de vida, um fortíssimo facho de luz na escuridão desta nossa existência! Diante de tantas coisas horríveis ao nosso redor temos que tomá-la e rezar com ela. Tomo como exemplo o Salmo 10.

Aí, o autor sagrado aparece escandalizado, como nós, tantas vezes: “Senhor, por que estás tão longe e te escondes no tempo da angústia?” Por que, Senhor, és um Deus fugidio? Por que parece que não ligas para nossas angústias, para o sofrimento dos teus, para o grito dos oprimidos desta vida? Tu não és amor? Não és providência? Não és piedade e compaixão? Por que, então fazes assim? Por que parece até que não existes, que fugiste deste nosso tempo de dores, impiedades e descrença?

“O ímpio se gloria da cupidez da sua alma, o avaro se felicita, mas despreza o Senhor. O ímpio, no seu luxo soberbo diz: ‘Ele não repara!’, ‘Deus não existe’, eis o que pensa! Seus caminhos prosperam o tempo todo, teus juízos estão bem longe da sua vida…”

Senhor, será que os ímpios estão mesmo certos? Será que esta é a triste conclusão: Deus não existe? Existes, Senhor? Ages no mundo, Senhor? Importa-te realmente com os homens, Deus santo?

A impiedade se alastra; o paganismo floresce com força impressionante; a mentira, a falsa religiosidade levam a melhor; os padres que querem seguir a Cristo, evangelizar de verdade, que defendem a doutrina da Igreja, o Papa são os mais ridicularizados e perseguidos; os leigos que querem uma liturgia bem celebrada são atacados e marginalizados dentro da Igreja; as famílias boas são atormentadas por filhos que vivem nas drogas; no Brasil, os partidos que estão mais envolvidos com a corrupção são os mais votados; aqueles que defendem o homossexualismo, o aborto, a camisinha são aplaudidos e os que defendem a vida são ridicularizados; os conservadores são calados no trabalho, na sociedade e na mídia, enquanto que os progressistas são exaltados, honrados, aplaudidos e até idolatrados.

… Vi o show da Lady Gaga: quanta bobagem, quanta idiotice, quanta superficialidade, quanta vulgaridade, quanta impiedade… E eram milhares, aplaudindo, extasiando-se com o lixo, com a mentira, com o que não passa de morte grotesca!

Onde estás, Senhor? Por que te escondes? Por que fugiste do mundo? Por que deixaste os filhos de Adão e as filhas de Eva entregues a sua própria cegueira e loucura? Os ímpios hoje dizem: “‘Não vacilarei, de geração em geração não serei infeliz!’ Diz consigo mesmo: ‘Deus se esqueceu, desviou o rosto, ele não vê mais!’ Levanta-te, Senhor! Deus ergue a tua mão! Não te esqueças dos pobres!” Olha aqueles que esperam em ti, aqueles que sofrem por ver o teu nome ser riscado do coração do mundo! Olha aqueles que estão sofrendo por ver tanta injustiça contra os teus dentro da própria Igreja! Olha aqueles que sofrem com as drogas, a imoralidade dominante, a corrupção crescente!

Senhor, nós sabemos, nós cremos: tu não és um Deus distante, não és um Deus indiferente ao mundo: “Viste a fadiga e a aflição, e estás atento para dar-lhes a paga. A ti se entrega o infeliz, para o órfão és um protetor! Ouviste o desejo dos humildes, Senhor, fortaleces seu coração e o escutas, para tutelares os direitos do órfão e do oprimido e não mais orgulhar-se o homem feito de barro”.

Este texto foi tirado do blog http://costa_hs.blog.uol.com.br/ e adaptado por mim com alguns acréscimos.

A noite escura de Madre Teresa de Calcutá

Hoje, 05 de setembro, comemora-se a partida da Beata Madre Teresa de Calcutá para o céu.

Como já é sabido por muitos, esta bem-aventurada viveu na terra fazendo o bem aos pobres, mas muitos se esquecem de comentar que ela passava horas diante do Santíssimo Sacramento a fim de obter forças para a missão. Ademais, desde o começo de sua obra, ela sofria em sua alma aquilo que São João da Cruz denominou “noite escura da alma”. Essa noite escura pode ser definida como que um obscurecimento de todo sentido frente à presença de Deus. Ela sabe que Deus existe, no entanto não senti Sua presença. E o pior: às vezes sente que Ele a rejeita, ou até mesmo que Ele não existe, não significa nada…

Ouçamos seu próprio relato em uma de suas cartas:

“Há tanta contradição em minha alma, um profundo desejo de Deus, tão profundo que faz mal; um sofrimento contínuo e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, vazia, sem fé, sem ânimo, sem zelo…”,

“Senhor Deus meu, quem sou eu para que Tu me abandones? Uma filha de Teu amor, e agora, convertida na mais odiada, não amada. Chamo, me agarro, eu quero, mas não há resposta, não há ninguém em quem possa me agarrar, nada, sozinha. A escuridão é tamanha e estou sozinha. Depreciada, abandonada. A solidão do coração que quer o amor é insuportável. Onde está minha fé? Inclusive no mais profundo, bem dentro, não há nada além de vazio e escuridão. Deus meu, como é dolorosa esta dor desconhecida. Doi sem cessar. Não tenho fé. Não me atrevo a pronunciar as palavras e pensamentos que enchem meu coração e me fazem sofrer uma agonia indizível. Tantas perguntas sem respostas vivem dentro de mim, me dá medo descobri-las, pois podem ser causa de blasfêmias.

Se Deus existe, por favoor, perdoe-me. Confio que tudo isto terminará no céu com Jesus. Quando tento levantar meus pensamentos ao Céu, há um vazio tão acusador que estes mesmos pensamentos regressam como facas afiadas e ferem a minha alma. Amor, a palavra, não me diz nada. Se me dizes que Deus me ama, sei que a realidade de escuridão, frieza, vazio é tão grande que nada comove minha alma.Antes de começar a obra havia tanta união, amor, fé, confiança, oração e sacrifício. Enganei-me ao me entregrar cegamente ao Sagrado Coração? A obra não é uma dúvida, porque estou convencida de é Sua, não minha. Não sinto, em meu coração não há o mínimo pensamento ou tentação de atribuir-me algo desta obra.

Todo este tempo sorrindo – as irmãs e o povo fazem comentários deste tipo. Eles pensam que minha fé, minha confiança e meu amor preenchem todo meu ser e que a intimidade com Deus e a união a sua vontade impregnam meu coração. Se soubessem como minha alegria é um manto sobre o qual cubro o vazio e a miséria.

Apesar de tudo, esta escuridão e vazio não são tão doloros como os sofrimentos de Cristo. Esta contradição, temo, vai me desequilibrar. Deus, que estás fazendo com tua pequena? Quando pediste para imprimir tua paixão em emu coração, esta é a resposta?

Se isto te traz alegria, se Tu obtem de tudo isto uma só gota de alegria, se isto te leva almas, se meus sofrimentos saciam Tua Sede, aqui estou Senhor, com alegria aceito passar por tudo até o final da vida, e sorrirei ao Teu Rosto Oculoto. Sempre.”

Legalização do aborto no Brasil

Mais uma vez, a voz profética do Padre Paulo Ricardo Azevedo Júnior se levanta para denunciar as artimanhas para a legalização do aborto no Brasil, tendo à frente o Partido dos Trabalhadores (PT).

Vale a pena ver e ouvir:

Grito dos Excluídos e CNBB

Certas atitudes da CNBB parecem um pouco engraçadas. Esta semana, a CNBB soltou um comunicado afirmando que apoia o Grito dos Excluídos Nacional, um evento que reúne os movimentos sociais pelo Brasil afora, erguendo uma voz contra a exclusão social no Brasil. Tal evento se realiza anualmente no dia 07 de setembro, Proclamção da Independência. Em Aparecida – SP, por exemplo, reúnem-se milhares de pessoas para o Grito.

Pessoalmente, não gosto de tal evento, mas é legítimo todo grupo social manifestar-se. O que acho estranho é a CNBB apoiar o movimento, sendo que entre eles há alguns nada católicos. Ademais, alguns movimentos católicos, não são nem de longe apoiados pela CNBB. Se ela apoia movimentos sociais com objetivos não católicos, porque não apoiar movimentos católicos como aqueles que querem a celebração da missa no rito antigo?

O que todos os católicos querem é que a CNBB seja coerente com seus discursos.

Quem foi Lutero? Descubra a verdade sobre ele…

Desde nossa tenra idade, escutamos que Martinho Lutero foi aquele que deu início à Reforma Protestante (na verdade, o termo certo não é reforma, mas revolução), mas não sabemos com maiores detalhes sobre a vida desse homem, porque ele entrou no convento e outros pormenores. Abaixo um vídeo revelador vai mostrar para você quem é esse homem, o que ele fez e porque fez…

Cristo Eucaristia por São Josemaria Escrivá

O maior louco que já houve e haverá é Ele. É possível maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega, e àqueles a quem se entrega? Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso, até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever-se a maltratá-Lo. Achou que era pouco: quis aniquilar-se mais e dar-se mais. E fez-se comida, fez-se Pão. – Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo? (Forja, 824)

Tenhamos em mente a experiência tão humana da despedida de duas pessoas que se amam. Desejariam permanecer sempre juntas, mas o dever – seja ele qual for – obriga-as a afastar-se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem, como gostariam. Nessas situações, o amor humano, que, por maior que seja, é sempre limitado, recorre a um símbolo: as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, possivelmente uma fotografia, com uma dedicatória tão ardente que é de admirar que o papel não se queime. Mas não conseguem muito mais, pois o poder das criaturas não vai tão longe quanto o seu querer.

Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não nos deixa um símbolo, mas a própria realidade: fica Ele mesmo. Irá para o Pai, mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um simples presente que nos lembre a sua memória, uma imagem que se dilua com o tempo, como a fotografia que em breve se esvai, amarelece e perde sentido para os que não tenham sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente presente com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade.